É um círculo. Sem arestas, sem vértices, sem começo, sem fim, sem nada. Pode se perder aqui, seja bem vindo. Nada acontece abruptamente, nada é inesperado, é circular. Você não vai saber por onde entrou, nem vai saber qual a porta de saída, mas tudo bem, porque aqui onde não tem meio, não acontece nada de mais.
É um símbolo, ou estigma, marca, cicatriz, sinônimo de verdade, tristeza. O misto de tudo dá nada, é como o vermelho-verde-azul. Se juntar tantas matizes de sentimentos opositores você encontra a ausência de luz.
É a perdição, o encontro do alfa e do ômega, o precipício de eterno cair. Uma hora ou outra você pára de pensar, pois é uma charada impossível, desafio sem solução. É a conta faltando número, vírgulas dançando sem baile para ir.
Independe de mim. Ata-me.
Ainda assim... vem comigo.

Sonnet 150

O, from what power hast thou this powerful might
With insufficiency my heart to sway?
To make me give the lie to my true sight,
And swear that brightness doth not grace the day?
Whence hast thou this becoming of things ill,
That in the very refuse of thy deeds
There is such strength and warrantize of skill
That, in my mind, thy worst all best exceeds?
Who taught thee how to make me love thee more
The more I hear and see just cause of hate?
O, though I love what others do abhor,
With others thou shouldst not abhor my state:
If thy unworthiness raised love in me,
More worthy I to be beloved of thee.

Ah ! Odeio-te. Odeio-te. Odeio-te.
Principalmente detesto como você não deixa nenhuma pista, como foge do meu controle, escapa da minha obsessão. Ah !

Deixe-me só com minha neurose.


Estava pulando na net quando caí numa matéria sobre o novo cafa. Uma bela descrição desse novo tipo que apareceu nas nossas praças, como quem não quer nada, e está ganhando espaço.

Transcrevi a matéria logo abaixo, um trabalho árduo feito duas vezes (porque na primeira a luz piscou e eu perdi tudo), graças ao jornal "O Globo", pois com seu comportamento anti-social apavorado com "direitos de propriedade", não permite um simples copiar e colar. Blog it? Trackback? Bobagens.

Antes do texto, contudo, minha sublime e bem pior escrita opinião sobre o fenômeno.

Começo já por admitir que a maior culpa nisso é das próprias mulheres. Aprisionadas nos seus sonhos burgueses, coladas nas páginas dos romances baratos de banca, acabam por incentivar essas metamorfoses de comportamento nos queridos companheiros do sexo oposto. Ora, nossos velhos, old-fashioned cafas, se vendo cada vez com mais dificuldade de atingir seus objetivos com suas técnicas velhacas, não se vêem com outra alternativa a não ser mudar a roupagem. Surge então esse cafa 2.0, fruto caramelizado e endurecido do moralismo e síndrome retrógrada da sociedade do século 21.

A vanguarda da sinceridade e do realismo está morta, ou definhando. Esses fenômenos de me-engana-que-eu-gosto não só me dão medo, mas como me enojam. Onde está o olho-no-olho, as palavras que não são só promessas vazias de pessoas que não existem? Essa projeção de utopias de um lado para o outro (ambas as direções, devo afirmar) nos leva cada vez mais para os relacionamentos fugazes, que começam no nada e acabam sem nem levar o e-mail. Não há relação, não há sentimento - e aqui não falo do romance romântico, mas simplesmente de interações normais entre as pessoas: o diálogo chega ao fim abrupto assim que o beijo se torna passado.

Às vezes, me pergunto qual o problema em realmente ser natural e dizer a que veio. Há muitos objetivos, cada um tem os seus. Se todos simplesmente pararem de camuflar suas verdade sob finas camadas de pó de arroz, certamente os pares se encontrariam com mais facilidade. Sem o joguinho idiota de tatear no escuro, provar da dúvida; frustrar-se é quase um novo esporte: depois de cada partida saímos com os amigos para comentar animadamente os lances emocionantes do jogo. Virou piada mesmo!

Que horror isso. Prefiro a filosofia idade da pedra, quando as linhas guia eram mais naturais e harmoniosas. Os velhos cafas tinham uma sinceridade disfarçada, enquanto os novos têm uma falsidade admitida. Ou seja, retrocedemos cada vez mais, nadando nesse lodo antiquado das convenções preestabelecidas.

Divirtam-se com o texto, de Joaquim Ferreira dos Santos, página 10 do "Segundo Caderno", jornal "O Globo".

O novo cafa
Ele não espanta a presa, é refém do seu fascínio por ela.

Cuidem-se meninas, eis que chegou o novo cafajeste. Não mais um sujeito com os pêlos do peito suspirando safarnagens ao vento ateu e ao badalo dos cordões de ouro. Não mais um casca grossa de chanchada murmurando toucinhos de admiração fingida para dentro da panela auricular da moça. Necas de Jece Valadão. Pitibiribas de José Mayer. O novo cafa viajou. Aggiornou o Zé Trindade que carregava em si e adentrou em cena com o velho apetite - elas, elas - mas com jeitão irreconhecível. Deixou o tacape na caverna e vai na contramão da garotada pitbull. Nada de puxar a presa pelo cabelo na boate. É quase um gente fina, um adorador delicado das mulheres, um admirador do seu código de ética - e se não fosse essa insistência delas em casarem no dia seguinte, montar um castelo cheio de crianças no Leblon, eles poderiam ser felizes para quase sempre. Doce bandido. Um doce vampiro como na música da Rita Lee, com a diferença de que, antes de ela dizer o verso "me acostumei com você", ele terá batido asas. Avoará inesperado.

Sem fazer cheque de portas, sem check-out. Era apenas uma reabastecida de sangue, um pit-stop que ele estava dando na jugular, e você, já que os sinais não eram os de praxe, não percebeu.

Muito prazer. O velho cafa em nova roupagem.

Liga no dia seguinte, ouve com paciência os queixumes, repara que ela cortou o cabelo e elogia, elogia muito sem sugerir em nenhum momento que gostaria de fazer a ode a tantos encantos num lugar mais confortável. Quase um gentleman. Ao contrário do antigo, o novo cafa não tem pressa. Cool. Suave. Nada e revólver sempre esfumaçado, de sair atirando em todo coração que se move atrás do decote e mostrar para os amigos as marcas contabilizadas na coronha. Discretíssimo. O novo anti-herói é amável. A princípio ele quer fazer bem, introduzir alguma poesia na noite escura dos desencantos dela. Vinícius, Bandeira e Zéfiro. Mas há sempre as que querem mais versos, tertúlias e a educação pela pedra das considerações cartoriais.

Pena. O novo cafajeste não tem a canastrice do Zé Bonitinho, que virava para a câmera, close em mim, e cantava "If I have a thousand of women". Exibicionismo zero. Presta atenção nas carências femininas do momento, sabe o que está faltando no mercado delas e sutilmente oferece suas prendas. Não promete mais uma rodada de sexo, drogas e rock and roll porque estão todas cansadas dessa dieta. Essas moças já tiveram a coleção completa dos orgasmos anunciados pela revista "Nova", já recriaram pelo avesso todas as posições que a Madonna desenhou nos clipes. Esgotaram a cabala, cancelaram a assinatura do Sexy Hot e foram para a Flip aplaudir Adélia Prado. Sonham com a paz doméstica.

Montar um apartamento. Conversa de travesseiro. O novo cafa sabe disso tudo. De tanto jogar milho aos pombos da Praça de São Marcos, ele percebeu que deve se guiar por um movimento sutil de sedução. Aproximar-se com jeitinho para o bote final e, como o antigo fazia, enchê-la de muita pipoca - mas desta vez sabor mel. Calda de chocolate. Leite Moça. Farelo de suspiro. Muito ronronar de uhhhhhmmmmm.

Ele tem calma. Deixa para amanhã. Vai na contramão do que as mulheres sempre esperam do conquistador barato. Onde elas pensavam garanhão surge com fruta-pão, ou qualquer outra bobagem que as mate de rir. Ele vai dizer que se emocionou com o filme "O amor em cinco tempos", mas se mostra disposto a encontrar um final feliz para essas histórias sempre melancólicas.

Esta semana ele certamente vai citar muitas vezes a canção que Caetano colocou em seu novo CD, feita com delicadeza para lamentar a impossibilidade de seu amor com Paula Lavigne.

O novo cafa diz, sempre baixinho, sempre com a atenção grudada na menina-dos-olhos da atenção dela, que não desistirá. O grande encontro é possível. É a única aposta a se fazer. Love.

Amour. Ele é poliglota. Não arrota. Não vocifera e, ao contrário do de antanho, sabe o que quer dizer um palavrão desses. Lê. Seu mais recente livro de cabeceira é "O animal agonizante", de Philip Roth, cujo personagem central, um sedutor sessentão que desdenha o vínculo afetivo acima de tudo, é quase um inspirador da espécie.

Tem elegância. É capaz de explicar todos os azuis de Matisse, os dourados de Klimt, e quer reverter, com sinceridade, ao preço que acharem justo, esse aprendizado do mundo em honra e culto delas. Velho cafa é outro papo. Nelson Rodrigues descreveu um deles, o de "smoking impecável", que diz ter visto numa festa sendo esculhambado, xingado e humilhado pela mulher.

Quando ela se cansou, o cafajeste deu-lhe uma rutilante bofetada na cara e a sujeita caiu chorando aos pés, apaixonada, enquanto a bofetada ainda ecoava na sala. Não mais. Esses sanguessugas existenciais, canalhas que babam ignorância afetiva, estão sendo cassados pelas CPIs dos novos tempos. Nostalgias da Atlântida, esquete cômico do "Zorra Total". O novo cafa não puxa pelo cabelo, não segura pelo braço e não come com os olhos, essas obviedades passadas.

Galanteia simpático, com a humildade de quem reconhece não ser o seu veredicto final.

Gosta do que vê e se apraz com a felicidade da aproximação. Sexo, definitivamente, parece ser seu último projeto na terra, algo a se tratar depois de percorrido todos os canais de Veneza, devorada meia dúzia de sushis e vistos os filmes dos irmãos Coen. Não espanta a presa, é refém do seu fascínio por ela. Está aqui para vibrar admiração e, como o menino do sinal atirando bolas para o céu, espera resignado qualquer tipo de recompensa. Já viu o teto da Capela Sistina, mas é sincero. Nada se lhe compara em êxtase ao que admira agora por trás do copo deste abr.

Pode ser que logo em seguida, conquistada a presa, ele desapareça. Antes, sem dizer que é adeus, o novo cafa, doce bandido, mandará pelo celular um último torpedo por escrito: "Eu já disse que quero que você seja muito feliz?".


Parece que foi ontem.
Aliás, não parece, foi.
Você sabe como eu lido de um jeito diferente com o tempo.
Foi como sentir o ar se expandindo no calor.
E o quente sabor das suas palavras.
Juro que não entendo. Juro.
Foi o seu sorriso, o seu abraço. Rápidos, estremecendo.
O jeito doce surgindo sob esse véu amargo.
Ainda mexe comigo, mesmo com o outro a seu lado.
Eu sei diferenciar as coisas. A coisa vocês, a coisa sentida.
Coisa é palavra de quem não tem mais palavras, eu sei.
Assim que eu fico, depois de tanto tempo, depois de poucas horas, em cada minuto compartilhando o mesmo metro quadrado.
Eu me esforço, mas ainda te quero simplesmente porque sempre quis.
Juro que não entendo. Juro.
Uma moeda pelos seus pensamentos.


Esse post de dia 29 (nhoque da sorte..) na verdade é um post de dia 28.
Elementar que eu podia facilmente falsificar isso para agradar meu cérebro teimoso, mas é contra a política da empresa. O que importa é que ainda estou vivendo o 28. Meu aniversário de mês. Não só isso. Também risos e fluidos que ficaram lá atrás.
Esse post é sobre minha falta de coragem, minha letargia.
Sobre o começado que nunca acaba, novelo sem fim sem começo sem fio.
Sobre retardar o acontecimento, acontecer sem saborear, sentir o quê?

Nem sei.

Minhas palavras também me cansam. Ô, e como. As suas que não vêm também. E as que finalmente diz, bem, essas são como um cuspe no lago. Faz 3 ondinhas e se dissolve.

Que bosta de metáfora.

Ok. Continuo muito saudosista e melancólica. Não me julguem.

Tá mais que na hora de arquivar uns meses aqui, não?


Tem uma hora que você não precisa mais de luz para andar na sua casa. O escuro é acolhedor, aconchega, os caminhos se abrem.
Você sabe onde está cada móvel. Sabe o sorriso de cada quadro.
Na verdade, os degraus da escada até se movem pra que você não tropece, pois eles reconhecem a altivez do dono. Quem manda.
Procuramos isso, acho. Fora de casa, nos outros, na vida. Um lugar onde se possa andar sem medo de que nos falte o chão, sem receios de o sofá ter mudado de lugar sem que percebessemos. Porque ele sempre muda. Cada dia eu vejo uma disposição diferente. Interna, externa, mudanças. É horrível.
Falta de lar. Esse sim é o pior dos mundos. As coisas simples, o jogo americano, toalha engomada no natal. As fotos ruins de família.
Queria ter mais fotos ruins, tremidas, a luz fraca e amarelada tingindo todos com as cores de casa. Refletindo em cada face as paredes e os sussurros nelas encerrados. Fotos em movimento que não são filmes, risadas que são silêncios tremidos.
Falta de lar. A procura incessante pelos móveis no lugar, o caminho conhecido, o interruptor da cozinha surgindo magicamente sob os dedos.

Clic.

Liga-se a luz.

Ok. Estou muito saudosista e melancólica. Não me julguem.


São tantos momentos lindos que não cabem mais em fotos, não podem se traduzir em palavras. Assim como os piores dias, os melhores se acumulam em gotas de memória que podem aquecer ou congelar o coração com um só suspiro.
De repente, estão se acotovelando por um espaço, uma chance de respirar.

Eu mato todos sufocados.


Queria ter nascido em outro ano, cursado outra faculdade, atravessado a rua, tropeçado em você na praia, olhando o sol se pôr. Quantas coincidências poderiam ter se colocado entre nós além da que nos uniu. Penso nisso com a clareza da noite, como é triste ter você sem nunca ter te encontrado.
Queria ter ido a mais festas, bebido mais, freqüentado seus caminhos tortos, anos antes tão recentes. É o perto-longe da nossa distância que me incomoda, a resignação do imutável. Parece bobagem, mas eu sei que não é para durar.
São as palavras que me voltam aos ouvidos como bumeranges. Ele me disse uma vez, eu ri, eu desacreditei, mas sabia desde então que estava certo. Não pode existir. Há alguma lei do universo contra isso, contra nós, não vejo saída. Só se eu fosse para longe, hoje, não encontrasse você por alguns anos. Daí, talvez, se nada cortasse nossos laços, poderia ser diferente.
Só que isso não vai acontecer.
Vou continuar a te encontrar. Continuar a te sentir comigo. Continuar a te ver partir, continuar a escrever sobre você com meu português ruim, até que o eu-você chegue a um fim.

Até que o hífen vire espaço que vire parágrafo que vire página que vire livro que vire outra história de despedida.


Um tempo que não escrevo aqui. Um tempo que não escrevo em geral, tem me faltado algo, palavras. É algo maior que vontade, tempo, disposição; é a essência de tudo. Tem me faltado a origem, por isso não sei onde chegar.
Também não consigo ler enquanto estou assim, pára tudo. Escuto, em contrapartida, abro os ouvidos para o mundo, recebo mais sons do que deveria, ouço as palavras que não queria e que machucam o meu íntimo. As verdadeiras adagas voadoras são as palavras, mesmo longe delas continuam a me atingir.
Tudo acontece no âmbito do "tarde demais". E foi assim que percebi que não tinha mais importância você, sua vida, sua conversa. Não fiquei feliz, não fiquei triste, não fiquei. Essa é a instância final do tarde demais, quando o que importava simplesmente se vai como uma brisa de verão. Quente, agradável, passageira. Nem isso me fez retomar as palavras, nem o gosto de terra que sua ausência já não me causa.
É tanta coisa.
Tanta coisa que não sinto falta.
Tanta coisa que me falta.
Tanta coisa que nem sei.

No hay olvido.

É engraçado minha ansiedade forçada, criada para preencher o vazio, para divertir meus dias mansos (quase escrevi mancos). Eu não entendo isso, e também não controlo, nem tento, nem quero. Apenas observo o fato, acho engraçado. É quase consciente, são as situações criadas, o caso pensado... não é natural e também não é opcional - algo assim, meio termo inexistente perdido no limbo. Conto as moedas com sabedoria para fazer as divisões certas, ponho as fichas na mesa, giro a roleta...

Ganho ? Perco ?

No máximo tenho adquirido algumas manias. Manienta. Sanguessuga de vícios.

Mas dessa vez queria ganhar. Não por sentimento verdadeiro, mas para saber o gosto. Lembrar como quem não quer nada, sei lá. O tempo vai passando, o bronze ficando velho, as datas vão sendo esquecidas. Às vezes tenho medo de esquecer o pouco que me resta, sou um caso raro de Alzheimer voluntário na juventude. Queria que tudo tivesse sido diferente, mesmo que o preço final fosse eu ser diferente do que sou hoje, algo que particularmente não gostaria. Ainda assim pagaria para viver de novo de outra maneira, para ter memórias, para não adoecer saudável.

Não gosto de jogos de azar.


Adoro julho. Adoro frio. Adoro inverno. Adoro ausência. Adoro.
Estou feliz. Pode não parecer pela falta de conjunções. Pelos períodos curtos.
Mas estou, e com sorte.
Medo de que acabe...
Estou a um minuto de saber, esse é um post em tempo real.
Tempo prolongado pela discagem,
pela janela do bloco de notas,
pelo meu medo.
Medo não, pavor.

Respiro.

Mais uma piada. Mais uma.
Não sei quanto mais eu agüento.

Navego através do tempo, das páginas viradas. Respirações. Sussuros de nada ao pé do ouvido.
Tantas garras, agarradas. Desespero no olhar, no prazer dor intensos.
Às vezes penso que me faltam vírgulas, mas não falta nada.
Eu me preparo a cada dia para o que está por vir, o não-saber que nasce do meu desinteresse. Alguém me liga, sei quem não me liga, ligo para todos sem ligar. Minha doçura ao telefone, memórias, memórias, passados risonhos e rosados. Linha de sonho fulgurante. Brilho no olhar.
Mensagens que vêm e vão, voam, passarinhando pelo olhar refletido na tela.

Uma formiga.

As teclas vão carregando as palavras ainda não ditas e que sei ficarão apenas na ponta dos dedos, querendo saltar ao mundo, viver. Mãe que é mãe não deixa filho abandonar a casa, põe debaixo do braço-asa.

Um frio. Frio do medo à espreita e das crases querendo fugir.

E essa dor infindável que nunca acaba; espiral de dor, que se alimenta, cresce, expande. Esse realmente é um post vivo, vale pelo mês, foi se ampliando com tudo que recebeu do meio. A verdadeira emoção dos altos baixos tristes belezas. Não consigo mais sentir, anestesiada, meio morta, displicente. Deixa o fogo, deixa a labareda, sobra a cinza. Cinzas de mim, cinzas de passado, voando, caindo sobre mim como chamas ainda vivas. Que dor. Não posso escrever o quando cada minuto arranca uma parte de mim, o quando de gritos ainda restam por ouvir. O quanto, quando, quando? Não há mais explicações, ou perguntas a fazer. A fuga sempre. A fuga dos acorrentados que não fogem. É tudo sobre ela afinal, nao é? Sobre a partida que está sempre no horizonte, sobre a cura que nunca deveria ter chego.

Adeus, adiando, adeus. Parece loucura. Ou é.




Richard's World cup (got it?)

1 copo de suco de abacaxi
1 dose de vodka Absolut de vanilla
Creme de menta para enfeitar

Misture num shaker o suco e a vodka com bastante gelo, sirva num copo e adicione um pouco de creme de menta para ficar verde e amarelo.

Copa também é gastronomia...

Depois de tanto tempo só tenho a dizer que está tudo estável, calmo e sorridente. Não há explosão, gritos, sustos, nada.
Era o que eu queria? Não era? Sei lá. Só sei que é assim que está sendo.
Ainda me preocupo, contudo. Decisões que sempre são adiadas, perguntas que não são feitas. É tudo muito chato.
Vou fugir pro Chile.


Perder-me em mim mesma é o meu hábito favorito. Encontrar meus pesadelos no parque, saímos para passear de mãos dadas. Temos uma conversa franca sobre meu orgulho imaculado, intocado por tantas tempestades e que só eu mesma consigo desbancar e pisotear como alguém que busca sempre pelas algemas na cabeceira da cama. Trocamos olhares de desgosto ao tomar um cálice de nada. Palavras são o que me restam, para que eu possa usá-las sempre da pior maneira possível, seja instantânea ou retardadamente. Que posso fazer contra mim? Embaixo da cama ainda estão os grandes olhos de coruja em filme de terror, fitando o meu desprezo, desleixo em existir.

Toca-se a vida para que ela não te toque.


Não se escreve na dor, escreve-se para manter distância dela.
Carpinejar

E como dói sua insistência em manter-se presente, sua voz do outro lado distante do telefone, sua obrigação do conviver sem viver.
E como dói sua partida fria, sua ausência forçada que trespassa todos os níveis da minha vontade, seu desejo que arde sob a pele.
E como dói... mas me faltam sentimentos para cuspir tantos falsos verbetes de dicionário.

A mim resta a certeza de que o meu desejo sempre foi verdadeiro.

Ps. A cada dia descubro que as pessoas desistem mais e mais de seus sonhos por medo da solidão.


Nessa busca de por onde começar a escrever sobre tantas coisas que não têm cara de palavras, comecei a perceber com olhos argutos de águia o teor deste mês que passou. Muito escrevi nesse Abril (despedaçado.fragmentado.inacabado) que me parece ter passado um ano inteiro, meses e meses de vida acumulada em potes de geléia. Nem lembrava mais datas, tive que buscá-las na tabelinha, tão longínquo me parecia certo acontecimento! E o outro que o precedeu então, podia muito bem ter ocorrido em outra vida que não esta minha, nem lembrava mesmo, a fatura só vem em maio, afinal, o que me faz recordar do número 3, tão insignificante parece agora.
Acho que vivi muito intensamente em Abril, e cada dia se desdobrou em infinito tempo que não consigo contar. Abri muitas portas em abril, e também entre muitos gritos as fingi fechar. Deve ser por isso que ainda acreditava estar no meio do mês!
Fui muito ridícula em Abril, se fui, mas sinceramente acho que me dando essa liberdade do não-pensar consegui alcançar outros patamares na longa escadaria que nos leva ao prazer, tocando levemente a brisa vinda do mar. Desci, subi, cantei, escrevi: não há o que deixei de fazer em Abril - vivi.
Claro que nessa ânsia de não evitar nada, sofri, mas esse também foi mais um dos sentimentos embalados pelo Abril abundante e túrgido. Hoje, vejo que não se destacou dos outros, apenas integrou-se totalmente nesta festa de que lhes falo agora. E o dia do aniversário é só amanhã. Muito fui atormentada pelos conflitos, mas também hoje, com olhos bem abertos, vejo que eu que os criei - assim, displicentemente, deliberadamente.
Tudo saiu mesmo da minha mente.
Achei engraçado refletir, nesse fim de mês, sobre meu caldeirão de bruxa, mais fervente e borbulhante que nunca hahaha. É o que eu gosto afinal, não? Não há como esconder que eu que coloco os ingredientes certos para causar toda essa ebulição incontrolável, toda essa mistura volátil de forças opostas. Sim, sim, mea culpa. O dia que essa mistura ficar pronta e sair da panela não vai sobrar pedra sobre pedra. E eu, claro, vou estar no olho do furacão.
Quer saber, que se dane.

Entretanto, nada disso espanta a força daqueles versos...

Como ao baralho o jogador
Como à carniça o parasita
Como à garrafa o bebedor
Maldito sejas, maldito!

Nada pode ser dito além desses versos tão sinceros.


O que eu não daria para meus olhos não precisarem mais perseguir seus passos sempre passando por mim. O que eu não daria para não ouvir sua voz falando a outros ouvidos que não o meu. Poderia também esquecer sua pele, seus movimentos ritmados que se repetem involuntariamente no lugar onde reside minha memória. A sensação de minha boca sugar cada perfume seu como algo vital, as tulipas brotando ao meu redor, borbulhando néctar em seus cálices de calor pungente. Ainda lembro de suas mãos banhadas por esse mel opiáceo quando brincávamos em nosso jardim edílico. Tudo isso, quisera eu ser apenas uma nuvem de fumaça que se dissipa, o orvalho da manhã que se vai com o sol. O que eu não faria para voltar àquele dia, nosso baile à fantasia particular: você - palhaço, eu - colombina. Queria o ver novamente com o nariz vermelho de plástico. Engraçado: onde foi que o deixou? Procuro incansavelmente por essa resposta, mais que a todas as outras que nunca me deu. Lembro apenas que era o palhaço mais bonito, a fantasia mais perfeita. Maquiagem daqueles tempos efêmeros ainda escorre pela minha face. Onde está seu nariz? Penso agora que talvez fizesse diferente, mas sei que tudo igual. Quero apenas roubar seus gestos para mim, apropriar-me da sua essência que nunca vi. O que eu não daria para o conhecer, para olhar dentro de você como se fosse a primeira vez. Ainda que fosse a última.
Tivemos azar, acho. Combina com você isso, combina tanto com você, comigo, conosco. É a dor incalculada desse azar que mais me maltrata (mais que suas mãos morbidamente frias). Ele me tira totalmente o controle, lânguido, olhos e auréolas violeta de quem jamais dorme. Ainda está me vigiando, e por isso que faço tantas coisas que, sem querer, apunhalam a mim mesma (não ouso falar de você, desconheço-o). O que não daria para ter você como nunca tive, como sempre quis, despido de tudo que nos separa. Queria suas respostas acumuladas às minhas perguntas sem sentido.
Tudo o que faço é para você, mesmo se eu fingir não ser. Meu prazer me mata, o seu prazer me mata: por isso que sempre fecho os olhos. O que eu não daria para que usasse mais uma vez o nariz.
Aquele, vermelho.


Patchwork

Nada me coloca mais contra a parede que o êxito e sua inigualável sensação de sucesso, sempre tão opressora. Não sou e nem quero me acostumar com a calmaria da felicidade, o conforto do seguro, o sol nascente em raios alaranjados. Um dia fui feliz assim, com o calor e a vivacidade, mas hoje me sinto tão diferente, despreparada para tais sentimentos. Fico então resgatando a melancolia dos pequenos momentos, as verdades que estão entrelaçadas nessa falsa placidez que quase me convence. Perco-me com facilidade na claridade, pois há tanto tempo ando no escuro.
Estou afundando nessa areia movediça sem nada a que me segurar, e as vozes que sussurravam ao meu ouvido nada mais são que longínquos murmúrios de nada.
Agora também acabei de perceber o quanto eu demoro para deglutir os dias que se passam, e é por isso que tudo o que eu estou escrevendo agora mais me parece um vômito forçado a uma reflexão. Estou precisando dizer algo, mas não faço idéia do que dizer ainda. Certeza que daqui umas duas semanas tudo ficará claro (ou não) na minha mente oca. É o que espero afinal.
O fato é que nada que eu faça consegue vencer os pensamentos naquele que suavemente me domina. Finjo me afastar, mas quando olho um segundo ao redor vejo o quanto estou mais atada a esses pensamentos que sugam minha fria existência.
Não sei mais o que fazer para tentar sair desse pântano de lembranças, fugindo para cada vez mais perto desses tentáculos dos quais não consigo me desvencilhar. Já perdoei, mas talvez nunca consiga superar.
Talvez realmente existam coisas que sempre me perseguirão, não importa onde eu vá.
Não importa o quão alto eu grite.
Nem importa que eu me afogue nessas lágrimas que não consigo esquecer.


O que foi aquela fração de olhar que tirou o balanço do meu dia? Mal poderia dizer a cor dos seus olhos se não os conhecesse bem, infímo foi o segundo que nos encontramos. Depois disso, a distância e frio costumazes, ao qual não me acostumo nem no reino do pensar.
Será que posso me conter por toda a eternidade enquanto ela dure? Sinto o meu espírito falhar a cada encontro, uma falta de tudo e sobra de nada, a loucura repetida que grita 'encore'.
Tão triste é a tortura que me une a essas sensações sublimes que quase não posso agüentar mais um dia para sofrer com mais detalhes banhados de efervescência transitória.

Quanto ar é preciso para me sufocar?


A cada número que muda no visor do relógio, algo estremece dentro de mim, o amargo da ansiedade me sobe à boca, as lágrimas acotovelam-se nos cantos dos olhos. Mil coisas passam por dentro da minha mente, mil explicações para cada chamada não atendida, mil tormentos de felicidade e pavor. Penso nos versos inacabados, nos contos não terminados, nos desenhos à lápis, em todas as coisas - e são tantas - que vão se acumulando na seção de "não finalizados" da minha vida. Não queria mais uma. Não preciso de mais uma.
Tantas são as incertezas do meu sobreviver que não sei mais para onde olhar, aonde ir... talvez a imobilidade e a prostração perante o amanhã sejam o destino pelo qual devo esperar, pelo qual não preciso lutar.
Tento continuar, mas não consigo, tamanho é o poder do jugo que me foi imposto.

Quanto ar é preciso para me sufocar?


Alguns minutinhos singelos de ócio já me jogam neste turbilhão de pensamentos e reflexões sobre tudo o que eu quero esquecer. Luto contra os desejos anarquistas da minha mente, mas eles sempre me vencem, largo tudo, esqueço tudo e me volto apenas para aquela visão iridescente que turva meus pensamentos. As minhas amarras parecem não me machucar mais, as vendas estão confortavelmente postas sobre meus olhos. É quase um transe: vêm as ondas do mar me tragando para o fundo de um devaneio, atlântida é a cidade dos sonhos profundos e confusos que me envolvem com o frio mortal de águas tão longínquas. Cada vez mais vou perdendo minha consciência, penetrando na luz e na escuridão que sempre me apontam o mesmo caminho, aquele que me leva inevitavelmente até você.
Sofro com seu olhar distante ou com as palavras que não nos dissemos. São espinhos que agora estão rasgando minha garganta até segunda ordem. Minha pele está ficando azulada, meus olhos embaçados - tomo a aparência dos mortos para me aproximar de você nessa cidade de tumbas que é a memória. Mesmo sem vida entre nós ainda desejo ardentemente seus abraços.


Estou aqui enrolando há uma hora para escrever esse post, mesmo sabendo que isso será um problema mais tarde. Enfim, depois dessa maravilhosa semana - e acreditem, foi boa mesmo - me encontro novamente olhando para o horizonte, diversos caminhos a minha frente e, ao mesmo tempo, nenhum.
Por onde seguir?
Sinto-me perdida no meio de tantas coisas boas que acontecem na minha vida. Parece estranho, mas essa maré de "coisas dando certo" está me sufocando um pouco. Tenho vontade de largar tudo, começar do zero, mas motivos práticos me impedem de fazer isso.
Sendo sincera comigo mesma, estou com o coração partido em dois e as mãos atadas. E esse sofrimento interminável que me mata. E essa indiferença. E essa dúvida toda.
O que farei? Estou certa das minhas intenções futuras, mas suas conseqüências...
Só preciso de um pouco de verdade no meio de toda essa farsa. Por que é tão difícil? Por que mentir para mim?


Confesso que sinto uma dificuldade sensível em viver sem a sua monótona presença. Parece incoerente, admito, mas aquele incômodo que ele causava diariamente em mim faz falta. É a saudade do jogo de olhares, das frases displicentemente trocadas, os pensamentos formando uma nuvem invisível que aconchegava o meu ser. Agora reside a impotência, as cartas foram tiradas quase que em definitivo das minhas mãos: não consigo agir sem ter a sensação do convívio, sem que possa perceber nos hiatos que se formavam entre nós o que estava acontecendo realmente. Sinto-me um tanto ridícula por ter ficado tão dependente do seu cheiro, mesmo que distante, perdido entre tantos outros aromas de plástico. É a rotina do bom dia, das piadas inacabadas, o gosto do secreto em minha boca - a tudo isso me vejo presa, amordaçada e atada às suas lembranças difusas.
Sinceramente nem devia pensar muito nisso. Às vezes, parecem tão sutis essas memórias que nos unem que, se eu pensar muito sobre elas, podem ficar cada vez mais gastas até que um dia desapareçam por completo. Seria bom. Ao mesmo tempo não quero perder essas estrelas que brilham à distância, quero que elas caiam sobre mim como cometas, envolvam-me no seu calor, no fogo que incendeia minha alma. Que me destruam, que explodam minha mente em mil pedaços! Apenas não posso cogitar a possibilidade de me esquecer do doce timbre da sua voz.
Estou no pico da falta total de concentração e quando tento apurar a causa, quem me vem à mente é sempre a mesma pessoa demoníaca. A fallen angel.
Foi por isso que eu procurei, não? Foi isso o que eu encontrei. Foi isso o que não tive. Foi isso o que perdi.


Ainda, em vão, me pego tentando entender o que aconteceu nos últimos dias, como viajei distâncias tão grandes em minúsculo tempo. Releio os meus pensamentos, redijo linhas de memórias que possam me indicar onde foi que tudo mudou para continuar igual. Há alguns minutos algo me disse que essa situação foi toda premeditada por mim mesma, com o objetivo de chegar triunfalmente a esse final bastante desgraçado. Não me veio em mente o porquê, mas o processo faz até bastante sentido, em se tratando de mim. Gostaria de reviver alguns minutos, de fazer diferente, de sobrescrever minhas falas, mas é impossível, claro. Ainda assim gostaria, mesmo sabendo que faria exatamente tudo igual, teimosa.
Um dia achei, em uma inocência há muito esquecida, que agora estava confiante dos meus passos e decisões, mas sei que isso se reflete apenas em parte de minha vida - a parte que, sinceramente, pouco me importa. Não consigo superar esse medo de perder o que tenho, não consigo, não consigo por mais que tente, por mais que me convença que posso recuperar tudo de novo. Foi tanto que perdi. E aprendi que nada pode ser retomado no seu estado natural, puro - as coisas podem até voltar, mas sempre corrompidas pela dor, mágoas, tempo, silêncio.
Silêncio. Ainda ouço seu farfalhar entre nós, os lamentos dos minutos engolidos pela ampulheta.
Estou triste com esse desfecho malfadado, pelos gastos sem sentido; acho que mais pelo que ele me faz recobrar que pelo fato em si. Novamente percebo em mim as marcas que nunca serão esquecidas, os hematomas brotando sob a pele, o sangue, a dor, loucura gritando mais uma vez em meus ouvidos. É como a ponta de um novelo, uma lembrança que vai me puxando para trás sem meu consentimento, seguindo os caminhos negros de outrora. Perco-me nas florestas sussurrando as conversas que deveriam ser mudas, as figuras tortas turvando-me a visão, tomando meu ser com todo o pavor que costura minha boca para que eu não grite.
These wounds don't seem to heal
Preciso fugir dessas memórias que parecem me tragar para dentro de suas bocas negras como a morte. Quanto mais corro, entretanto, mais estou perdida nesse cemitério de esqueletos.


Nem sei se devo pensar sobre isso agora, talvez meditar sobre a questão fosse prudente. Não quero, contudo. De pensar passou-se o tempo, de pensar perdi o fogo que ardia na minha irresponsabilidade. Não paro de me culpar por tamanha impotência, covardia, dúvidas perante o amanhecer. Recomeço do zero agora, perdida, sem direção, pronta para cometer tantos novos erros que me levarão novamente para esse mesmo lugar. Juro que lutei, tentei, saboreei cada gota de ar com vontade de viver, mas morri. Algo assim, inevitável. Nada mais que covardia, acho.
É quente esse lugar que estou, confortável e ameno como sempre nunca desejei. Quero gritar, incendiar-me para sempre, acordar renovada. Quero ódio, paixão, sangue, ossos latejando com as pancadas displicentes do destino.
Vejo-me rodeada por ratos.

Só quero você.

Just one look into your eyes
One look and I'm crying
Cause you're so beautiful
Just one kiss and I'm alive
One kiss and I'm ready to die
Cause you're so beautiful
Just one touch and I'm on fire
One touch and I'm crying
Cause you're so beautiful
Just one smile and I'm wild
One smile and I'm ready to die
Cause you're so beautiful
Oh you're so beautiful
My darling
Oh you're so beautiful
You're so beautiful
Oh my babe
You're so beautiful
Oh you're so beautiful
Oh my darling, oh my babe
You're so beautiful

Beautiful - HIM

PS: preguei 1º de abril em mim mesma...

O que aprendi hoje: Não se ouve música em ordem alfabética.


Fico impressionada com minha própria atitude perante a chegada do dia que por tanto tempo esperei. Há três dias, reinava a exaltação dos sentidos, dos sentimentos, não cabia em mim tanta ansiedade. Era como a luz do sol que, ao nascer, devora todas as estrelas com a voracidade de uma fera incontrolável. Passou-se a noite, o dia, o ar. Não vi quando, mas tudo foi mudando, perdendo a vibração, a alegria incontestável. Uma tristeza vinda de outras eras apoderou-se de mim, tirou meu fôlego e desde então não respiro mais. Sobrevivo, dedicando-me ao nada, sofrendo com os olhares não dados e com as palavras que engasgam entre meus dedos.
You take my breath away
Por fim, hoje, não sei bem que horas, descobri que ainda estou dividida. Talvez tenha sido o acaso, o destino, o nada, alguém - enfim, mostraram-me que não estou certa do caminho a seguir. Claro, já sabia disso desde o princípio, mas me enganava com a nuvem de fumaça que ergui a minha frente. Ele veio, dissipando a magia, quebrando minhas expectativas, esfregando-me na cara o desgosto e o desconforto que sempre paira nesse limbo que há entre nós. Ele ligou, a mesma voz de sempre, os silêncios confusos, a despedida estranha -o adeus- que há sempre entre nós.
O que raios eu quero?
Sempre acho esquisita sua presença, aquele sorriso escondido entre os lábios, as palavras displicentemente jogadas com uma deliberação quase sobrenatural. Penso "ridículo". Admiro-o. Enlouqueço com as convulsões que mantém minha língua enrolada na boca; essa é a minha verdadeira droga. De repente estou alucinada com meu ódio por mim, com meu anseio de liberdade, com toda aquela coisa que não sei se é possível descrever com palavras.
Gostaria um dia de conhecer mais do que há sob aquele mistério que não consigo penetrar. Acho que é isso que admiro, na realidade. Não beleza, inteligência, o raio. É essa impenetrabilidade sob meu olhar, essa capacidade de não se deixar ver mesmo sob minha análise radioativa. Estava pensando, outro dia, "...and you don't seem the lying kind, a shame that I can read your mind". É isso, em suma. I can't. Pela primeira vez, apesar dos meus esforços. Só consigo ver a superfície, a mentira, o já conhecido, tudo o que não me interessa nem um pouco. Não consigo ir além nem um milímetro, impenetrável.
Assim como eu. Maldito.
Talvez seja um pouco de inveja, ciúme desse rival que ousa roubar meus truques, que ousa atirar em mim com minhas próprias pistolas. É duro receber no peito as próprias balas, não deixei que ele as roubasse! Mão-leve. Por que esse espelho maldito insiste em me tragar para si? Vou acabar mergulhada em minha própria essência amarga.
Isso então me joga nos braços do outro, jogando-me também nas minhas dúvidas mais profundas, nas minhas questões vitais, nas preocupações de um futuro que sequer existe. Minha paixão é tão errada. Meu desejo é só veneno para mim e não tenho antídoto. O que fazer?
Procuro por uma saída assim como procuro pela música que preciso ouvir na minha playlist. Por um momento sinto que essa faixa ainda não foi escrita, penso que serei eu a compor a próxima balada que me levará ao céu.
Ou ao inferno.


Estou no auge da minha vida. Estou bem em espírito, corpo e alma. Estou alcançando meus objetivos um a um. Eu me exponho, não tenho medo, arrisco, aprecio a beleza das coisas grandes e pequenas. Sou elogiada sem pedir, faço muitas coisas bem. Sou esforçada, perceverante, animada. Passo boa energia aos meus amigos, torço pela felicidade daqueles que me cercam, ajudo os outros sem pedir nada em troca. Dou amor, carinho, afeto, presentes, palavras. Não tenho nada a pedir, nada que me faz tanta falta que chega a doer. Vejo coisas que gostaria de mudar, vejo defeitos, vejo inseguranças, tudo isso, claro. Só que não mais como defeitos traumáticos, mas sim como partes naturais de um ser em desenvolvimento constante. Lido maravilhosamente bem com meus sentimentos, com minhas ilusões e desilusões, estou centrada e plena.
Nunca estive tão bem e estou, contudo, incrivelmente infeliz, como jamais estive antes.


Por falta de motivação a fazer coisa melhor, fiquei em casa nesse chuvoso primeiro fim de semana de outono. Por falta de motivação a fazer coisa melhor, peguei umas fotos velhas e comecei a olhar.
Daí lembrei: odeio fotos.
Não que eu não tire fotos ou que não goste de sair nelas, pelo contrário, é até um hábito. Só que mesmo assim eu detesto olhar para elas. Quando tudo está apenas no preto e branco da memória, evanescendo com o desgaste do tempo, não sentimos mais a dor do lembrar. Contudo, aqueles pedaços de papel especial (e no futuro aqueles bits...) acabam por retornar a cor às lembranças, dando-lhes vida, som, moviemnto. Os rostos não estão mais congelados no tempo, mas sim dão risadas no seu ouvido, gritam de felicidade ou pavor; os lugares aparecem sob os pés e lá estamos nós novamente andando pela praia. Tanta vivacidade desperta o sentir, tanta alegria nos lembra da dor e da tristeza dos momentos de outrora: precisamos nos lembrar do amargo para sentir também o doce.
A verdade é que deveria parar com esse processo masoquista de reanimar os fantasmas decrépitos do ontem, mas é impossível.


Hoje venci, mas o amanhã é tão inconstante como a posição das dunas no deserto. Ademais, ainda tento entender quem foi que derrotei: a mim ou a outrem? Parece-me que cada vez mais luto com meus próprios demônios. Quando digo que ganhei, na verdade, sobra-me apenas um sentimento amargo dizendo que perdi.
As palavras são tão áridas que ainda sinto minha boca como uma região que há muito não sente o sabor doce do mel, a umidade quente dos trópicos. Por um momento, único, o tempo pára - e eu desperdiço novamente a oportunidade de ser sob a desculpa medíocre da vitória. Talvez eu devesse apenas me deixar levar pela corrente que não tem fim ou começo, só continuidade. Contudo, que sucesso tive com minhas perdas? Que sucesso tive quando meu orgulho foi sufocado e quando perdi cada luta por um ideal maior? Nenhum. Essa é a resposta que não quero ouvir, mas que insisto em pronunciar.
Mais uma vez estou aqui, e mais uma vez só, e mais uma vez a lamentar, e mais uma vez sem sequer um caminho tenebroso a seguir..


Completei minha terceira série da autora V.C. Andrews hoje. Se a paixão que começou com Orphans e passou por Shooting Stars já tinha me tomado por inteira, depois da incrível série Wildflowers só ficou o gosto de ler todas as séries que existem de uma vez só, devorando os livros do jeito que eu fiz com "Into the garden", o último da série Wildflowers. Praticamente li inteiro em uma manhã. Apesar de o final ser exatamente o oposto do que eu própria escreveria, não desmerece em nada a série, apenas reafirma o cunho dramático das histórias. Foi um final feliz? Foi, claro, como sempre. Contudo, não é aquela felicidade plena e inquestionável, mas apenas um tênue véu de felicidade que parece estar pronto a cair - mesmo que não se faça menção a nenhum desastre iminente.
Espero poder em breve começar a tão famosa Dollanganger Series.


Mesmo sendo definitivamente contra a essa situação constrangedora para um ser das artes, do culto à mente e à sabedoria plena como eu, enfiei minhas mãozinhas faz-tudo dentro da lata-velha e instalei a placa de rede no meu PC. Foi quase um parto, mas nasceu! hahaha. Agradeço ao incentivo e aos aplausos dos participantes, até mesmo dos distantes. Quando eu tiver Speedy (etapa 2 dessa odisséia) e finalmente publicar os posts acumulados desse blog que vos fala, farei um espetáculo à la bobo da corte para animá-los.
Momento moonie: eeee, desencantei e comprei meu primeiro e maravilhosamente único manga original de Sailor Moon, se tratando da edição número 8 da nova impressão, com a divina da Sailor Netuno na capa. Podia escolher entre a 6, 7 e 8 (disponíveis na loja) - a 6 tinha a Chibimoon na capa, ou seja, foi descartada por antecipação, deixando a briga para as parceiras no amor e rivais no meu bolso: Urano e Netuno. Minha fofa metidinha levou a parada e eu ganhei os belos atos que contam o fim da fase S e o início da fase Super S - NÃO PODIA SER MELHOR! Ganhei então em minhas páginas a aparição de Mistress 9, Faraó 90, Para Para, Ves Ves, Cere Cere, Jun Jun, Zircônia, Olho de Peixe, Olho de Tigre, Olho de Águia e Pégasus!!!! Incrível, lágrimas me vêm aos olhos. Isso sem contar o divino final da fase S, uma das minhas preferidas. Ó! Dinheiro! Por que foges de mim?!
Momento tristeza: Vi o atraso que eu ganhei com o Mickey, por volta de 150 paus de despesa para comprar os atrasados e crescendo.
Momento deleite: A LIBA É LINDA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Estava mexendo na bagunça do meu PC e encontrei os meus velhos e antigos layouts referentes a esse blog jurássico, in SIGHT. Mal lembrava da versão "Yuna"! Foi muito legal rever essas coisinhas he, até revi um layout "Yuna" teste, uma versão beta do que foi ao ar haha, hilário. Até encontrei o pré-histórico layout que eu usava quando me valia dos serviços do weblogger (aquela podridão eterna). O que me deixou um tanto triste pois lembrei que perdi os arquivos de histórico referentes à vida do in SIGHT no weblogger... triste, porém... fazer o quê? Mas certeza que já tenho uns três anos de blog, apesar de ter os arquivos de 2 anos e pouco. Vai ser desocupada assim lá na China! (mais conhecido como quero voltar para o Epcot.)
Mesmo assim foi bonitinho analisar a evolução dos meus layouts e como eles sempre refletiram muito de mim. Penso que algum dia ainda vou voltar para o "Quando se usa o Office para alguma coisa útil", considero ele muito lindo e interessante, até salvei ele numa pasta chamada "definitive". Até parece que eu ia conseguir manter um layout definitivo para o in SIGHT, dada a minha própria natureza louca e camaleônica. Valeu a tentativa, contudo. Algum dia o retomo.
Apesar de que ele não faz muito parte da fase "cara a tapa" da minha vida.
E hoje é um dia muito especial, não posso deixar de registrar... voltei a escrever o fic. Alívio de quebrar essas correntes que me impediam de continuar meu pequeno projeto. Tive que reler um bocado para retomar tanto tempo de afastamento, mas valeu a pena. Cada linha de suor e estresse que aquele fic me rendeu também trouxe muito orgulho para minha vida. Igualmente quando abro meu hotmail e vejo os tantos novos emails que tenho para responder, tanto dos meu fiéis leitores que não desistem apesar da má escritora que os serve (hahaha), tanto dos novos fãs que surgem não sei da onde e não sei porquê, já que faz anos que não faço uma propagandinha do fic, não faço uma afiliação, um link... e a maioria dos sites que eu freqüentava e tinha amizade, referências e talz... bem, a maioria morreu ou está no limbo atualmente (e infelizmente). Claro que eu entendo, pois todos devem estar na fase dos "vinte com V de velhos" como eu e as responsabilidades estrangulam nossos hobbies. E é por estar vencendo novamente essa guerra contra o não-tempo que marco esse dia 20 de fevereiro como dia de V de vitória da Velha!


Não-assunto

Tenho muito a dizer sobre nada, e tantos foram os gastos que não tive para comprar lembranças das paragens que não visitei. Agora mesmo soluço sem as lágrimas que insistem em não sair dos olhos ao lembrar o sorriso dengoso daquela menina a quem não disse adeus. Até o cheiro suave do seu gatinho que não roçou em minha perna ainda reside em nenhum lugar das minhas narinas, como se fosse ontem que ele dormira em outro colo que não o meu. Percebo ao fechar minhas pálpebras o quanto ainda tenho a dizer sobre nada.
Meus amigos que não mais vejo insistem em perguntar onde eu estive por todo esse tempo, pois é sabido que aqui dentro o lugar estava vago e para alugar. Digo-lhes sem voz apenas a verdade inexistente contando as histórias sobre nada que apanhei na longa estrada sem começo ou fim. Procura no dicionário o nome daquela fruta que não provei lá no sul, por falta de tronco ou raiz que brotasse do chão; a descrição mostrará em papel o gosto melado que não escorreu maroto pelos cantos da minha boca enquanto degustava aquele pedaço de céu.
Amor, não desiste ainda! Sabe que lembrei de você em cada momento de felicidade que não vivi, e memorizei a cantiga terna da senhorinha que jamais ouvi para ninar o seu sono inocente que nunca vem. Pensa nas notas doces da flauta que não toquei, mas que sempre estiveram distantes ao nosso lado e vê então que ainda há esperança, pois assim me disse o sábio das terras longínquas de Lá.
Grande e findável é tudo que eu tenho a dizer sobre nada, tanto que posso ainda discorrer por horas sobre a maestria do canto mudo do pássaro sem nome e sem olhos como eu. Belo era seu voar sem asas, atravessando as mesmas paisagens que não vimos e sentindo o vento ir de encontro ao nosso devaneio de existir através da não-existência.

Notas técnicas: Após uma certa luta contra o destino e a má sorte, consegui consertar todos os links quebrados do Histórico, de modo que os mais de 2 anos da versão independente do in SIGHT estão acessíveis novamente. Uau. :O
Próxima meta: Arrumar a divina seção de testes...


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