E então acabou mais uma etapa. Faltam alguns pormenores, o que fazer, pra onde ir... mas o problema maior já não existe.

Tenho algumas dúvidas se o melhor é unir ou partir cada qual pro seu caminho. Desejo algumas coisas pequenas, mas temo me atar a uma situação que depois vou me arrepender. Não quero ter que pedir por favor para passar. Ao mesmo tempo, não quero ser irresponsável.

Já gastei minha cota.


às vezes eu faço as coisas no tranco
no susto, sem pensar
só assim tenho conseguido dar meus passinhos, ainda que pequenos
fico nervosa demais com tudo, e desesperada demais

por que será que não consigo relaxar?

deixar as coisas que eu amo para lá me dói, escurece meus dias
mas algumas pressões são inevitáveis

perdi muito.

por que será que não consigo ganhar?



...e então aparece a deixa, a oportunidade perfeita de realizar algo que venho adiando faz anos.

Só que não consigo agarrar. As dúvidas preenchem meus pensamentos e também o medo de estrangular minhas emoções mais sinceras. O prazer contra a necessidade. O amor contra a obrigação. As certezas contra as decepções.

E principalmente o presente contra o futuro.

Fico adiando as decisões na esperança de um milagre. Quando vou aceitar que não existem? Quando vou deixar de sonhar?

Quando?


Tanta coisa passa na minha cabeça agora que é até difícil organizar os pensamentos. Nos últimos dias aconteceram alguns eventos que me levaram a pensar onde e como eu estava nesse mesmo momento o ano passado...

Percebi que nada mudou.

Quer dizer, muita coisa rodou, mudou, se transformou, mas no final mesmo tudo voltou às suas posições iniciais.

O que parecia curado, sangra. Me pergunto como pude me enganar, depois lembro como é boa a sensação de ilusão. A sensação de que as coisas imutáveis podem sim mudar. Que os problemas insolúveis quem sabe podem se resolver.

Tudo besteira.

E nessa, assim como em várias outras situações da minha vida, vejo que caráter não se muda. Uma ver deturpado, uma vez apodrecido e ruim... assim será para sempre.

Com os primeiros sinais, as primeiras mentiras, ainda há aquela tentativa boba de desviar o olhar: "ah, mente porque se envergonha". Pouco tempo para viver nessa ilusão. Pouco tempo para ver que a vergonha de fato não existe, pouco tempo para ver que a luta é mais uma vez perdida.

Aí vem a hipocrisia. Vem o cinismo. E a obrigação de conviver com tudo aquilo que desprezo com todas as minhas forças. A farsa, os olhares trocados em silêncio, a dor partilhada.
Pequenos gestos são notados, a audição fica aguçada, procurando o próximo sinal de piora, o próximo passo para um caminho que além de não ter volta, apenas se torna mais triste e infeliz.

Ainda assim o que mais me incomoda é a violência das atitudes. Violência que não se pode combater, que não há denúncia possível, que sequer se pode comentar. A violência de esfregar na cara de todos o quanto somos inúteis, fracos, insignificantes, marcados e - principalmente - impotentes.

Creio que certas coisas não podem ser contadas, ou traduzidas, ou divididas com alguém que não as vive. Não é uma questão de se endurecer, ou se proteger, mas apenas que não é possível alcançar o entendimento dessas situações sem que você tenha as marcas latejando no próprio corpo e alma.

Por isso que eu prefiro conversar com o vazio.


Então que estou oficialmente de férias. Pela primeira vez em, sei lá, umas 4 ou 5 férias não vou viajar nem tenho nenhum plano concreto que ultrapasse os 50km ou 200 reais. A idéia era e continua sendo tirar um tempo para pensar, organizar a casa, tentar organizar as finanças e resolver todos aqueles problemas e pesares que eu tenho enrolado nos últimos bons meses. Pra não dizer mais de ano.

Essa é a questão maior do lance de férias sem viagem (e portanto sem fuga da realidade): parar de barrigar deciões e atitudes que a preguiça ou o excesso de coisa mais legal pra fazer me faz pensar "ah, depois eu vejo isso".

Bem, o depois é agora. Principalmente depois das recentes conversas que tive e do vislumbre de um futuro muito negro para os encalhados na vida como eu.

ps.: mas que saudade eu estou de um aeroporto...



Alguns percebem que eu mudei.

Outros procuram uma Vivian em mim que não existe mais.

É fato: as coisas que buscava já tive. O que sonhei foi realizado. Sentimentos vividos.
Numa turbulência desesperada, adiantei vários passos do tempo, corri a vida. Por causa disso cheguei num ponto vazio: tive que reformular meu viver.

Já não é a primeira vez, tenho experiência nisso, mas é sempre a mesma coisa: não percebem. Pessoas insistem na receita antiga, tentando acessar pensamentos que não existem mais.

Eu sou muito exigente. Sempre fui, mas era sobre mim a cobrança.

Mudou: agora cobro você. E não tenho pressa em receber não, mas de graça a única coisa que verá é a porta fechada.


me sinto como uma criança
tentando alcançar um pote de biscoito na última prateleira da estante
daí vc se estica toda, escala, distende cada musculo pra alcançar
mas só as pontas dos seus dedos alcançam
e parece tão perto, mas só as pontas do dedo encostam de forma que você não consegue pegar
então a unica coisa que você consegue fazer é ficar todo esticado dando toquinhos no pote
e esperando que uma hora caia na sua cabeça



Eu sou uma pessoa atéia. Cética e chata, totalmente sem-sal em minhas crenças. Todos (ou quase) sabem disso e eu, mais que todos, tenho certeza de como me sinto em relação a todas as conversas de divindade, sorte e magias.

Mas eu tenho um ponto fraco. Se chama tarô.

Desde criança eu me interessei por esse jogo místico e, com a idade, fui aprendendo e melhorando meu conhecimento sobre as cartas, significados e leituras. Nunca foi minha intenção me tornar taróloga ou coisa que o valha, mas digamos que sou uma amadora experiente. Há muitos e muitos anos, sempre que algo importante ou decisivo acontece na minha vida ou quando tenho dúvidas sobre alguma situação importante, nenhum amigo é mais meu amigo que o tarô.

Tenho um baralho de arcanos maiores do tipo do Tarô de Marselha que já está até velhinho, mas não abro mão dele. Geralmente faço leituras simples, de 5 cartas, mas eventualmente quando quero uma confirmação ou leitura mais profunda, abro para o jogo de 10 cartas.

Nunca fiz jogos para outras pessoas, acho invasivo. Para mim é invasivo, pois nunca, em nenhuma das minhas leituras, o tarô foi meu amigo ou me apresentou o "que eu queria ouvir". Pelo contrario, sempre foi de certa forma carrasco, me mostrando de forma clara e crua exatamente coisas que eu já sabia e estava tentando não ver.

É por isso que, em momentos como esse, eu abro o tarô. Fiz dois jogos hoje, agora. O que ouvi das cartas foi duro. Mostrou claramente minha presunção e egoísmo perante a situação. Trouxe um nó na garganta que não quer sair.

Agora, como boa escorpiana teimosa (meu segundo e último vício, astrologia) eu me pergunto: vou continuar no caminho errado pra satisfazer meu sadismo ou ouvir o que o jogo me disse?


Se o dia de hoje tivesse o triplo de horas seria perfeito. Gosto de, ao menos aos domingos, me dar espaço para descansar: não necessariamente o físico, mas a mente. Fazer algo pessoal, pensar em coisas novas, estudar ou ler.

Acabo de ligar o computador e vejo Devil May Cry... tinha até esquecido que tinha esse anime aqui ! Depois de um dia agitado de Animefriends, com certeza seria algo que cairia bem, assistir um anime novo.

Mas daí eu começo a pensar nas tantas responsabilidades e coisas a planejar e executar. É fato que eu deveria usar esse domingo de sol lá fora para adiantar o trabalho de amanhã e pensar como nem sempre eu consigo pensar com barulho superior a 10 decibéis a minha volta.

Estavamos ontem entre amigos falando de salários e futuro e profissões, mas uma coisa é certa: as responsabilidades sempre aumentam. Isso vinculado ao que houve na sexta e as minhas decisões anteriores... bem, sempre me fazem pensar:
E se eu tivesse feito diferente ?

Não gosto muito de começar a ter esse tipo de questionamento sobre decisões já tomadas e que não têm mais volta, logo prossigo no presente. E o presente me diz as coisas que deveria estar fazendo agora ao invés de fazer postagens em blogs.

O foda (tá foda..) é que é domingo e minha concentração está baaaaaaaixa...


A vida une e separa, isso é um fato. Mas também depende de nós. Depende das nossas ações e escolhas, de enxergarmos os caminhos a frente e decidirmos (ou não) os trilhar.
Eu confesso minhas dúvidas, mas também me defendo com os contratempos da vida. Hoje, queria estar lá. Queria bastante, mas não deu.
Estou aqui com a cabeça lá.
Ainda assim... dúvidas.



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