Nesse turbilhão de emoções algumas pessoas vão ficando desgovernadas. E assim, errantes, acabam por baterem sua vida na vida dos outros. Acidentes tristes, difíceis, que ferem mais do que quem está de fora pode imaginar. Algumas trombam sem querer, outras cometem reais atentados, mas em comum todas estragam dias inteiros que estavam apenas tentando acabar em paz.





O tempo passa rápido. E então vejo que ninguém ganha ou perde, apenas mudamos de posições, trocamos os caminhos, invertemos os papéis. Sempre fica uma angústia guardada do que podia ser diferente, claro. Sempre fica uma dor latente das amizades perdidas e dos amores incompletos, mas o que podemos fazer depois que tudo se torna passado?

A própria vontade do não-gostar acaba ficando pequena e simples. Não vale a pena. Não vale a pena pensar. Penar. Por mais que exista ainda um certo rancor, ou uma certa mágoa - uma certa falta de vontade - nada vale mais a pena, pois os desafios são outros e as questões do presente ainda mais doloridas.

Estou à disposição do destino.



Não existe nenhuma foto. Nenhum registro, nenhuma comemoração. Não houve uma celebração e tampouco eu pedi, pois nada eu peço. Segundo minha própria lógica é como se não houvesse existido, um esforço sem valor, um amor não correspondido e para sempre enterrado.
Me esforço para ignorar e relevar esses rancores, mas a sensação de que todas as minhas chances passaram é deveras triste.

E isso nem vou considerar as mentiras que tenho tive que engolir.


Working alone is a temptation for many desperate software developers who feel trapped, surrounded by incompetence and mismanagement in the desert of the real. Working alone means complete control over a software project, wielding ultimate power over every decision. But working on a software project all by yourself, instead of being empowering, is paradoxically debilitating. It's a shifting mirage that offers the tantalizing promise of relief, while somehow leaving you thirstier and weaker than you started.


As pessoas me ajudavam a respirar por aqui. Com suas piadas, momentos tolos, parceria. No fim, sempre busquei por algo que nunca pude ter e, talvez por isso, eu me esforce tanto em dar. Acredito, infelizmente, que o meu máximo não seja o que há de melhor, ou algo tão valioso assim per se. Se tem algum valor é apenas pela amizade, por um companherismo idealizado e muitas vezes inexistente. Pensar nisso todos os dias é dolorido, contudo, e prefiro me ausentar. Ultimamente até em pessoa tenho me ausentado, e me reprimo por isso, mas é de novo aquela sensação de ter sido consumida completamente; estou vazia e sem sentido, e ainda assim obrigada a dar.

Acho que todos acabam um dia estando nesse local e momento que estou, e lidam de forma diferente. Alguns amam tanto que isso preenche as lacunas. Outros dão mentiras e falsas palavras apenas para acobertar seus vazios. Alguns cessam de dar e desistem, indo consumir mais ou então indo para lugares em que lhes pedirão outras coisas, pensamentos mais simples, ações mais rudimentares. É um jeito. Nenhum é o meu jeito e não sei onde encontrá-lo.

No fim creio que tudo gira em torno da solidão da vida adulta. Aquele momento que - enfim! - percebe-se só, único e isolado ser em uma selva de pessoas desconectadas. Demora um tempo para os laços irem se quebrando, mas eles vão e um belo dia nos encontramos nesse vasto deserto que é a vida. Nesse momento nada acalenta mais, nada preenche, nada mais completa o nada. Luto, e tento me agarrar a sentimentos que basicamente não existem, mas são forjados por mim mesma para fingir que ainda existe solução para esse estar só. Refletindo assim, nesse momento de distanciamento, sei que são apenas mentiras, contos de fada que inventamos para usar de muletas e continuar caminhando, ainda que cambaleantes. Que outra coisa nos impede de cair? Que outros artifícios ou que outras verdades que ainda não descobri? Existem? São essas questões que me acordam e que me fazem dormir todos os dias.

O aprender a ser só dói.





São dias como esse que dão vontade de repensar tudo. Não resisto, me deixo levar rapidamente pela onda do "onde estou, pra onde vou?". Cresce a angústia. O tempo continua firme, contínuo e entediante, massacrando os dias que vão a passos de bêbado. Me dá vontade de beber também.

Por quanto tempo é possível se enganar? Acho que estou batendo novos recordes. Logo (ah, relatividade...) virá o ponto onde não tem mais volta. Ainda estaremos mais distantes nesse dia, compensando com proximidades banais (mas adoráveis). Pois alguém tem que sair de seu compasso, alguém tem que correr nessa música ou ralentar a vida até ser esmagado pelo seu peso e morrer asfixiada e triste e sozinha.

E errar o ritmo me dói tanto...


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