Das coisas que aprendi:
- Não se esforce muito
- Aguarde
- Não reclame
Resultado: uma vida com menos gente falsa
Hoje vivo isso na plenitude e, ao menos nesse aspecto, não poderia estar mais feliz
Se aprendi algo no último ano, foi a nunca, jamais, confiar. Nunca acreditar nas palavras, nas promessas, na esperança de que alguém de fato se importa.
De verdade: todos estão cagando.
Quando mais precisar, você estará sozinho, e todas as máscaras simplesmente caem, sem vergonha, sem dúvida, sem reflexão. Pois não é por maldade, e sim porque somos assim, humanos, falsos e traiçoeiros.
Então que estou oficialmente de férias. Pela primeira vez em, sei lá, umas 4 ou 5 férias não vou viajar nem tenho nenhum plano concreto que ultrapasse os 50km ou 200 reais. A idéia era e continua sendo tirar um tempo para pensar, organizar a casa, tentar organizar as finanças e resolver todos aqueles problemas e pesares que eu tenho enrolado nos últimos bons meses. Pra não dizer mais de ano.
Essa é a questão maior do lance de férias sem viagem (e portanto sem fuga da realidade): parar de barrigar deciões e atitudes que a preguiça ou o excesso de coisa mais legal pra fazer me faz pensar "ah, depois eu vejo isso".
Bem, o depois é agora. Principalmente depois das recentes conversas que tive e do vislumbre de um futuro muito negro para os encalhados na vida como eu.
ps.: mas que saudade eu estou de um aeroporto...
Sobre sonhos e idade
Quando jovens - e sim, eu ainda apesar dos cabelos brancos estou com um pé lá - cultivamos diversos sonhos, que nada mais são que nossas aspirações e desejos para o resto de nossas vidas. Ainda que pequenos, frágeis ou simples, são motorzinhos que não nos deixam perder a esperança e lutar contra as desventuras na espera de um dia provar desse cálice doce dos sonhos realizados.
Só que com o peso do dia-a-dia, da realidade, das contas a pagar e o pouco dinheiro a receber no fim do mês, esses lindos devaneios de uma vida mais florida vão se tornando mais e mais longínquos. Sinceramente, acho que para todos chega aquela parte da vida em que "caímos na real" da nossa falta de talento, vontade, garra, empreendedorismo ou qualquer outra dessas coisas bonitas que gostam de ler nos currículos. Nesse momento, encaixotamos nossos sonhos e guiamos a vida pela luz guia das realizações práticas da rotina.
É basicamente aí que as coisas que pareciam uma prostituição na juventude sonhadora se tornam nada além de meios eficazes de sobrevivência. É quando você decide que não, não vai ser aquele destaque que um dia sonhou mas que ao menos vai ter uma vida mínimamente confortável e encontrar a felicidade ao assistir a novela na sua TV de LED. Ou jogar o videogame de última geração para esquecer o dia massacrante dos sem-sonho, mas que no fim é menos triste que o nunca-alcançar dos sonhadores.
Digo que o respiro final da juventude é quando nosso romantismo em relação a vida dá o último suspiro.
Se pudesse, escolheria a eutanásia.
lições difíceis da vida:
1) desenvolver a habilidade de confiar, sabendo que é só a partir disso que se pode criar verdadeiros laços de amizade e amor
2) entender que é necessário mais que pequenos ataques ao ego para se quebrar a confiança. mais: proteger esse sentimento apesar dos erros - todo mundo erra e errar não é errado
3) saber também diferenciar o item acima de uma posição condescendente demais; ignorar os fatos não é confiar ou gostar de alguém, é apenas fechar os olhos para se manter no status quo. "A misericórdia também corrompe"
4) que amor e sexo nada: o difícil é diferenciar e aceitar que afinidade e afeto são coisas distintas e que não necessariamente andam juntas.
encontrei o meu sentir.
é ameaçador demais aqueles que fazem pensar. o governo cala, a sociedade reprime, as pessoas afastam.
é como estar em uma sala com um cachorro grande e bravo. o medo cega e emburrece as atitudes. quando estive numa situação assim, com a leveza de uma criança eu me aproximei de coração aberto e o cachorro se tornou meu melhor amigo.
assim é com aqueles que fazem pensar, o único jeito de se tornar amigo é com o coração aberto e despido do pavor burro.
só deve temer aqueles que se beneficiam da ignorância.
PICARETAS: um guia rápido
Eu fico abismada com o nível de picaretagem que existe por aí. Já nem surpreende mais achar um membro desse grupo tão vasto bem ali, ao seu lado. Nesse "mundinho web" então, onde falar grego e fingir que sabe não machuca ninguém (ao contrário de abrir a barriga de fulano e esquecer uma tesoura dentro), a proliferação é mais rápida que de gremilins.
Experts de Photoshop, por exemplo, o mundo está cheio. Pergunte a um deles como usar o gray point do diálogo de Curvas. De 1 em 100 vai saber mais ou menos a resposta. E olhe que PS já é algo difundido, pelo menos alguma vez na vida quem tem um computador já viu o programa: nem que seja pra tratar a foténha pra colocar no orkut.
Agora, quando você começa a caminhar em direção do novo, do desconhecido, as coisas ficam ainda piores. No afã de querer ser "pioneiro", "inovador", "destaque", os picaretas se metem em novas tecnologias e, em menos de 10 minutos já têm pelo menos um blog postando notícias sobre o assunto. Coladas, claro, de outros blogs, sem o menor pudor. Ou então, para não ser um mero copy-cat, escreve qualquer merd*. Isso, qualquer merd*, quando escrita por um picareta tabajara professional, parece a opinião do especialista jogando milho bondosamente aos leigos.
Meio triste quando além dos leigos, pessoas "sérias" também começam a cair no conto do vigário. Sim, porque nossos amiguinhos da picaretagem tem lábia, e com essa lábia - por vezes bizarra - entram no mundo das pessoas de bem, interferem no conhecimento REAL de quem quer saber de verdade (e não fingir que sabe), forçam o ambiente ao seu redor a falar bobagens e mentiras para encobertá-los (às vezes é necessário, apesar de disgusting) - ENFIM, UMA PRAGA.
E nisso, nós, entusiastas e estudiosos de verdade comemos o pão que o diabo amassou e trabalhamos as 6 horas da manhã do domingo para pagar o leite das crianças.
Se alguém deseja saber como foi o show do RBD pra mim, olhe aqui: http://www.lastfm.com.br/user/yuumura/journal/2008/05/12/722740/
Resto das pessoas que ainda não mudou de página, o post é sobre diversões sociais que ficam megalomaníacas.
Citando exemplo, AnimeFriends.
Fato que meu amigo me chegou hoje por messenger trazendo a notícia do semestre: AnimeFriends vai ter 8 dias. Isso mesmo, OITO, caro amigo. Um batalhão de cantores nipônicos se apresentará nesses
Verdade sim, eu participo de eventos de anime há anos e anos, e gosto muito, mas como disse em resposta a esse amigo, estão me enchendo o saco com essa história de crescimento exuberante 50 anos em 5. É uma multidão, uma falta de organização sem tamanho, uma aglomeração de mau gosto e falta de noção ao extremo e uma proliferação de comércio de coisas piratas.
Chamo de grande bosta.
Sim, porque afinal, o lance bacaaaaana dos eventos de anime da minha áurea juventude era encontrar os amigos, assistir animes novos nas salas de exibição, comprar itens raros e ORIGINAIS importados do Japão para aqueles raros eventos, comer crepes e frutas no chocolate, assistir o campeonato cosplay que valia um gameboy e não uma fucking viagem pro japão e depois o "grande final" com o show de uma banda cover que tocava mal, mas honestamente, todas as músicas que a gente amava.
Isso tudo, toda essa sensação de família, amizade e felicidade foi substituído por um sonho megalomaníaco de vender mais (coisas ruins) e fazer mais (shows sem estrutura) para mais (pessoas que não sabem bulhas de anime e manga alem de naruto).
Estou bodeada com a idéia. Isso porque, como também conversei com ele, não sou fã de aglomeração e pisoteamento. Não gosto. Não ia em shows porque não curtia essa idéia do calor das massas e só comecei a freqüentar coisas como "Shakira turnê 1997" porque você começa a sentir uma pressão social por nunca ter ido num show e todo jovem tenta se enquadrar no sistema uma hora ou outra.
Mas ainda fujo de estádio, show aberto em praia, virada cultural, rock in rio e tudo o que envolve um (ou mais) dos tres fatores: 1) aglomeração; 2) pisoteamento; 3) diversão gratuita
O que eu gosto mesmo é de um bom ambiente pequeno, apresentações privê, menos de 300 pessoas, lugares caros que ninguem paga (e ficam vazios) e todas essas outras coisas que fazem de mim uma patricinha chata pessoa contida e discreta.
Porque a minha pequena irlandesa me fez ficar acordada até 2:30 da manhã
Coisa do destino. Trabalhar loucamente até tarde, perder minha aula de dança, saber que tenho que acordar cedíssimo pra ir trabalhar. Parecia o inferno. Mas até que eu não estava muito entediada, como se pressentisse uma coisa boa. Cheguei em casa tarde, pra variar, e estava sem sono. Aliado a eu nao querer perder a hora no dia seguinte, entrei no pc para passar o tempo... talvez uma "virada cultural" ? rsrs
E eis que chega a notícia. E a irlandesa no meu coração sorri.
O'Malleys abriu de novo !!!!!!!!!!!!
Vamos bebemorar ? Me encontrem lá terça e sexta a partir das 18h.
Grata,
ps.: leiam o post no blog do O'Malleys - GENIAL. http://blog.omalleysbar.net/
uma provinha: "194 days on and we will reopen not one decibel quieter, not one germ cleaner and not one brick safer."
Porque o O'Malleys faz falta
um post de ontem anteontem
Lá era um local de amigos. Amigos que se conhecem, amigos também desconhecidos: gente por conhecer. Lugar de bebida e leitura de jornal, jogo na TV. Era onde você podia ir sozinho, acompanhado, sem uma perna ou braço: receptivo. Onde olhos viam seus semelhantes, todos em busca de uma conversa ou um silêncio; uma fuga. Lugar para rir, mentir, desvendar um ao outro.
Por vezes, o O'Malleys era quieto até na bagunça. Tão calmo como um quarto com um travesseiro confidente. Nunca julgava. Dava pra fugir da esposa, arrumar um amante e beber até morrer - mas com classe.
haha, achei extra-fun
10 dicas para um namoro puro
1. Os valores, princípios e limites físicos do namoro devem seguir os valores e princípios cristãos
2. Jesus é o centro do relacionamento
3. Encontre-se com seu(sua) namorado(a) em locais que vocês tenham certeza que lhes dêem condições de conseguiram resistir aos impulsos sexuais
4. Quando a situação estiver difícil de resistir, evite saírem sozinhos, convide bons amigos para saírem juntos
5. Tenham um casal experiente como mentores
6. Não se coloque gratuitamente em situações mais tentadoras, não procure “testar” sua resistência
7. Procure estabelecer um bom relacionamento, respeitoso e amigável, com os pais do(a) seu(sua) namorado(a)
8. Evite roupas insinuantes que deixem o(a) seu(sua) namorado(a) ainda mais tentado(a) ou excitado(a), definitivamente ninguém é de ferro e uma ajuda extra sempre é bom
9. Nunca comprometa a promessa de conduta firmada, sempre tendo em mente os princípios cristãos para condução de seu relacionamento
10. Separe momentos para orarem e estudarem a bíblia juntos.
pode??? me diz, pode?????????
hahaha... cada uma...
Dever cívico cumprido, não anulei nenhum voto e sequer apostei na legenda. Certo, errado, bem escolhido, mal esconhido, corruptos, honestos, pouco importa - ao menos fiz uma escolha. Digo e repito que democracia de cú é rola e que voto deve ser facultativo, mas enquanto não é, estamos aí: pegando a fila de 40 minutos e achando rápida.
Eleição essa que estava no maior clima "já ganhou" pra todo mundo, agora aponta uns indícios de que pelo menos a madrugada vigente vai ser divertida, acompanhando o boca-de-urna e o oba-oba da apuração. Na minha seção o pessoal estava marcando de se ver mês que vem já... parece (ao menos aqui em sampa) que essa "viradinha" não é só golpe de mídia para o povo não perder o pique de acompanhar os resultados na TV hoje a noite.
Por enquanto, esperamos e damos um basta nesse pesqüê de eleição.
*
Queria master ir no show do RBD no Rio, mas o pessoal do meu círculo de amizades ou é preconceituoso ou é fresquinho demais para esquemas "notionless adventure". Fazer o quê. Acho que vou ter é que comprar o DVD e ver em casa... triste.
*
De resto, a bexiga continua murchando.
Em clima de contagem regressiva:
- 06 dias para o Anathema
- 27 dias para eu perder meu plano de saúde
E nada de check-up que minha saúde é (infelizmente) de ferro.
Estava pulando na net quando caí numa matéria sobre o novo cafa. Uma bela descrição desse novo tipo que apareceu nas nossas praças, como quem não quer nada, e está ganhando espaço.
Transcrevi a matéria logo abaixo, um trabalho árduo feito duas vezes (porque na primeira a luz piscou e eu perdi tudo), graças ao jornal "O Globo", pois com seu comportamento anti-social apavorado com "direitos de propriedade", não permite um simples copiar e colar. Blog it? Trackback? Bobagens.
Antes do texto, contudo, minha sublime e bem pior escrita opinião sobre o fenômeno.
Começo já por admitir que a maior culpa nisso é das próprias mulheres. Aprisionadas nos seus sonhos burgueses, coladas nas páginas dos romances baratos de banca, acabam por incentivar essas metamorfoses de comportamento nos queridos companheiros do sexo oposto. Ora, nossos velhos, old-fashioned cafas, se vendo cada vez com mais dificuldade de atingir seus objetivos com suas técnicas velhacas, não se vêem com outra alternativa a não ser mudar a roupagem. Surge então esse cafa 2.0, fruto caramelizado e endurecido do moralismo e síndrome retrógrada da sociedade do século 21.
A vanguarda da sinceridade e do realismo está morta, ou definhando. Esses fenômenos de me-engana-que-eu-gosto não só me dão medo, mas como me enojam. Onde está o olho-no-olho, as palavras que não são só promessas vazias de pessoas que não existem? Essa projeção de utopias de um lado para o outro (ambas as direções, devo afirmar) nos leva cada vez mais para os relacionamentos fugazes, que começam no nada e acabam sem nem levar o e-mail. Não há relação, não há sentimento - e aqui não falo do romance romântico, mas simplesmente de interações normais entre as pessoas: o diálogo chega ao fim abrupto assim que o beijo se torna passado.
Às vezes, me pergunto qual o problema em realmente ser natural e dizer a que veio. Há muitos objetivos, cada um tem os seus. Se todos simplesmente pararem de camuflar suas verdade sob finas camadas de pó de arroz, certamente os pares se encontrariam com mais facilidade. Sem o joguinho idiota de tatear no escuro, provar da dúvida; frustrar-se é quase um novo esporte: depois de cada partida saímos com os amigos para comentar animadamente os lances emocionantes do jogo. Virou piada mesmo!
Que horror isso. Prefiro a filosofia idade da pedra, quando as linhas guia eram mais naturais e harmoniosas. Os velhos cafas tinham uma sinceridade disfarçada, enquanto os novos têm uma falsidade admitida. Ou seja, retrocedemos cada vez mais, nadando nesse lodo antiquado das convenções preestabelecidas.
Divirtam-se com o texto, de Joaquim Ferreira dos Santos, página 10 do "Segundo Caderno", jornal "O Globo".
O novo cafa
Ele não espanta a presa, é refém do seu fascínio por ela.
Cuidem-se meninas, eis que chegou o novo cafajeste. Não mais um sujeito com os pêlos do peito suspirando safarnagens ao vento ateu e ao badalo dos cordões de ouro. Não mais um casca grossa de chanchada murmurando toucinhos de admiração fingida para dentro da panela auricular da moça. Necas de Jece Valadão. Pitibiribas de José Mayer. O novo cafa viajou. Aggiornou o Zé Trindade que carregava em si e adentrou em cena com o velho apetite - elas, elas - mas com jeitão irreconhecível. Deixou o tacape na caverna e vai na contramão da garotada pitbull. Nada de puxar a presa pelo cabelo na boate. É quase um gente fina, um adorador delicado das mulheres, um admirador do seu código de ética - e se não fosse essa insistência delas em casarem no dia seguinte, montar um castelo cheio de crianças no Leblon, eles poderiam ser felizes para quase sempre. Doce bandido. Um doce vampiro como na música da Rita Lee, com a diferença de que, antes de ela dizer o verso "me acostumei com você", ele terá batido asas. Avoará inesperado.
Sem fazer cheque de portas, sem check-out. Era apenas uma reabastecida de sangue, um pit-stop que ele estava dando na jugular, e você, já que os sinais não eram os de praxe, não percebeu.
Muito prazer. O velho cafa em nova roupagem.
Liga no dia seguinte, ouve com paciência os queixumes, repara que ela cortou o cabelo e elogia, elogia muito sem sugerir em nenhum momento que gostaria de fazer a ode a tantos encantos num lugar mais confortável. Quase um gentleman. Ao contrário do antigo, o novo cafa não tem pressa. Cool. Suave. Nada e revólver sempre esfumaçado, de sair atirando em todo coração que se move atrás do decote e mostrar para os amigos as marcas contabilizadas na coronha. Discretíssimo. O novo anti-herói é amável. A princípio ele quer fazer bem, introduzir alguma poesia na noite escura dos desencantos dela. Vinícius, Bandeira e Zéfiro. Mas há sempre as que querem mais versos, tertúlias e a educação pela pedra das considerações cartoriais.
Pena. O novo cafajeste não tem a canastrice do Zé Bonitinho, que virava para a câmera, close em mim, e cantava "If I have a thousand of women". Exibicionismo zero. Presta atenção nas carências femininas do momento, sabe o que está faltando no mercado delas e sutilmente oferece suas prendas. Não promete mais uma rodada de sexo, drogas e rock and roll porque estão todas cansadas dessa dieta. Essas moças já tiveram a coleção completa dos orgasmos anunciados pela revista "Nova", já recriaram pelo avesso todas as posições que a Madonna desenhou nos clipes. Esgotaram a cabala, cancelaram a assinatura do Sexy Hot e foram para a Flip aplaudir Adélia Prado. Sonham com a paz doméstica.
Montar um apartamento. Conversa de travesseiro. O novo cafa sabe disso tudo. De tanto jogar milho aos pombos da Praça de São Marcos, ele percebeu que deve se guiar por um movimento sutil de sedução. Aproximar-se com jeitinho para o bote final e, como o antigo fazia, enchê-la de muita pipoca - mas desta vez sabor mel. Calda de chocolate. Leite Moça. Farelo de suspiro. Muito ronronar de uhhhhhmmmmm.
Ele tem calma. Deixa para amanhã. Vai na contramão do que as mulheres sempre esperam do conquistador barato. Onde elas pensavam garanhão surge com fruta-pão, ou qualquer outra bobagem que as mate de rir. Ele vai dizer que se emocionou com o filme "O amor em cinco tempos", mas se mostra disposto a encontrar um final feliz para essas histórias sempre melancólicas.
Esta semana ele certamente vai citar muitas vezes a canção que Caetano colocou em seu novo CD, feita com delicadeza para lamentar a impossibilidade de seu amor com Paula Lavigne.
O novo cafa diz, sempre baixinho, sempre com a atenção grudada na menina-dos-olhos da atenção dela, que não desistirá. O grande encontro é possível. É a única aposta a se fazer. Love.
Amour. Ele é poliglota. Não arrota. Não vocifera e, ao contrário do de antanho, sabe o que quer dizer um palavrão desses. Lê. Seu mais recente livro de cabeceira é "O animal agonizante", de Philip Roth, cujo personagem central, um sedutor sessentão que desdenha o vínculo afetivo acima de tudo, é quase um inspirador da espécie.
Tem elegância. É capaz de explicar todos os azuis de Matisse, os dourados de Klimt, e quer reverter, com sinceridade, ao preço que acharem justo, esse aprendizado do mundo em honra e culto delas. Velho cafa é outro papo. Nelson Rodrigues descreveu um deles, o de "smoking impecável", que diz ter visto numa festa sendo esculhambado, xingado e humilhado pela mulher.
Quando ela se cansou, o cafajeste deu-lhe uma rutilante bofetada na cara e a sujeita caiu chorando aos pés, apaixonada, enquanto a bofetada ainda ecoava na sala. Não mais. Esses sanguessugas existenciais, canalhas que babam ignorância afetiva, estão sendo cassados pelas CPIs dos novos tempos. Nostalgias da Atlântida, esquete cômico do "Zorra Total". O novo cafa não puxa pelo cabelo, não segura pelo braço e não come com os olhos, essas obviedades passadas.
Galanteia simpático, com a humildade de quem reconhece não ser o seu veredicto final.
Gosta do que vê e se apraz com a felicidade da aproximação. Sexo, definitivamente, parece ser seu último projeto na terra, algo a se tratar depois de percorrido todos os canais de Veneza, devorada meia dúzia de sushis e vistos os filmes dos irmãos Coen. Não espanta a presa, é refém do seu fascínio por ela. Está aqui para vibrar admiração e, como o menino do sinal atirando bolas para o céu, espera resignado qualquer tipo de recompensa. Já viu o teto da Capela Sistina, mas é sincero. Nada se lhe compara em êxtase ao que admira agora por trás do copo deste abr.
Pode ser que logo em seguida, conquistada a presa, ele desapareça. Antes, sem dizer que é adeus, o novo cafa, doce bandido, mandará pelo celular um último torpedo por escrito: "Eu já disse que quero que você seja muito feliz?".
Essa semana eu vi uma cena ótima na minisérie "Um só coração", daquelas que você fica pensando um tempão depois. No meio de toda aquela baboseira de "menina-rica-gosta-do-garoto-pobre-e-a-família-é-contra", a mulher interpretada pela Lu Grinaldi (acho que é assim que escreve), estava aconselhando a filha a não se casar por amor, porque a pobreza, a miséria, é muito dura, mais dura que um casamento sem amor. Enquanto isso, a Yolanda (Ana Paula Arósio), que é a garota-podre-de-rica da novela, brigava com a mãe porque ela queria ficar com o "grande amor pobre da vida dela". Ficou bem chocante o contraste dessas duas visões, de quem tem tudo e de quem não tem nada, porque eles passaram uma cena logo após a outra. Acho que isso exemplifica e comprova bem a minha tese de que quem continua a acreditar na máxima "dinheiro não traz felicidade" são aqueles que nunca realmente precisaram de dinheiro, sempre tiveram não necessáriamente tudo, mas tudo que suas mentes (menos ou mais limitadas) conseguiam sonhar.Enquanto isso, todas as outras novelas continuam a me irritar profundamente. Ora é aquela Nice acreditando em todas as "viagens" da megera da Paula (Anjo Mau), ora é o Marcos enganando a Laura (Celebridade). Onde é que já se viu o par sempre-fiel de vilões ficarem se enganando? E a união sagrada da ala má das novelas?! Não tem nada a ver a vilã-superesperta ficar sendo passada pra trás. A cada dia me decepciono mais com os roteiros da TV.