E com velocidade incrível, passou-se um ano. Quase não dá pra acreditar no que era minha vida há um ano atrás, exatamente. Estou totalmente sem vontade de escrever, mas vou quebrar o hiatus com um post comemorativo.
Tentando não ser (muito) piegas.
Cada um dos últimos dias foi uma sucessão de choradeiras secas, lembranças remoídas, risadas encavaladas. Vontade de fazer montinho no rosa de novo, de ser expulso do "expulso", de longas reflexões na madrugada sobre porque pessoas iriam numa lanchonete de pijama. É como estar embebido em memórias, sufocado, relutante, algemado. Todo o último ano foi ruim ? Definitivamente não. Coisas boas aconteceram, alegrias, tristezas, vida - mas sem aquele gostinho de fairy tale. É como eu mesma postei na comunidade dos Cast Members 05/06: não é que na Disney não tenha coisas ruins e decepções, não é que não tenha bruxas más e veneno em maçãs, mas, como em todo conto de fada, você sabe que no final as princesas (and we're all princesses) sempre vencem e reluzem em seus palácios de cristal. Não é vida real, é magia.
Um fuga da realidade. Tipo drogas.
Não é a toa que 100% dos usuários está com síndrome de abstinência eterna do paraíso. De acordar 3.30 AM porque a maldita van pro Wild World of Sports sai as 4, e se você perder, você sabe que não há monorail ou ônibus de guest que vá te levar praquela PQP, com o perdão da palavra. E você sabe que vai chegar lá - um lugar incrível, melhores horas extras ever - vai se perder muito para encontrar a tal Milkhouse, o tal Locker (apesar de você ter ido buscar a costume no dia anterior), os tais carrinhos de golfe com tiozinhos legais te dando carona pralá-e-pracá, os 500 campos de futebol americano, softball (softball!!!), beisebol, futebol tradiça mesmo, verde, verde, verde que não acaba. Daí você tropeça em grupos e grupos de cheerleaders (elas existem, sairam dos filmes mesmo), que lotam todas as partes, aquele sorriso idiota no rosto, os túneis (discretos, comparados com os do Magic), a salinha do manager (may I have a locker?), aquela baguuuuunça de quem-vai-pra-onde-fazer-o-que, a lanchonete A1, B3, C4 (onde fica isso, moço??), o estádio ou o ginásio, "sim, eu opero Matra, deixa eu te dar meu número" (que não vai ser desbloqueado e depois você inevitavelmente vai caçar o tio manager por aquela gingantice de lugar), filler, cashier, runner (best position ever), nachos with cheese, nachos with cheese sem abrir o pacote (loucura de americano), hot dogs sem gracíssimos, sementes de girassol (do you REALLY eat this ?! it's for birds !), monster pretzels (salted ?), beisebol da 4ª divisão, maníacos, chat 'bout stupid things allllllll afternoon, can I have my break now?, nextels malditos que eu nunca vou compreender na minha existência, nem com um CPE na mão, golpes e migués que só um cast consegue dar, dormir na mesa do breakroom porque era a única hora que eu tinha pra dormir, máquinas que vendiam de tudo (menos um Prince Charming), americanos muito legais, americanos muito chatos, guests fofos de levar pra casa e pendurar no chaveiro, cha-cha-slide, cha-cha-slide no Scuttle's, comer os marshmellows todos, deixar os americanos azedos no backstage, dançar, cantar e atuar, afinal estávamos on stage! coleção de pins no colete, famílias, solteiros, jovens, tiozinhos, crianças, amigos, bagunceiros, briguentos, chatos, irritadinhos, problemas de alergia com uma coisa que eu não sei o que é até hoje, jogar comida no lixo ignorantemente, fechar a pretzel wagon na chuva, abrir a pretzel wagon 2 minutos depois (when dumbo starts), little world ride, peter pan ride, Pinocchios sempre fechado, Tigre e o Dragão no Launching Pad, fechar o Space Dog com os produtos cancerígenos transgênicos que limpavam gordura como se fosse água, açúcar de mentirinha, coca-cola ruim que dói, lemonade !, mais lemonade, mamita, 10-4, 10-54, estar de guest e rir da Becky, rodar o MK espalhando a fofoca da Becky, gostar da Becky, dark side, tratar 400 dólares com displicência, banco Vista, West Clock, thanks for comin' in... have a nice evening, povinho mais tosco ever no wardrobe maior e mais legal, conseguir casaco de inverno no SEU número e guardar ele pra sempre, costumes especiais para o natal, cookies and cider, conversível numa puta highway às 3 da manhã ouvindo nickleback (não faço idéia como escreve) com o manager master fofo da sua hora extra, aprender inglês de gangster, inglês dos manos de New Jersey, americanos tímidos que dói, americanos fofos e loirinhos, me desapaixonar, não ter vontade de ligar, desintoxicação, 3 horas pra chegar no aeroporto, ônibus inexistentes mas pontualíssimos, spirit air, northwest, reservas online, laptop alheio, very merry xmas parade, mandar o guest voltar ano que vem !, strollers !!! mais strollers !!! empilhar, desempilhar, derrubar uma pilha de 3 metros como se fosse normal, trabalhar folgadamente no backstage dando graças a alah porque o mundo já tava girando a sua volta, mais cochilos no breakroom, fazer clock in e depois trocar de roupa, roubar brownies (os mais deliciosos do universo), manager mão-de-vaca-cara-de-pau, carregar baldes d'água do Groves pro Potts, limpar o Potts sem água ou com água nojenta de marrom, jogar a sujeira no chão porque não é sua responsabilidade, IT'S SOOOOOOOO GROOOOOSSSSSS, acabar gostando da pobre garota, despedida dos americanos do Summer, chegada dos brasileiros em massa em janeiro, ser mau com os brasileiros, amizades no Columbia, não saber nem o que vende no Columbia, bussing n trays, amar Stands East, call in factor rules, brincar de usar costume de menininha, 5 ounces, não saber até hoje quanto é uma ounce, ninguém saber de falar quanto é uma ounce, sanduíches com inredientes loucos que eu não sei o nome nem em português, frigorífico bagunçado e unhas pretas, se queimar diversas vezes no steamer, sempre esquecer do steamer, cinnamon sticks, pessoas comprando uma coisa que a menos de um metro você podia ter de graça, pessoas comprando durante o Wishes, pessoas comprando, comprando, comprando. Ingleses do interior da bretanha com um inglês surreal, galerinha do Haiti, stocker não é trabalho !, roubar sorvete do coleguinha, whipped cream machine tosca, milkshake = sorvete mole e explicar pro guest que não é culpa sua, sorvete mole e cones, sprinkles com sorvete mole, ser cashier com duas janelas, call for pennies, amor aos pennies, devoção por pennies, disney dollars e cartões de crédito super-hyper-high-ultra-fashion, tradicions, nametags, tell-a-cast salvador da pátria, saber que os brasileiros são os mais legais, se apaixonar pelos peruanos, se convencer que os argentinos não deviam interagir com o resto do universo e que os cariocas são o ó do borogodó (e não é preconceito de paulista), sair do trabalho com sotaque sulista, morrer com o sotaque de fortaleza (mas eles são adoráveis), amizades na fila da everest, fastpass para a everest, chupa guest porque eu sou cast !, festinhas do vista way, vista way, vista way, vista way. Paz de estar sozinha em casa, alegria de roomies reunidas, 7º, 8º, 9º, 10º roomate e so on, tretinhas, roubos de haagen daz, cuban bread, salsichas defumadas e arroz de microondas, congelador full of michelinas, steak = hamburger ?, criar caminhos malucos pra indicar as coisas pros guests, Manson, mudar de job em 2 minutos usando os "gatos" do time to walk, se gabar por quase todos os outros casts não terem time to walk, Gary, explicar as coisas mais mirabolantes com nomes bizarros no assessment, 7 guidelines for guest services and 7 dwarves, make each and every guest feel special, blackberries, Wishes pela porta dos fundos do MK (best view), golpinhos para tirar o break no Wishes, star light star bright each and every day and miss it, extra magic hours, DJ super lindo no natal, cantar e dançar as mesmas músicas de natal junto com os operations, fazer os americanos emburrados rirem, ser defendida pelos managers, vender algodão-doce no Fantasmic, ter seu banco da forma mais desorganizada possível e dar tudo certo no final, double-ride na Tower of Terror, ferry boat como meio de transporte, last Wishes, árabe no Epcot e a super dança do ventre com os tiozinhos americanos safados, Jasmine e Alladin, tampico no restaurante, Rainforest com elefantes e girafas, ofertas e 30% de desconto dos casts, property control, MUITOS Eclipses, ser a tira-dúvidas da galera, ir comprar 5 CDs na Virgin e sair com 3 livros, desprezar playstations e ipods, cinema a meia-noite, cirque du soleil sem querer, visitar amigos no trampo pagando de guest, pagar de guest SEMPRE que possível, vontade de ajudar, orgulho de ser cast.
Essa tem sido nossa vida de casts desgarrados no último ano, lembranças intermináveis em forma de lista, brainstorm de memórias. Cada um tem seus motivos, o meu é trauma de esquecer.. não quero perder esses dias como já perdi tantos outros.. não quero mais perder.
Pessoas como eu estão em recuperação constante, cada dia uma luta, cada dia uma pedra no sapato, uma dor, uma ferida aberta. Ainda tenho muitas recaídas. Às vezes penso se certas coisas realmente tem recuperação, ou se elas ficam no máximo latentes, à espreita, olhando com seus olhinhos de palhaço e balões de gás. Não sei mais. Estou tentando. Tentando. Um ano e cansada.
Só na fuga total encontrei felicidade. Haverá outro caminho ?
Algo que escrevi num lugar que vou certamente apagar em breve mas quero deixar imortalizado (meio dramática demais a palavra, mas vale a intenção).
Sou alguém que já viu e viveu muita coisa por trás desses olhinhos brilhantes e cachinhos de anjo. Alguém que acha Tristão e Isolda "bonito" e que chora no Globo Repórter. Alguém que sonha apesar da realidade, que não mede esforços, que se entrega totalmente e que, de certa forma, aprendeu a lidar com o medo do melhor jeito.
Alguém que pira com Sonata de Outono, mora em Dogville e, apesar de ser apaixonada por Trainspotting, escolheu a vida.
E acreditem, quando você deixa de ser meramente escolhido pela vida e conscientemente a escolhe, faz toda a diferença.
Toda.
Sobre, eu substituo uma obsessão por outra, um vício por agulha, uma dor por amargo na boca.
E elas são o padre com quem me confesso...
É o gozo frio que me destaca da vala-comum da dita mulher direita. O toque antropofágico nascido do nada, de bocas que se devoram sem ar, asmáticas e sem fronteiras, doentes de dores de cabeceira e choros secos como pólvora boa. São os caçadores sem presa que, tórridos de ira deste não-encontar da savana, se atracam em rugidos de uma dupla de leões. Não é em pé de igualdade, claro, pois uma juba sempre tem a outra como menor, e as patas dele acariciam com desprezo latente, ainda que contido, mas que vai virar história no dia seguinte. Nas patas dela, que estavam sem garras e sem veneno tão pouco atrás, apenas o desgaste ansioso do grito egocêntrico. Essa luta de feras que buscam apenas o desejo egoísta se desdobra em medidas, em contagens e percentuais de loucura alcançados - eles não precisam de espaços, precisam apenas do jogo "minimamente discreto ainda que explícito", sem teto ou móveis, sem sala cozinha banheiro quarto cama. É desnecessário, pois a selva abraça animais da noite, felinos (pois os prefiro) sem rumo, sem eira, sem temor maior que seus temores nascentes da luz do dia.
Nunca achei isso doce, mas o ácido do desprezo mútuo era verdadeiro deleite, ainda o é. A felicidade risível do ter sem pertencer, fuga das amarras mudas, tudo isso é tão sublime como trezentas lâminas dilacerando minha carne.
No fim, tudo é sangue.
E tudo acaba em.... nada. Montes de palavras empilhadas, sentidos tortos e contra-mão lingüística. Eu sepre fui contra palavras, ainda sou, essa verborragia vacilante que salta para fora de nós com a postura da verdade e se estatela no chão em frangalhos de pensamento vazio.
Já me perguntaram algumas vezes como eu, a mais escritorazinha de todos, consigo falar mal das nossas amigas palavras, mas é simples: de tão companheiras, elas se formatam rapidamente do jeito que eu quero, independente do sentir. Minhas amigas me protegem (me destroem), mas sempre, sempre, sempre me ajudaram a mentir com a placidez da sinceridade.
Minto até quando finjo ter algo a dizer (por ter começado esse post), quando na verdade estou escrevendo aqui só pelo hábito de blogar e manter essa página medíocre viva, pois ela tem sua serventia quando necessito.
Caso não o de agora, pois estou presa entre esperas túrgidas de nada que convém explicar ou refletir sobre.
Até minha poesia falha, vazia.
Poderia dar um grito de desespero, mas minha voz não se comove o suficiente para tanto.
Sabe o que é?
É nó na garganta e dedos trancados.
É pó nos móveis e furo nas solas dos sapatos.
É vazio na voz e grito na lembrança.
É olhar perdido e preterir a esperança.
É tentar o começo e não sair do fim.
É procurar você até dentro de mim.
É a cama macia e o travesseiro vazio.
É o rosto terno e o olhar gentil.
É minha digital correndo no seu nariz.
É lembrança amarga do que é ser feliz.
É arriscar e fingir não ter medo.
É ter medo e ainda assim arriscar.
É ouvir e ser obrigada a concordar.
É dizer sim quando quero mais chorar.
É soluço e engolir a lágrima.
É falar com você enquanto a respiração falha.
É me prejudicar por segundos de desatenção.
É me tocar e pensar ser sua mão.
É o brilho no olhar e o seu sorriso.
É tempestade e chuva de granizo.
É almejar o que não pode ser.
É tentar mas não conseguir esquecer.
Basicamente.
Um vômito.
10 dias.
Leiam. Ouçam.
Vejo a vida passar
Correr como um rio
Sem sair do lugar
Feito um labirinto
Eu não quero mais fugir de mim
Quero acreditar até o fim
Porque eu quero, eu preciso
Mostrar o que há de bom em mim
Como o vento, como o rio
Que deseja o mar até o fim
Meu desejo, meu destino
O meu sonho de estar bem aqui
E você vai lembrar de mim
Puts, diz tudo que eu estou há uma semana tentando dizer.
Reaprendendo. Eu chego lá. Vou acreditar.
Coragem. E as lágrimas que me faltam.
19 dias.
Dever cívico cumprido, não anulei nenhum voto e sequer apostei na legenda. Certo, errado, bem escolhido, mal esconhido, corruptos, honestos, pouco importa - ao menos fiz uma escolha. Digo e repito que democracia de cú é rola e que voto deve ser facultativo, mas enquanto não é, estamos aí: pegando a fila de 40 minutos e achando rápida.
Eleição essa que estava no maior clima "já ganhou" pra todo mundo, agora aponta uns indícios de que pelo menos a madrugada vigente vai ser divertida, acompanhando o boca-de-urna e o oba-oba da apuração. Na minha seção o pessoal estava marcando de se ver mês que vem já... parece (ao menos aqui em sampa) que essa "viradinha" não é só golpe de mídia para o povo não perder o pique de acompanhar os resultados na TV hoje a noite.
Por enquanto, esperamos e damos um basta nesse pesqüê de eleição.
*
Queria master ir no show do RBD no Rio, mas o pessoal do meu círculo de amizades ou é preconceituoso ou é fresquinho demais para esquemas "notionless adventure". Fazer o quê. Acho que vou ter é que comprar o DVD e ver em casa... triste.
*
De resto, a bexiga continua murchando.
Em clima de contagem regressiva:
- 06 dias para o Anathema
- 27 dias para eu perder meu plano de saúde
E nada de check-up que minha saúde é (infelizmente) de ferro.
Veja bem companheiros... nessa noite entre um debate sem certo candidato patético e VMB com clipes do meu professor concorrendo, o que fazer?
haha. ócio. até criei um fotolog. acho interessantíssima a minha disposição em criar lixo virtual durante momentos de marasmo.
ô falta de pique.
ô.
ô.
ô.
poesia construtivista.
(tá, não é meu forte.)
mas têm um ritmo, uma cadência... (esse ô). mais que o pop descompassado que estava cantarolando hoje de manhã.
ritmo de contagem:
1 semana para o Anathema
1 mês para eu perder meu plano de saúde
Seria a hora de fazer um check-up?
Às vezes uma lágrima, às vezes um sorriso. É irresistível.
Uma manhã cinzenta, chuvosa, do jeito que me entristece, mas estou rindo. Da música, dos comentários, das conversas fiadas, das amizades ganhas, das confianças perdidas.
Nada como uma grande decepção para você rever seu olhar sobre as pessoas. Sobre si. Sobre a morte intermitente e a vida que ressurge a seguir.
Estou ecoando a beleza que há em mim... brincando de reenxergar.
Afora isso... eu mereço?? hahahahaha
Gente sem o menor feeling. Caralho.
O blog é meu e eu xingo mesmo. Caralho da porra de gente burra.
*rolando de rir a toa*
Ah, tirei aqueles brincos, finalmente. Um marco. Com isso encerrei mais uma fase, uma etapa meio que dolorida, mais um unhappy end para a coleção. É difícil fazer escolhas, jogar a última pá de terra, mas é tão necessário e vital que uma hora ou outra acabo fazendo. Não foi nada agradável, as roscas pareciam relutar, girando em falso dentre os meus dedos, mas eu fui a fundo - insisti e retirei todos os pedaços desse engodo de mim.
Agora vêm aquela paz latente, o suspiro de ansiedade, a falta de viço.. é eu conheço cada fase desse percurso entre mar e terra. Tudo bem, vai ficar tudo bem, eu sei, mas ainda dói pensar. Dói pensar que eu não merecia ver o que vi. É muito triste e está me deixando triste por tabela - triste com o 'como' não com o desfecho.
Afinal, o desfecho eu já sabia desde a página 01. Não sou boa para escrever romances de suspense.
Com sorte eu ainda me emendo. Com sorte. Apesar de que lembrei que não tenho isso...
Aiai. Que triste.
Ao menos alguém está se encontrando nesse jogo. Fico feliz.
yeah babe. é foda.
eu brinco, você brinca. mas é foda.
tormento. loucura.
tentei demais, fiquei exausta. não dormi e tampouco consegui te alcançar.
nem em sonho.
achei que você não dava conta, mas quem não dá sou eu.
está me destruindo, sufocada.
por que está fazendo isso?
de novo. de novo. de novo.
não agüento atravessar mais uma vez.
eu não passo de 35 metros. isso nos velhos tempos.
hoje em dia acho que vou morrer se estiver a menos de meio.
não faz isso, por favor... não faz.
uma moeda pelos seus pensamentos.
Eu já fui doce, já fui sarcástica, fiz manha, dei risada, ignorei, persegui, sobrevivi, tive recaídas, desenhei seu rosto com os dedos, pedi seus tapas, ajoelhei, gritei por nada, respirei você, simulei amar, tentei desdenhar, pedi seu preço, tomei de graça, ganhei uns beijos, perdi o humor, tremi de medo, quis te esquecer, forcei a lembrança, fui santa, fui puta, fui interrogada.
Qual o tamanho dessa distância que nos separa?
Qual o segredo pra decifrar sua alma?
São tantas vírgulas que perdi a respiração na fala.
ps.: agora que eu não estou entendendo nada mesmo... e luto pra não correr mais rápido que o coelho ! que dificil és ser yo...
É um círculo. Sem arestas, sem vértices, sem começo, sem fim, sem nada. Pode se perder aqui, seja bem vindo. Nada acontece abruptamente, nada é inesperado, é circular. Você não vai saber por onde entrou, nem vai saber qual a porta de saída, mas tudo bem, porque aqui onde não tem meio, não acontece nada de mais.
É um símbolo, ou estigma, marca, cicatriz, sinônimo de verdade, tristeza. O misto de tudo dá nada, é como o vermelho-verde-azul. Se juntar tantas matizes de sentimentos opositores você encontra a ausência de luz.
É a perdição, o encontro do alfa e do ômega, o precipício de eterno cair. Uma hora ou outra você pára de pensar, pois é uma charada impossível, desafio sem solução. É a conta faltando número, vírgulas dançando sem baile para ir.
Independe de mim. Ata-me.
Ainda assim... vem comigo.
Sonnet 150
O, from what power hast thou this powerful might
With insufficiency my heart to sway?
To make me give the lie to my true sight,
And swear that brightness doth not grace the day?
Whence hast thou this becoming of things ill,
That in the very refuse of thy deeds
There is such strength and warrantize of skill
That, in my mind, thy worst all best exceeds?
Who taught thee how to make me love thee more
The more I hear and see just cause of hate?
O, though I love what others do abhor,
With others thou shouldst not abhor my state:
If thy unworthiness raised love in me,
More worthy I to be beloved of thee.
Ah ! Odeio-te. Odeio-te. Odeio-te.
Principalmente detesto como você não deixa nenhuma pista, como foge do meu controle, escapa da minha obsessão. Ah !
Deixe-me só com minha neurose.
Estava pulando na net quando caí numa matéria sobre o novo cafa. Uma bela descrição desse novo tipo que apareceu nas nossas praças, como quem não quer nada, e está ganhando espaço.
Transcrevi a matéria logo abaixo, um trabalho árduo feito duas vezes (porque na primeira a luz piscou e eu perdi tudo), graças ao jornal "O Globo", pois com seu comportamento anti-social apavorado com "direitos de propriedade", não permite um simples copiar e colar. Blog it? Trackback? Bobagens.
Antes do texto, contudo, minha sublime e bem pior escrita opinião sobre o fenômeno.
Começo já por admitir que a maior culpa nisso é das próprias mulheres. Aprisionadas nos seus sonhos burgueses, coladas nas páginas dos romances baratos de banca, acabam por incentivar essas metamorfoses de comportamento nos queridos companheiros do sexo oposto. Ora, nossos velhos, old-fashioned cafas, se vendo cada vez com mais dificuldade de atingir seus objetivos com suas técnicas velhacas, não se vêem com outra alternativa a não ser mudar a roupagem. Surge então esse cafa 2.0, fruto caramelizado e endurecido do moralismo e síndrome retrógrada da sociedade do século 21.
A vanguarda da sinceridade e do realismo está morta, ou definhando. Esses fenômenos de me-engana-que-eu-gosto não só me dão medo, mas como me enojam. Onde está o olho-no-olho, as palavras que não são só promessas vazias de pessoas que não existem? Essa projeção de utopias de um lado para o outro (ambas as direções, devo afirmar) nos leva cada vez mais para os relacionamentos fugazes, que começam no nada e acabam sem nem levar o e-mail. Não há relação, não há sentimento - e aqui não falo do romance romântico, mas simplesmente de interações normais entre as pessoas: o diálogo chega ao fim abrupto assim que o beijo se torna passado.
Às vezes, me pergunto qual o problema em realmente ser natural e dizer a que veio. Há muitos objetivos, cada um tem os seus. Se todos simplesmente pararem de camuflar suas verdade sob finas camadas de pó de arroz, certamente os pares se encontrariam com mais facilidade. Sem o joguinho idiota de tatear no escuro, provar da dúvida; frustrar-se é quase um novo esporte: depois de cada partida saímos com os amigos para comentar animadamente os lances emocionantes do jogo. Virou piada mesmo!
Que horror isso. Prefiro a filosofia idade da pedra, quando as linhas guia eram mais naturais e harmoniosas. Os velhos cafas tinham uma sinceridade disfarçada, enquanto os novos têm uma falsidade admitida. Ou seja, retrocedemos cada vez mais, nadando nesse lodo antiquado das convenções preestabelecidas.
Divirtam-se com o texto, de Joaquim Ferreira dos Santos, página 10 do "Segundo Caderno", jornal "O Globo".
O novo cafa
Ele não espanta a presa, é refém do seu fascínio por ela.
Cuidem-se meninas, eis que chegou o novo cafajeste. Não mais um sujeito com os pêlos do peito suspirando safarnagens ao vento ateu e ao badalo dos cordões de ouro. Não mais um casca grossa de chanchada murmurando toucinhos de admiração fingida para dentro da panela auricular da moça. Necas de Jece Valadão. Pitibiribas de José Mayer. O novo cafa viajou. Aggiornou o Zé Trindade que carregava em si e adentrou em cena com o velho apetite - elas, elas - mas com jeitão irreconhecível. Deixou o tacape na caverna e vai na contramão da garotada pitbull. Nada de puxar a presa pelo cabelo na boate. É quase um gente fina, um adorador delicado das mulheres, um admirador do seu código de ética - e se não fosse essa insistência delas em casarem no dia seguinte, montar um castelo cheio de crianças no Leblon, eles poderiam ser felizes para quase sempre. Doce bandido. Um doce vampiro como na música da Rita Lee, com a diferença de que, antes de ela dizer o verso "me acostumei com você", ele terá batido asas. Avoará inesperado.
Sem fazer cheque de portas, sem check-out. Era apenas uma reabastecida de sangue, um pit-stop que ele estava dando na jugular, e você, já que os sinais não eram os de praxe, não percebeu.
Muito prazer. O velho cafa em nova roupagem.
Liga no dia seguinte, ouve com paciência os queixumes, repara que ela cortou o cabelo e elogia, elogia muito sem sugerir em nenhum momento que gostaria de fazer a ode a tantos encantos num lugar mais confortável. Quase um gentleman. Ao contrário do antigo, o novo cafa não tem pressa. Cool. Suave. Nada e revólver sempre esfumaçado, de sair atirando em todo coração que se move atrás do decote e mostrar para os amigos as marcas contabilizadas na coronha. Discretíssimo. O novo anti-herói é amável. A princípio ele quer fazer bem, introduzir alguma poesia na noite escura dos desencantos dela. Vinícius, Bandeira e Zéfiro. Mas há sempre as que querem mais versos, tertúlias e a educação pela pedra das considerações cartoriais.
Pena. O novo cafajeste não tem a canastrice do Zé Bonitinho, que virava para a câmera, close em mim, e cantava "If I have a thousand of women". Exibicionismo zero. Presta atenção nas carências femininas do momento, sabe o que está faltando no mercado delas e sutilmente oferece suas prendas. Não promete mais uma rodada de sexo, drogas e rock and roll porque estão todas cansadas dessa dieta. Essas moças já tiveram a coleção completa dos orgasmos anunciados pela revista "Nova", já recriaram pelo avesso todas as posições que a Madonna desenhou nos clipes. Esgotaram a cabala, cancelaram a assinatura do Sexy Hot e foram para a Flip aplaudir Adélia Prado. Sonham com a paz doméstica.
Montar um apartamento. Conversa de travesseiro. O novo cafa sabe disso tudo. De tanto jogar milho aos pombos da Praça de São Marcos, ele percebeu que deve se guiar por um movimento sutil de sedução. Aproximar-se com jeitinho para o bote final e, como o antigo fazia, enchê-la de muita pipoca - mas desta vez sabor mel. Calda de chocolate. Leite Moça. Farelo de suspiro. Muito ronronar de uhhhhhmmmmm.
Ele tem calma. Deixa para amanhã. Vai na contramão do que as mulheres sempre esperam do conquistador barato. Onde elas pensavam garanhão surge com fruta-pão, ou qualquer outra bobagem que as mate de rir. Ele vai dizer que se emocionou com o filme "O amor em cinco tempos", mas se mostra disposto a encontrar um final feliz para essas histórias sempre melancólicas.
Esta semana ele certamente vai citar muitas vezes a canção que Caetano colocou em seu novo CD, feita com delicadeza para lamentar a impossibilidade de seu amor com Paula Lavigne.
O novo cafa diz, sempre baixinho, sempre com a atenção grudada na menina-dos-olhos da atenção dela, que não desistirá. O grande encontro é possível. É a única aposta a se fazer. Love.
Amour. Ele é poliglota. Não arrota. Não vocifera e, ao contrário do de antanho, sabe o que quer dizer um palavrão desses. Lê. Seu mais recente livro de cabeceira é "O animal agonizante", de Philip Roth, cujo personagem central, um sedutor sessentão que desdenha o vínculo afetivo acima de tudo, é quase um inspirador da espécie.
Tem elegância. É capaz de explicar todos os azuis de Matisse, os dourados de Klimt, e quer reverter, com sinceridade, ao preço que acharem justo, esse aprendizado do mundo em honra e culto delas. Velho cafa é outro papo. Nelson Rodrigues descreveu um deles, o de "smoking impecável", que diz ter visto numa festa sendo esculhambado, xingado e humilhado pela mulher.
Quando ela se cansou, o cafajeste deu-lhe uma rutilante bofetada na cara e a sujeita caiu chorando aos pés, apaixonada, enquanto a bofetada ainda ecoava na sala. Não mais. Esses sanguessugas existenciais, canalhas que babam ignorância afetiva, estão sendo cassados pelas CPIs dos novos tempos. Nostalgias da Atlântida, esquete cômico do "Zorra Total". O novo cafa não puxa pelo cabelo, não segura pelo braço e não come com os olhos, essas obviedades passadas.
Galanteia simpático, com a humildade de quem reconhece não ser o seu veredicto final.
Gosta do que vê e se apraz com a felicidade da aproximação. Sexo, definitivamente, parece ser seu último projeto na terra, algo a se tratar depois de percorrido todos os canais de Veneza, devorada meia dúzia de sushis e vistos os filmes dos irmãos Coen. Não espanta a presa, é refém do seu fascínio por ela. Está aqui para vibrar admiração e, como o menino do sinal atirando bolas para o céu, espera resignado qualquer tipo de recompensa. Já viu o teto da Capela Sistina, mas é sincero. Nada se lhe compara em êxtase ao que admira agora por trás do copo deste abr.
Pode ser que logo em seguida, conquistada a presa, ele desapareça. Antes, sem dizer que é adeus, o novo cafa, doce bandido, mandará pelo celular um último torpedo por escrito: "Eu já disse que quero que você seja muito feliz?".
Parece que foi ontem.
Aliás, não parece, foi.
Você sabe como eu lido de um jeito diferente com o tempo.
Foi como sentir o ar se expandindo no calor.
E o quente sabor das suas palavras.
Juro que não entendo. Juro.
Foi o seu sorriso, o seu abraço. Rápidos, estremecendo.
O jeito doce surgindo sob esse véu amargo.
Ainda mexe comigo, mesmo com o outro a seu lado.
Eu sei diferenciar as coisas. A coisa vocês, a coisa sentida.
Coisa é palavra de quem não tem mais palavras, eu sei.
Assim que eu fico, depois de tanto tempo, depois de poucas horas, em cada minuto compartilhando o mesmo metro quadrado.
Eu me esforço, mas ainda te quero simplesmente porque sempre quis.
Juro que não entendo. Juro.
Uma moeda pelos seus pensamentos.
Esse post de dia 29 (nhoque da sorte..) na verdade é um post de dia 28.
Elementar que eu podia facilmente falsificar isso para agradar meu cérebro teimoso, mas é contra a política da empresa. O que importa é que ainda estou vivendo o 28. Meu aniversário de mês. Não só isso. Também risos e fluidos que ficaram lá atrás.
Esse post é sobre minha falta de coragem, minha letargia.
Sobre o começado que nunca acaba, novelo sem fim sem começo sem fio.
Sobre retardar o acontecimento, acontecer sem saborear, sentir o quê?
Nem sei.
Minhas palavras também me cansam. Ô, e como. As suas que não vêm também. E as que finalmente diz, bem, essas são como um cuspe no lago. Faz 3 ondinhas e se dissolve.
Que bosta de metáfora.
Ok. Continuo muito saudosista e melancólica. Não me julguem.
Tá mais que na hora de arquivar uns meses aqui, não?
Tem uma hora que você não precisa mais de luz para andar na sua casa. O escuro é acolhedor, aconchega, os caminhos se abrem.
Você sabe onde está cada móvel. Sabe o sorriso de cada quadro.
Na verdade, os degraus da escada até se movem pra que você não tropece, pois eles reconhecem a altivez do dono. Quem manda.
Procuramos isso, acho. Fora de casa, nos outros, na vida. Um lugar onde se possa andar sem medo de que nos falte o chão, sem receios de o sofá ter mudado de lugar sem que percebessemos. Porque ele sempre muda. Cada dia eu vejo uma disposição diferente. Interna, externa, mudanças. É horrível.
Falta de lar. Esse sim é o pior dos mundos. As coisas simples, o jogo americano, toalha engomada no natal. As fotos ruins de família.
Queria ter mais fotos ruins, tremidas, a luz fraca e amarelada tingindo todos com as cores de casa. Refletindo em cada face as paredes e os sussurros nelas encerrados. Fotos em movimento que não são filmes, risadas que são silêncios tremidos.
Falta de lar. A procura incessante pelos móveis no lugar, o caminho conhecido, o interruptor da cozinha surgindo magicamente sob os dedos.
Clic.
Liga-se a luz.
Ok. Estou muito saudosista e melancólica. Não me julguem.
São tantos momentos lindos que não cabem mais em fotos, não podem se traduzir em palavras. Assim como os piores dias, os melhores se acumulam em gotas de memória que podem aquecer ou congelar o coração com um só suspiro.
De repente, estão se acotovelando por um espaço, uma chance de respirar.
Eu mato todos sufocados.
Queria ter nascido em outro ano, cursado outra faculdade, atravessado a rua, tropeçado em você na praia, olhando o sol se pôr. Quantas coincidências poderiam ter se colocado entre nós além da que nos uniu. Penso nisso com a clareza da noite, como é triste ter você sem nunca ter te encontrado.
Queria ter ido a mais festas, bebido mais, freqüentado seus caminhos tortos, anos antes tão recentes. É o perto-longe da nossa distância que me incomoda, a resignação do imutável. Parece bobagem, mas eu sei que não é para durar.
São as palavras que me voltam aos ouvidos como bumeranges. Ele me disse uma vez, eu ri, eu desacreditei, mas sabia desde então que estava certo. Não pode existir. Há alguma lei do universo contra isso, contra nós, não vejo saída. Só se eu fosse para longe, hoje, não encontrasse você por alguns anos. Daí, talvez, se nada cortasse nossos laços, poderia ser diferente.
Só que isso não vai acontecer.
Vou continuar a te encontrar. Continuar a te sentir comigo. Continuar a te ver partir, continuar a escrever sobre você com meu português ruim, até que o eu-você chegue a um fim.
Até que o hífen vire espaço que vire parágrafo que vire página que vire livro que vire outra história de despedida.
Um tempo que não escrevo aqui. Um tempo que não escrevo em geral, tem me faltado algo, palavras. É algo maior que vontade, tempo, disposição; é a essência de tudo. Tem me faltado a origem, por isso não sei onde chegar.
Também não consigo ler enquanto estou assim, pára tudo. Escuto, em contrapartida, abro os ouvidos para o mundo, recebo mais sons do que deveria, ouço as palavras que não queria e que machucam o meu íntimo. As verdadeiras adagas voadoras são as palavras, mesmo longe delas continuam a me atingir.
Tudo acontece no âmbito do "tarde demais". E foi assim que percebi que não tinha mais importância você, sua vida, sua conversa. Não fiquei feliz, não fiquei triste, não fiquei. Essa é a instância final do tarde demais, quando o que importava simplesmente se vai como uma brisa de verão. Quente, agradável, passageira. Nem isso me fez retomar as palavras, nem o gosto de terra que sua ausência já não me causa.
É tanta coisa.
Tanta coisa que não sinto falta.
Tanta coisa que me falta.
Tanta coisa que nem sei.
No hay olvido.
É engraçado minha ansiedade forçada, criada para preencher o vazio, para divertir meus dias mansos (quase escrevi mancos). Eu não entendo isso, e também não controlo, nem tento, nem quero. Apenas observo o fato, acho engraçado. É quase consciente, são as situações criadas, o caso pensado... não é natural e também não é opcional - algo assim, meio termo inexistente perdido no limbo. Conto as moedas com sabedoria para fazer as divisões certas, ponho as fichas na mesa, giro a roleta...
Ganho ? Perco ?
No máximo tenho adquirido algumas manias. Manienta. Sanguessuga de vícios.
Mas dessa vez queria ganhar. Não por sentimento verdadeiro, mas para saber o gosto. Lembrar como quem não quer nada, sei lá. O tempo vai passando, o bronze ficando velho, as datas vão sendo esquecidas. Às vezes tenho medo de esquecer o pouco que me resta, sou um caso raro de Alzheimer voluntário na juventude. Queria que tudo tivesse sido diferente, mesmo que o preço final fosse eu ser diferente do que sou hoje, algo que particularmente não gostaria. Ainda assim pagaria para viver de novo de outra maneira, para ter memórias, para não adoecer saudável.
Não gosto de jogos de azar.
Adoro julho. Adoro frio. Adoro inverno. Adoro ausência. Adoro.
Estou feliz. Pode não parecer pela falta de conjunções. Pelos períodos curtos.
Mas estou, e com sorte.
Medo de que acabe...
Estou a um minuto de saber, esse é um post em tempo real.
Tempo prolongado pela discagem,
pela janela do bloco de notas,
pelo meu medo.
Medo não, pavor.
Respiro.
Mais uma piada. Mais uma.
Não sei quanto mais eu agüento.
Navego através do tempo, das páginas viradas. Respirações. Sussuros de nada ao pé do ouvido.
Tantas garras, agarradas. Desespero no olhar, no prazer dor intensos.
Às vezes penso que me faltam vírgulas, mas não falta nada.
Eu me preparo a cada dia para o que está por vir, o não-saber que nasce do meu desinteresse. Alguém me liga, sei quem não me liga, ligo para todos sem ligar. Minha doçura ao telefone, memórias, memórias, passados risonhos e rosados. Linha de sonho fulgurante. Brilho no olhar.
Mensagens que vêm e vão, voam, passarinhando pelo olhar refletido na tela.
Uma formiga.
As teclas vão carregando as palavras ainda não ditas e que sei ficarão apenas na ponta dos dedos, querendo saltar ao mundo, viver. Mãe que é mãe não deixa filho abandonar a casa, põe debaixo do braço-asa.
Um frio. Frio do medo à espreita e das crases querendo fugir.
E essa dor infindável que nunca acaba; espiral de dor, que se alimenta, cresce, expande. Esse realmente é um post vivo, vale pelo mês, foi se ampliando com tudo que recebeu do meio. A verdadeira emoção dos altos baixos tristes belezas. Não consigo mais sentir, anestesiada, meio morta, displicente. Deixa o fogo, deixa a labareda, sobra a cinza. Cinzas de mim, cinzas de passado, voando, caindo sobre mim como chamas ainda vivas. Que dor. Não posso escrever o quando cada minuto arranca uma parte de mim, o quando de gritos ainda restam por ouvir. O quanto, quando, quando? Não há mais explicações, ou perguntas a fazer. A fuga sempre. A fuga dos acorrentados que não fogem. É tudo sobre ela afinal, nao é? Sobre a partida que está sempre no horizonte, sobre a cura que nunca deveria ter chego.
Adeus, adiando, adeus. Parece loucura. Ou é.
Richard's World cup (got it?)
1 copo de suco de abacaxi
1 dose de vodka Absolut de vanilla
Creme de menta para enfeitar
Misture num shaker o suco e a vodka com bastante gelo, sirva num copo e adicione um pouco de creme de menta para ficar verde e amarelo.
Copa também é gastronomia...
Depois de tanto tempo só tenho a dizer que está tudo estável, calmo e sorridente. Não há explosão, gritos, sustos, nada.
Era o que eu queria? Não era? Sei lá. Só sei que é assim que está sendo.
Ainda me preocupo, contudo. Decisões que sempre são adiadas, perguntas que não são feitas. É tudo muito chato.
Vou fugir pro Chile.
Perder-me em mim mesma é o meu hábito favorito. Encontrar meus pesadelos no parque, saímos para passear de mãos dadas. Temos uma conversa franca sobre meu orgulho imaculado, intocado por tantas tempestades e que só eu mesma consigo desbancar e pisotear como alguém que busca sempre pelas algemas na cabeceira da cama. Trocamos olhares de desgosto ao tomar um cálice de nada. Palavras são o que me restam, para que eu possa usá-las sempre da pior maneira possível, seja instantânea ou retardadamente. Que posso fazer contra mim? Embaixo da cama ainda estão os grandes olhos de coruja em filme de terror, fitando o meu desprezo, desleixo em existir.
Toca-se a vida para que ela não te toque.
Não se escreve na dor, escreve-se para manter distância dela.
Carpinejar
E como dói sua insistência em manter-se presente, sua voz do outro lado distante do telefone, sua obrigação do conviver sem viver.
E como dói sua partida fria, sua ausência forçada que trespassa todos os níveis da minha vontade, seu desejo que arde sob a pele.
E como dói... mas me faltam sentimentos para cuspir tantos falsos verbetes de dicionário.
A mim resta a certeza de que o meu desejo sempre foi verdadeiro.
Ps. A cada dia descubro que as pessoas desistem mais e mais de seus sonhos por medo da solidão.
Nessa busca de por onde começar a escrever sobre tantas coisas que não têm cara de palavras, comecei a perceber com olhos argutos de águia o teor deste mês que passou. Muito escrevi nesse Abril (despedaçado.fragmentado.inacabado) que me parece ter passado um ano inteiro, meses e meses de vida acumulada em potes de geléia. Nem lembrava mais datas, tive que buscá-las na tabelinha, tão longínquo me parecia certo acontecimento! E o outro que o precedeu então, podia muito bem ter ocorrido em outra vida que não esta minha, nem lembrava mesmo, a fatura só vem em maio, afinal, o que me faz recordar do número 3, tão insignificante parece agora.
Acho que vivi muito intensamente em Abril, e cada dia se desdobrou em infinito tempo que não consigo contar. Abri muitas portas em abril, e também entre muitos gritos as fingi fechar. Deve ser por isso que ainda acreditava estar no meio do mês!
Fui muito ridícula em Abril, se fui, mas sinceramente acho que me dando essa liberdade do não-pensar consegui alcançar outros patamares na longa escadaria que nos leva ao prazer, tocando levemente a brisa vinda do mar. Desci, subi, cantei, escrevi: não há o que deixei de fazer em Abril - vivi.
Claro que nessa ânsia de não evitar nada, sofri, mas esse também foi mais um dos sentimentos embalados pelo Abril abundante e túrgido. Hoje, vejo que não se destacou dos outros, apenas integrou-se totalmente nesta festa de que lhes falo agora. E o dia do aniversário é só amanhã. Muito fui atormentada pelos conflitos, mas também hoje, com olhos bem abertos, vejo que eu que os criei - assim, displicentemente, deliberadamente.
Tudo saiu mesmo da minha mente.
Achei engraçado refletir, nesse fim de mês, sobre meu caldeirão de bruxa, mais fervente e borbulhante que nunca hahaha. É o que eu gosto afinal, não? Não há como esconder que eu que coloco os ingredientes certos para causar toda essa ebulição incontrolável, toda essa mistura volátil de forças opostas. Sim, sim, mea culpa. O dia que essa mistura ficar pronta e sair da panela não vai sobrar pedra sobre pedra. E eu, claro, vou estar no olho do furacão.
Quer saber, que se dane.
Entretanto, nada disso espanta a força daqueles versos...
Como ao baralho o jogador
Como à carniça o parasita
Como à garrafa o bebedor
Maldito sejas, maldito!
Nada pode ser dito além desses versos tão sinceros.
O que eu não daria para meus olhos não precisarem mais perseguir seus passos sempre passando por mim. O que eu não daria para não ouvir sua voz falando a outros ouvidos que não o meu. Poderia também esquecer sua pele, seus movimentos ritmados que se repetem involuntariamente no lugar onde reside minha memória. A sensação de minha boca sugar cada perfume seu como algo vital, as tulipas brotando ao meu redor, borbulhando néctar em seus cálices de calor pungente. Ainda lembro de suas mãos banhadas por esse mel opiáceo quando brincávamos em nosso jardim edílico. Tudo isso, quisera eu ser apenas uma nuvem de fumaça que se dissipa, o orvalho da manhã que se vai com o sol. O que eu não faria para voltar àquele dia, nosso baile à fantasia particular: você - palhaço, eu - colombina. Queria o ver novamente com o nariz vermelho de plástico. Engraçado: onde foi que o deixou? Procuro incansavelmente por essa resposta, mais que a todas as outras que nunca me deu. Lembro apenas que era o palhaço mais bonito, a fantasia mais perfeita. Maquiagem daqueles tempos efêmeros ainda escorre pela minha face. Onde está seu nariz? Penso agora que talvez fizesse diferente, mas sei que tudo igual. Quero apenas roubar seus gestos para mim, apropriar-me da sua essência que nunca vi. O que eu não daria para o conhecer, para olhar dentro de você como se fosse a primeira vez. Ainda que fosse a última.
Tivemos azar, acho. Combina com você isso, combina tanto com você, comigo, conosco. É a dor incalculada desse azar que mais me maltrata (mais que suas mãos morbidamente frias). Ele me tira totalmente o controle, lânguido, olhos e auréolas violeta de quem jamais dorme. Ainda está me vigiando, e por isso que faço tantas coisas que, sem querer, apunhalam a mim mesma (não ouso falar de você, desconheço-o). O que não daria para ter você como nunca tive, como sempre quis, despido de tudo que nos separa. Queria suas respostas acumuladas às minhas perguntas sem sentido.
Tudo o que faço é para você, mesmo se eu fingir não ser. Meu prazer me mata, o seu prazer me mata: por isso que sempre fecho os olhos. O que eu não daria para que usasse mais uma vez o nariz.
Aquele, vermelho.
Patchwork
Nada me coloca mais contra a parede que o êxito e sua inigualável sensação de sucesso, sempre tão opressora. Não sou e nem quero me acostumar com a calmaria da felicidade, o conforto do seguro, o sol nascente em raios alaranjados. Um dia fui feliz assim, com o calor e a vivacidade, mas hoje me sinto tão diferente, despreparada para tais sentimentos. Fico então resgatando a melancolia dos pequenos momentos, as verdades que estão entrelaçadas nessa falsa placidez que quase me convence. Perco-me com facilidade na claridade, pois há tanto tempo ando no escuro.
Estou afundando nessa areia movediça sem nada a que me segurar, e as vozes que sussurravam ao meu ouvido nada mais são que longínquos murmúrios de nada.
Agora também acabei de perceber o quanto eu demoro para deglutir os dias que se passam, e é por isso que tudo o que eu estou escrevendo agora mais me parece um vômito forçado a uma reflexão. Estou precisando dizer algo, mas não faço idéia do que dizer ainda. Certeza que daqui umas duas semanas tudo ficará claro (ou não) na minha mente oca. É o que espero afinal.
O fato é que nada que eu faça consegue vencer os pensamentos naquele que suavemente me domina. Finjo me afastar, mas quando olho um segundo ao redor vejo o quanto estou mais atada a esses pensamentos que sugam minha fria existência.
Não sei mais o que fazer para tentar sair desse pântano de lembranças, fugindo para cada vez mais perto desses tentáculos dos quais não consigo me desvencilhar. Já perdoei, mas talvez nunca consiga superar.
Talvez realmente existam coisas que sempre me perseguirão, não importa onde eu vá.
Não importa o quão alto eu grite.
Nem importa que eu me afogue nessas lágrimas que não consigo esquecer.
O que foi aquela fração de olhar que tirou o balanço do meu dia? Mal poderia dizer a cor dos seus olhos se não os conhecesse bem, infímo foi o segundo que nos encontramos. Depois disso, a distância e frio costumazes, ao qual não me acostumo nem no reino do pensar.
Será que posso me conter por toda a eternidade enquanto ela dure? Sinto o meu espírito falhar a cada encontro, uma falta de tudo e sobra de nada, a loucura repetida que grita 'encore'.
Tão triste é a tortura que me une a essas sensações sublimes que quase não posso agüentar mais um dia para sofrer com mais detalhes banhados de efervescência transitória.
Quanto ar é preciso para me sufocar?
A cada número que muda no visor do relógio, algo estremece dentro de mim, o amargo da ansiedade me sobe à boca, as lágrimas acotovelam-se nos cantos dos olhos. Mil coisas passam por dentro da minha mente, mil explicações para cada chamada não atendida, mil tormentos de felicidade e pavor. Penso nos versos inacabados, nos contos não terminados, nos desenhos à lápis, em todas as coisas - e são tantas - que vão se acumulando na seção de "não finalizados" da minha vida. Não queria mais uma. Não preciso de mais uma.
Tantas são as incertezas do meu sobreviver que não sei mais para onde olhar, aonde ir... talvez a imobilidade e a prostração perante o amanhã sejam o destino pelo qual devo esperar, pelo qual não preciso lutar.
Tento continuar, mas não consigo, tamanho é o poder do jugo que me foi imposto.
Quanto ar é preciso para me sufocar?