Não se escreve na dor, escreve-se para manter distância dela.
Carpinejar

E como dói sua insistência em manter-se presente, sua voz do outro lado distante do telefone, sua obrigação do conviver sem viver.
E como dói sua partida fria, sua ausência forçada que trespassa todos os níveis da minha vontade, seu desejo que arde sob a pele.
E como dói... mas me faltam sentimentos para cuspir tantos falsos verbetes de dicionário.

A mim resta a certeza de que o meu desejo sempre foi verdadeiro.

Ps. A cada dia descubro que as pessoas desistem mais e mais de seus sonhos por medo da solidão.


Nessa busca de por onde começar a escrever sobre tantas coisas que não têm cara de palavras, comecei a perceber com olhos argutos de águia o teor deste mês que passou. Muito escrevi nesse Abril (despedaçado.fragmentado.inacabado) que me parece ter passado um ano inteiro, meses e meses de vida acumulada em potes de geléia. Nem lembrava mais datas, tive que buscá-las na tabelinha, tão longínquo me parecia certo acontecimento! E o outro que o precedeu então, podia muito bem ter ocorrido em outra vida que não esta minha, nem lembrava mesmo, a fatura só vem em maio, afinal, o que me faz recordar do número 3, tão insignificante parece agora.
Acho que vivi muito intensamente em Abril, e cada dia se desdobrou em infinito tempo que não consigo contar. Abri muitas portas em abril, e também entre muitos gritos as fingi fechar. Deve ser por isso que ainda acreditava estar no meio do mês!
Fui muito ridícula em Abril, se fui, mas sinceramente acho que me dando essa liberdade do não-pensar consegui alcançar outros patamares na longa escadaria que nos leva ao prazer, tocando levemente a brisa vinda do mar. Desci, subi, cantei, escrevi: não há o que deixei de fazer em Abril - vivi.
Claro que nessa ânsia de não evitar nada, sofri, mas esse também foi mais um dos sentimentos embalados pelo Abril abundante e túrgido. Hoje, vejo que não se destacou dos outros, apenas integrou-se totalmente nesta festa de que lhes falo agora. E o dia do aniversário é só amanhã. Muito fui atormentada pelos conflitos, mas também hoje, com olhos bem abertos, vejo que eu que os criei - assim, displicentemente, deliberadamente.
Tudo saiu mesmo da minha mente.
Achei engraçado refletir, nesse fim de mês, sobre meu caldeirão de bruxa, mais fervente e borbulhante que nunca hahaha. É o que eu gosto afinal, não? Não há como esconder que eu que coloco os ingredientes certos para causar toda essa ebulição incontrolável, toda essa mistura volátil de forças opostas. Sim, sim, mea culpa. O dia que essa mistura ficar pronta e sair da panela não vai sobrar pedra sobre pedra. E eu, claro, vou estar no olho do furacão.
Quer saber, que se dane.

Entretanto, nada disso espanta a força daqueles versos...

Como ao baralho o jogador
Como à carniça o parasita
Como à garrafa o bebedor
Maldito sejas, maldito!

Nada pode ser dito além desses versos tão sinceros.


O que eu não daria para meus olhos não precisarem mais perseguir seus passos sempre passando por mim. O que eu não daria para não ouvir sua voz falando a outros ouvidos que não o meu. Poderia também esquecer sua pele, seus movimentos ritmados que se repetem involuntariamente no lugar onde reside minha memória. A sensação de minha boca sugar cada perfume seu como algo vital, as tulipas brotando ao meu redor, borbulhando néctar em seus cálices de calor pungente. Ainda lembro de suas mãos banhadas por esse mel opiáceo quando brincávamos em nosso jardim edílico. Tudo isso, quisera eu ser apenas uma nuvem de fumaça que se dissipa, o orvalho da manhã que se vai com o sol. O que eu não faria para voltar àquele dia, nosso baile à fantasia particular: você - palhaço, eu - colombina. Queria o ver novamente com o nariz vermelho de plástico. Engraçado: onde foi que o deixou? Procuro incansavelmente por essa resposta, mais que a todas as outras que nunca me deu. Lembro apenas que era o palhaço mais bonito, a fantasia mais perfeita. Maquiagem daqueles tempos efêmeros ainda escorre pela minha face. Onde está seu nariz? Penso agora que talvez fizesse diferente, mas sei que tudo igual. Quero apenas roubar seus gestos para mim, apropriar-me da sua essência que nunca vi. O que eu não daria para o conhecer, para olhar dentro de você como se fosse a primeira vez. Ainda que fosse a última.
Tivemos azar, acho. Combina com você isso, combina tanto com você, comigo, conosco. É a dor incalculada desse azar que mais me maltrata (mais que suas mãos morbidamente frias). Ele me tira totalmente o controle, lânguido, olhos e auréolas violeta de quem jamais dorme. Ainda está me vigiando, e por isso que faço tantas coisas que, sem querer, apunhalam a mim mesma (não ouso falar de você, desconheço-o). O que não daria para ter você como nunca tive, como sempre quis, despido de tudo que nos separa. Queria suas respostas acumuladas às minhas perguntas sem sentido.
Tudo o que faço é para você, mesmo se eu fingir não ser. Meu prazer me mata, o seu prazer me mata: por isso que sempre fecho os olhos. O que eu não daria para que usasse mais uma vez o nariz.
Aquele, vermelho.


Patchwork

Nada me coloca mais contra a parede que o êxito e sua inigualável sensação de sucesso, sempre tão opressora. Não sou e nem quero me acostumar com a calmaria da felicidade, o conforto do seguro, o sol nascente em raios alaranjados. Um dia fui feliz assim, com o calor e a vivacidade, mas hoje me sinto tão diferente, despreparada para tais sentimentos. Fico então resgatando a melancolia dos pequenos momentos, as verdades que estão entrelaçadas nessa falsa placidez que quase me convence. Perco-me com facilidade na claridade, pois há tanto tempo ando no escuro.
Estou afundando nessa areia movediça sem nada a que me segurar, e as vozes que sussurravam ao meu ouvido nada mais são que longínquos murmúrios de nada.
Agora também acabei de perceber o quanto eu demoro para deglutir os dias que se passam, e é por isso que tudo o que eu estou escrevendo agora mais me parece um vômito forçado a uma reflexão. Estou precisando dizer algo, mas não faço idéia do que dizer ainda. Certeza que daqui umas duas semanas tudo ficará claro (ou não) na minha mente oca. É o que espero afinal.
O fato é que nada que eu faça consegue vencer os pensamentos naquele que suavemente me domina. Finjo me afastar, mas quando olho um segundo ao redor vejo o quanto estou mais atada a esses pensamentos que sugam minha fria existência.
Não sei mais o que fazer para tentar sair desse pântano de lembranças, fugindo para cada vez mais perto desses tentáculos dos quais não consigo me desvencilhar. Já perdoei, mas talvez nunca consiga superar.
Talvez realmente existam coisas que sempre me perseguirão, não importa onde eu vá.
Não importa o quão alto eu grite.
Nem importa que eu me afogue nessas lágrimas que não consigo esquecer.


O que foi aquela fração de olhar que tirou o balanço do meu dia? Mal poderia dizer a cor dos seus olhos se não os conhecesse bem, infímo foi o segundo que nos encontramos. Depois disso, a distância e frio costumazes, ao qual não me acostumo nem no reino do pensar.
Será que posso me conter por toda a eternidade enquanto ela dure? Sinto o meu espírito falhar a cada encontro, uma falta de tudo e sobra de nada, a loucura repetida que grita 'encore'.
Tão triste é a tortura que me une a essas sensações sublimes que quase não posso agüentar mais um dia para sofrer com mais detalhes banhados de efervescência transitória.

Quanto ar é preciso para me sufocar?


A cada número que muda no visor do relógio, algo estremece dentro de mim, o amargo da ansiedade me sobe à boca, as lágrimas acotovelam-se nos cantos dos olhos. Mil coisas passam por dentro da minha mente, mil explicações para cada chamada não atendida, mil tormentos de felicidade e pavor. Penso nos versos inacabados, nos contos não terminados, nos desenhos à lápis, em todas as coisas - e são tantas - que vão se acumulando na seção de "não finalizados" da minha vida. Não queria mais uma. Não preciso de mais uma.
Tantas são as incertezas do meu sobreviver que não sei mais para onde olhar, aonde ir... talvez a imobilidade e a prostração perante o amanhã sejam o destino pelo qual devo esperar, pelo qual não preciso lutar.
Tento continuar, mas não consigo, tamanho é o poder do jugo que me foi imposto.

Quanto ar é preciso para me sufocar?


Alguns minutinhos singelos de ócio já me jogam neste turbilhão de pensamentos e reflexões sobre tudo o que eu quero esquecer. Luto contra os desejos anarquistas da minha mente, mas eles sempre me vencem, largo tudo, esqueço tudo e me volto apenas para aquela visão iridescente que turva meus pensamentos. As minhas amarras parecem não me machucar mais, as vendas estão confortavelmente postas sobre meus olhos. É quase um transe: vêm as ondas do mar me tragando para o fundo de um devaneio, atlântida é a cidade dos sonhos profundos e confusos que me envolvem com o frio mortal de águas tão longínquas. Cada vez mais vou perdendo minha consciência, penetrando na luz e na escuridão que sempre me apontam o mesmo caminho, aquele que me leva inevitavelmente até você.
Sofro com seu olhar distante ou com as palavras que não nos dissemos. São espinhos que agora estão rasgando minha garganta até segunda ordem. Minha pele está ficando azulada, meus olhos embaçados - tomo a aparência dos mortos para me aproximar de você nessa cidade de tumbas que é a memória. Mesmo sem vida entre nós ainda desejo ardentemente seus abraços.


Estou aqui enrolando há uma hora para escrever esse post, mesmo sabendo que isso será um problema mais tarde. Enfim, depois dessa maravilhosa semana - e acreditem, foi boa mesmo - me encontro novamente olhando para o horizonte, diversos caminhos a minha frente e, ao mesmo tempo, nenhum.
Por onde seguir?
Sinto-me perdida no meio de tantas coisas boas que acontecem na minha vida. Parece estranho, mas essa maré de "coisas dando certo" está me sufocando um pouco. Tenho vontade de largar tudo, começar do zero, mas motivos práticos me impedem de fazer isso.
Sendo sincera comigo mesma, estou com o coração partido em dois e as mãos atadas. E esse sofrimento interminável que me mata. E essa indiferença. E essa dúvida toda.
O que farei? Estou certa das minhas intenções futuras, mas suas conseqüências...
Só preciso de um pouco de verdade no meio de toda essa farsa. Por que é tão difícil? Por que mentir para mim?


Confesso que sinto uma dificuldade sensível em viver sem a sua monótona presença. Parece incoerente, admito, mas aquele incômodo que ele causava diariamente em mim faz falta. É a saudade do jogo de olhares, das frases displicentemente trocadas, os pensamentos formando uma nuvem invisível que aconchegava o meu ser. Agora reside a impotência, as cartas foram tiradas quase que em definitivo das minhas mãos: não consigo agir sem ter a sensação do convívio, sem que possa perceber nos hiatos que se formavam entre nós o que estava acontecendo realmente. Sinto-me um tanto ridícula por ter ficado tão dependente do seu cheiro, mesmo que distante, perdido entre tantos outros aromas de plástico. É a rotina do bom dia, das piadas inacabadas, o gosto do secreto em minha boca - a tudo isso me vejo presa, amordaçada e atada às suas lembranças difusas.
Sinceramente nem devia pensar muito nisso. Às vezes, parecem tão sutis essas memórias que nos unem que, se eu pensar muito sobre elas, podem ficar cada vez mais gastas até que um dia desapareçam por completo. Seria bom. Ao mesmo tempo não quero perder essas estrelas que brilham à distância, quero que elas caiam sobre mim como cometas, envolvam-me no seu calor, no fogo que incendeia minha alma. Que me destruam, que explodam minha mente em mil pedaços! Apenas não posso cogitar a possibilidade de me esquecer do doce timbre da sua voz.
Estou no pico da falta total de concentração e quando tento apurar a causa, quem me vem à mente é sempre a mesma pessoa demoníaca. A fallen angel.
Foi por isso que eu procurei, não? Foi isso o que eu encontrei. Foi isso o que não tive. Foi isso o que perdi.


Ainda, em vão, me pego tentando entender o que aconteceu nos últimos dias, como viajei distâncias tão grandes em minúsculo tempo. Releio os meus pensamentos, redijo linhas de memórias que possam me indicar onde foi que tudo mudou para continuar igual. Há alguns minutos algo me disse que essa situação foi toda premeditada por mim mesma, com o objetivo de chegar triunfalmente a esse final bastante desgraçado. Não me veio em mente o porquê, mas o processo faz até bastante sentido, em se tratando de mim. Gostaria de reviver alguns minutos, de fazer diferente, de sobrescrever minhas falas, mas é impossível, claro. Ainda assim gostaria, mesmo sabendo que faria exatamente tudo igual, teimosa.
Um dia achei, em uma inocência há muito esquecida, que agora estava confiante dos meus passos e decisões, mas sei que isso se reflete apenas em parte de minha vida - a parte que, sinceramente, pouco me importa. Não consigo superar esse medo de perder o que tenho, não consigo, não consigo por mais que tente, por mais que me convença que posso recuperar tudo de novo. Foi tanto que perdi. E aprendi que nada pode ser retomado no seu estado natural, puro - as coisas podem até voltar, mas sempre corrompidas pela dor, mágoas, tempo, silêncio.
Silêncio. Ainda ouço seu farfalhar entre nós, os lamentos dos minutos engolidos pela ampulheta.
Estou triste com esse desfecho malfadado, pelos gastos sem sentido; acho que mais pelo que ele me faz recobrar que pelo fato em si. Novamente percebo em mim as marcas que nunca serão esquecidas, os hematomas brotando sob a pele, o sangue, a dor, loucura gritando mais uma vez em meus ouvidos. É como a ponta de um novelo, uma lembrança que vai me puxando para trás sem meu consentimento, seguindo os caminhos negros de outrora. Perco-me nas florestas sussurrando as conversas que deveriam ser mudas, as figuras tortas turvando-me a visão, tomando meu ser com todo o pavor que costura minha boca para que eu não grite.
These wounds don't seem to heal
Preciso fugir dessas memórias que parecem me tragar para dentro de suas bocas negras como a morte. Quanto mais corro, entretanto, mais estou perdida nesse cemitério de esqueletos.


Nem sei se devo pensar sobre isso agora, talvez meditar sobre a questão fosse prudente. Não quero, contudo. De pensar passou-se o tempo, de pensar perdi o fogo que ardia na minha irresponsabilidade. Não paro de me culpar por tamanha impotência, covardia, dúvidas perante o amanhecer. Recomeço do zero agora, perdida, sem direção, pronta para cometer tantos novos erros que me levarão novamente para esse mesmo lugar. Juro que lutei, tentei, saboreei cada gota de ar com vontade de viver, mas morri. Algo assim, inevitável. Nada mais que covardia, acho.
É quente esse lugar que estou, confortável e ameno como sempre nunca desejei. Quero gritar, incendiar-me para sempre, acordar renovada. Quero ódio, paixão, sangue, ossos latejando com as pancadas displicentes do destino.
Vejo-me rodeada por ratos.

Só quero você.

Just one look into your eyes
One look and I'm crying
Cause you're so beautiful
Just one kiss and I'm alive
One kiss and I'm ready to die
Cause you're so beautiful
Just one touch and I'm on fire
One touch and I'm crying
Cause you're so beautiful
Just one smile and I'm wild
One smile and I'm ready to die
Cause you're so beautiful
Oh you're so beautiful
My darling
Oh you're so beautiful
You're so beautiful
Oh my babe
You're so beautiful
Oh you're so beautiful
Oh my darling, oh my babe
You're so beautiful

Beautiful - HIM

PS: preguei 1º de abril em mim mesma...

O que aprendi hoje: Não se ouve música em ordem alfabética.


Fico impressionada com minha própria atitude perante a chegada do dia que por tanto tempo esperei. Há três dias, reinava a exaltação dos sentidos, dos sentimentos, não cabia em mim tanta ansiedade. Era como a luz do sol que, ao nascer, devora todas as estrelas com a voracidade de uma fera incontrolável. Passou-se a noite, o dia, o ar. Não vi quando, mas tudo foi mudando, perdendo a vibração, a alegria incontestável. Uma tristeza vinda de outras eras apoderou-se de mim, tirou meu fôlego e desde então não respiro mais. Sobrevivo, dedicando-me ao nada, sofrendo com os olhares não dados e com as palavras que engasgam entre meus dedos.
You take my breath away
Por fim, hoje, não sei bem que horas, descobri que ainda estou dividida. Talvez tenha sido o acaso, o destino, o nada, alguém - enfim, mostraram-me que não estou certa do caminho a seguir. Claro, já sabia disso desde o princípio, mas me enganava com a nuvem de fumaça que ergui a minha frente. Ele veio, dissipando a magia, quebrando minhas expectativas, esfregando-me na cara o desgosto e o desconforto que sempre paira nesse limbo que há entre nós. Ele ligou, a mesma voz de sempre, os silêncios confusos, a despedida estranha -o adeus- que há sempre entre nós.
O que raios eu quero?
Sempre acho esquisita sua presença, aquele sorriso escondido entre os lábios, as palavras displicentemente jogadas com uma deliberação quase sobrenatural. Penso "ridículo". Admiro-o. Enlouqueço com as convulsões que mantém minha língua enrolada na boca; essa é a minha verdadeira droga. De repente estou alucinada com meu ódio por mim, com meu anseio de liberdade, com toda aquela coisa que não sei se é possível descrever com palavras.
Gostaria um dia de conhecer mais do que há sob aquele mistério que não consigo penetrar. Acho que é isso que admiro, na realidade. Não beleza, inteligência, o raio. É essa impenetrabilidade sob meu olhar, essa capacidade de não se deixar ver mesmo sob minha análise radioativa. Estava pensando, outro dia, "...and you don't seem the lying kind, a shame that I can read your mind". É isso, em suma. I can't. Pela primeira vez, apesar dos meus esforços. Só consigo ver a superfície, a mentira, o já conhecido, tudo o que não me interessa nem um pouco. Não consigo ir além nem um milímetro, impenetrável.
Assim como eu. Maldito.
Talvez seja um pouco de inveja, ciúme desse rival que ousa roubar meus truques, que ousa atirar em mim com minhas próprias pistolas. É duro receber no peito as próprias balas, não deixei que ele as roubasse! Mão-leve. Por que esse espelho maldito insiste em me tragar para si? Vou acabar mergulhada em minha própria essência amarga.
Isso então me joga nos braços do outro, jogando-me também nas minhas dúvidas mais profundas, nas minhas questões vitais, nas preocupações de um futuro que sequer existe. Minha paixão é tão errada. Meu desejo é só veneno para mim e não tenho antídoto. O que fazer?
Procuro por uma saída assim como procuro pela música que preciso ouvir na minha playlist. Por um momento sinto que essa faixa ainda não foi escrita, penso que serei eu a compor a próxima balada que me levará ao céu.
Ou ao inferno.


Estou no auge da minha vida. Estou bem em espírito, corpo e alma. Estou alcançando meus objetivos um a um. Eu me exponho, não tenho medo, arrisco, aprecio a beleza das coisas grandes e pequenas. Sou elogiada sem pedir, faço muitas coisas bem. Sou esforçada, perceverante, animada. Passo boa energia aos meus amigos, torço pela felicidade daqueles que me cercam, ajudo os outros sem pedir nada em troca. Dou amor, carinho, afeto, presentes, palavras. Não tenho nada a pedir, nada que me faz tanta falta que chega a doer. Vejo coisas que gostaria de mudar, vejo defeitos, vejo inseguranças, tudo isso, claro. Só que não mais como defeitos traumáticos, mas sim como partes naturais de um ser em desenvolvimento constante. Lido maravilhosamente bem com meus sentimentos, com minhas ilusões e desilusões, estou centrada e plena.
Nunca estive tão bem e estou, contudo, incrivelmente infeliz, como jamais estive antes.


Por falta de motivação a fazer coisa melhor, fiquei em casa nesse chuvoso primeiro fim de semana de outono. Por falta de motivação a fazer coisa melhor, peguei umas fotos velhas e comecei a olhar.
Daí lembrei: odeio fotos.
Não que eu não tire fotos ou que não goste de sair nelas, pelo contrário, é até um hábito. Só que mesmo assim eu detesto olhar para elas. Quando tudo está apenas no preto e branco da memória, evanescendo com o desgaste do tempo, não sentimos mais a dor do lembrar. Contudo, aqueles pedaços de papel especial (e no futuro aqueles bits...) acabam por retornar a cor às lembranças, dando-lhes vida, som, moviemnto. Os rostos não estão mais congelados no tempo, mas sim dão risadas no seu ouvido, gritam de felicidade ou pavor; os lugares aparecem sob os pés e lá estamos nós novamente andando pela praia. Tanta vivacidade desperta o sentir, tanta alegria nos lembra da dor e da tristeza dos momentos de outrora: precisamos nos lembrar do amargo para sentir também o doce.
A verdade é que deveria parar com esse processo masoquista de reanimar os fantasmas decrépitos do ontem, mas é impossível.


Hoje venci, mas o amanhã é tão inconstante como a posição das dunas no deserto. Ademais, ainda tento entender quem foi que derrotei: a mim ou a outrem? Parece-me que cada vez mais luto com meus próprios demônios. Quando digo que ganhei, na verdade, sobra-me apenas um sentimento amargo dizendo que perdi.
As palavras são tão áridas que ainda sinto minha boca como uma região que há muito não sente o sabor doce do mel, a umidade quente dos trópicos. Por um momento, único, o tempo pára - e eu desperdiço novamente a oportunidade de ser sob a desculpa medíocre da vitória. Talvez eu devesse apenas me deixar levar pela corrente que não tem fim ou começo, só continuidade. Contudo, que sucesso tive com minhas perdas? Que sucesso tive quando meu orgulho foi sufocado e quando perdi cada luta por um ideal maior? Nenhum. Essa é a resposta que não quero ouvir, mas que insisto em pronunciar.
Mais uma vez estou aqui, e mais uma vez só, e mais uma vez a lamentar, e mais uma vez sem sequer um caminho tenebroso a seguir..


Completei minha terceira série da autora V.C. Andrews hoje. Se a paixão que começou com Orphans e passou por Shooting Stars já tinha me tomado por inteira, depois da incrível série Wildflowers só ficou o gosto de ler todas as séries que existem de uma vez só, devorando os livros do jeito que eu fiz com "Into the garden", o último da série Wildflowers. Praticamente li inteiro em uma manhã. Apesar de o final ser exatamente o oposto do que eu própria escreveria, não desmerece em nada a série, apenas reafirma o cunho dramático das histórias. Foi um final feliz? Foi, claro, como sempre. Contudo, não é aquela felicidade plena e inquestionável, mas apenas um tênue véu de felicidade que parece estar pronto a cair - mesmo que não se faça menção a nenhum desastre iminente.
Espero poder em breve começar a tão famosa Dollanganger Series.


Mesmo sendo definitivamente contra a essa situação constrangedora para um ser das artes, do culto à mente e à sabedoria plena como eu, enfiei minhas mãozinhas faz-tudo dentro da lata-velha e instalei a placa de rede no meu PC. Foi quase um parto, mas nasceu! hahaha. Agradeço ao incentivo e aos aplausos dos participantes, até mesmo dos distantes. Quando eu tiver Speedy (etapa 2 dessa odisséia) e finalmente publicar os posts acumulados desse blog que vos fala, farei um espetáculo à la bobo da corte para animá-los.
Momento moonie: eeee, desencantei e comprei meu primeiro e maravilhosamente único manga original de Sailor Moon, se tratando da edição número 8 da nova impressão, com a divina da Sailor Netuno na capa. Podia escolher entre a 6, 7 e 8 (disponíveis na loja) - a 6 tinha a Chibimoon na capa, ou seja, foi descartada por antecipação, deixando a briga para as parceiras no amor e rivais no meu bolso: Urano e Netuno. Minha fofa metidinha levou a parada e eu ganhei os belos atos que contam o fim da fase S e o início da fase Super S - NÃO PODIA SER MELHOR! Ganhei então em minhas páginas a aparição de Mistress 9, Faraó 90, Para Para, Ves Ves, Cere Cere, Jun Jun, Zircônia, Olho de Peixe, Olho de Tigre, Olho de Águia e Pégasus!!!! Incrível, lágrimas me vêm aos olhos. Isso sem contar o divino final da fase S, uma das minhas preferidas. Ó! Dinheiro! Por que foges de mim?!
Momento tristeza: Vi o atraso que eu ganhei com o Mickey, por volta de 150 paus de despesa para comprar os atrasados e crescendo.
Momento deleite: A LIBA É LINDA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Estava mexendo na bagunça do meu PC e encontrei os meus velhos e antigos layouts referentes a esse blog jurássico, in SIGHT. Mal lembrava da versão "Yuna"! Foi muito legal rever essas coisinhas he, até revi um layout "Yuna" teste, uma versão beta do que foi ao ar haha, hilário. Até encontrei o pré-histórico layout que eu usava quando me valia dos serviços do weblogger (aquela podridão eterna). O que me deixou um tanto triste pois lembrei que perdi os arquivos de histórico referentes à vida do in SIGHT no weblogger... triste, porém... fazer o quê? Mas certeza que já tenho uns três anos de blog, apesar de ter os arquivos de 2 anos e pouco. Vai ser desocupada assim lá na China! (mais conhecido como quero voltar para o Epcot.)
Mesmo assim foi bonitinho analisar a evolução dos meus layouts e como eles sempre refletiram muito de mim. Penso que algum dia ainda vou voltar para o "Quando se usa o Office para alguma coisa útil", considero ele muito lindo e interessante, até salvei ele numa pasta chamada "definitive". Até parece que eu ia conseguir manter um layout definitivo para o in SIGHT, dada a minha própria natureza louca e camaleônica. Valeu a tentativa, contudo. Algum dia o retomo.
Apesar de que ele não faz muito parte da fase "cara a tapa" da minha vida.
E hoje é um dia muito especial, não posso deixar de registrar... voltei a escrever o fic. Alívio de quebrar essas correntes que me impediam de continuar meu pequeno projeto. Tive que reler um bocado para retomar tanto tempo de afastamento, mas valeu a pena. Cada linha de suor e estresse que aquele fic me rendeu também trouxe muito orgulho para minha vida. Igualmente quando abro meu hotmail e vejo os tantos novos emails que tenho para responder, tanto dos meu fiéis leitores que não desistem apesar da má escritora que os serve (hahaha), tanto dos novos fãs que surgem não sei da onde e não sei porquê, já que faz anos que não faço uma propagandinha do fic, não faço uma afiliação, um link... e a maioria dos sites que eu freqüentava e tinha amizade, referências e talz... bem, a maioria morreu ou está no limbo atualmente (e infelizmente). Claro que eu entendo, pois todos devem estar na fase dos "vinte com V de velhos" como eu e as responsabilidades estrangulam nossos hobbies. E é por estar vencendo novamente essa guerra contra o não-tempo que marco esse dia 20 de fevereiro como dia de V de vitória da Velha!


Não-assunto

Tenho muito a dizer sobre nada, e tantos foram os gastos que não tive para comprar lembranças das paragens que não visitei. Agora mesmo soluço sem as lágrimas que insistem em não sair dos olhos ao lembrar o sorriso dengoso daquela menina a quem não disse adeus. Até o cheiro suave do seu gatinho que não roçou em minha perna ainda reside em nenhum lugar das minhas narinas, como se fosse ontem que ele dormira em outro colo que não o meu. Percebo ao fechar minhas pálpebras o quanto ainda tenho a dizer sobre nada.
Meus amigos que não mais vejo insistem em perguntar onde eu estive por todo esse tempo, pois é sabido que aqui dentro o lugar estava vago e para alugar. Digo-lhes sem voz apenas a verdade inexistente contando as histórias sobre nada que apanhei na longa estrada sem começo ou fim. Procura no dicionário o nome daquela fruta que não provei lá no sul, por falta de tronco ou raiz que brotasse do chão; a descrição mostrará em papel o gosto melado que não escorreu maroto pelos cantos da minha boca enquanto degustava aquele pedaço de céu.
Amor, não desiste ainda! Sabe que lembrei de você em cada momento de felicidade que não vivi, e memorizei a cantiga terna da senhorinha que jamais ouvi para ninar o seu sono inocente que nunca vem. Pensa nas notas doces da flauta que não toquei, mas que sempre estiveram distantes ao nosso lado e vê então que ainda há esperança, pois assim me disse o sábio das terras longínquas de Lá.
Grande e findável é tudo que eu tenho a dizer sobre nada, tanto que posso ainda discorrer por horas sobre a maestria do canto mudo do pássaro sem nome e sem olhos como eu. Belo era seu voar sem asas, atravessando as mesmas paisagens que não vimos e sentindo o vento ir de encontro ao nosso devaneio de existir através da não-existência.

Notas técnicas: Após uma certa luta contra o destino e a má sorte, consegui consertar todos os links quebrados do Histórico, de modo que os mais de 2 anos da versão independente do in SIGHT estão acessíveis novamente. Uau. :O
Próxima meta: Arrumar a divina seção de testes...


Um balanço de final de ano antecipado

Depois que essa turbulência passar e o inevitável tiver acontecido, os trens caminhado sobre seus trilhos, o que me resta?
Acho que nada. Se há angústia, ela só me atormenta por causa das presenças, mas, mesmo assim, é algo mais meu que seu, muito mais meu de que de qualquer outrem que interrompa minha vida. Sabendo disso, como é triste não poder culpar e perseguir...! Tenho que aceitar meu saber sobre esse vazio, aqui o que existe é o estranhamento e a divergência. Por ser assim me faz insistir, mas por ser assim me priva até do privilégio de sofrer.
Do outro lado fica a indiferença, barbataneando entre o limbo da minha consciência, naquela região onde não posso compreender seus movimentos. Esse sim me cansa e aprisiona, libertando-me de todas as amarras enquanto gostaria de estar presa. Sabemos onde. Minha vontade é não ir, mas sei que vou, irresistível seus caprichos, irresistível tudo naquele mar onde nada. Forte sempre. Aqui, fraca.
Eu retorno ao nada, tomando rumo em direção a um lugar rarefeito, em que não existe o existir. Meu espírito quer mudar para Cittàgazze.



Estou pegando o hábito de escrever posts na madrugada. Isso não é nada saudável, acho, principalmente porque depois de um dia todo se debruçar em suas costas, gritando problemas e destemperos no seu ouvido, a chance de fazer besteiras (e dizê-las) aumenta em 500%.
Por sorte isso não me aflige tanto. Dane-se se eu falo merda.
Pior que isso é eu ficar cavucando dilemas para o dia seguinte, aproveitando a liberdade da noite para matar as desculpas que eu me dou durante o dia. Estou assim agora, com a faca e o queijo na mão, mas sem coragem de cortá-lo. Se não o fizer, será por pura covardia e isso me deixará muito triste, infeliz com minha própria fuga. Agora, se eu for em frente...
Tenho medo.

E ainda tem essa divisão de foco...


Adoro esses deliciosos domingos, que começam com você escutando Girl from Ipanema às duas da manhã (em loop, acho que já teve umas 20 execuções) e pensando como vai conseguir tirar da cartola um trabalho que não pareça muito picareta nas próximas 22 horas. Poucas coisas na vida (tá, nem tão poucas) me divertem tanto como esse ócio profundo ante o desespero. Simplesmente o mundo crepita em diversos tons de vermelho enquanto eu me sento calmamente na madrugada a fazer nada (mas o Toscani está do meu lado) e ouvir o Tom Jobim cantarolar com seu sotaque carioca junto com Frank Sinatra.
Eu amo as madrugadas. Amo como tudo parece tão suave nesses momentos em que o tempo não parece existir; não há preocupação ou estresse porque não há pressa. O único pormenor é a manhã que se aproxima - com sua claridade, sua frieza e seu destempero. Manhã que quebrará o encanto e trará os problemas de volta.
Acho que ainda agüento mais umas 30 execuções antes de dormir.


Ah, desprezo! São as rendas, os brancos e pretos, a boca que abre e fecha, abre e fecha, abre e fecha com o seu plic plac plac desagradável, pseudo-sedutor, ignorante, sons vazios que se perdem no fundo da mente, tornam-se planos de fundo fixos. Escondem-se sob o negro, não querem tirar suas máscaras que os protegem, escondem suas pupilas rasgadas, línguas bifurcadas que se entrançam, dançam freneticamente em bailes de camaradas tão perdidos quanto, abraçam-se na adversidade e no gozo. Desprezo-os. E também há as conversas que se repetem, repetem, repetem, repetem, incansávelmente para ouvidos moucos que apenas confirmam o que não ouvem; solitários em busca de público para seus monólogos. Aposto que falam sozinhos, nem que seja em suas mentes, medo de parecerem loucos, insanos, senis. São o que são não vou me apiedar. Estranhos componentes de uma salada indigesta. Ainda resisto, no topo de um penhasco que desmorona aos poucos, me equilibro, seguro nas estrelas.
Sim, pode falar que sou revoltada, arrogante, idiota. No fundo, apenas velha.


Engraçado como parece que, depois de tudo, ainda resta algo vivo. Quando menos se espera, vem aquele sopro de existência, um bafo quente às costas, aquele caminho quase esquecido volta a ser usado. É estranho como certos comportamentos obsessivos demonstram o quanto de humano ainda há, o quanto de imperfeito continua a respirar e a dizer besteiras, o quanto tudo isso poderia simplesmente desaparecer mas não o faz.
Vejo como aquele vício de esperança consome as energias restantes, é ele quem produz a estafa, o crescente penhasco até o precipício da frustração; o pulo que não pode ser dado. Cansa-me, mas me entrego a ele com certo deleite, coloco a máscara e vou dormir. É assim que ajo, embora despreze esse comportamento com todas as minhas forças.
Qual é o sentido dessa frase se amo tudo o que desprezo? Se é o desprezo que me orgulha, incita, excita e comove?
Talvez não haja sentido, isso que me impele para o futuro e me afunda no passado. Se o tempo nos aprisiona em sua irrealidade (ou surrealidade, talvez. ou ambos.) como esses pensamentos podem ser possíveis? Como o agora pode ser mensurado se ele é nada mais que uma ilusão?
Ah, perco-me. Facilmente, entre caminhos escúros e úmidos que trançam trilhas inimagináveis de possibilidades. Não posso seguir a todas, não posso escolher uma; perco-me. De repente todos os caminhos são apenas atalhos para a não saída. De repente todas as palavras são vazias e túrgidas. De repente não há.
Sinto também que, após um tempo, uma quase desintoxicação, me libertei de algumas amarras. São olhos já não tão mais brilhantes, pensamentos não tão mais recorrentes (mentira), toques talvez mais frios. E de certa forma o contrário de tudo isso coexiste, com a reflexão vejo que as memórias e as ações reais são tão diferentes! Por que as minhas próprias memórias mentem para mim? Talvez seja somente eu a tentar me enganar com disfarces obsoletos de carnavais de outrora.
Talvez apenas uma colombina morta. Ou uma que chore enquanto ri.
(ou talvez eu deva simplesmente parar de ouvir Radiohead)


Às vezes eu me percebo questionando se não seria mais fácil simplesmente continuar relevando, ignorando, fingindo. Agir naturalmente parece extremamente difícil na situação atual, principalmente pelo fato que entre a verdade e a mentira nenhuma diferença é notada. Aliás, isso acaba por intensificar a sensação 'tanto faz' que gerou todo esse caos. Pergunto-me se esse é o caminho a seguir, se devo continuar nessa trilha que não leva a lugar nenhum, se andar em círculos realmente faz diferença (mesmo que seja só para mim). Não há resposta, nada ecoa nesse mar opaco e desmotivante. Nada além da minha própria voz.
A cada sussurro, um simples movimento das mãos, um olhar meio distraído... a cada dedo apontado para o nada... a cada dia e a cada morte. É tudo um grande ciclo que iniste em se alimentar de seus próprios restos, estou presa nele; cansada finalmente.
Até acho que fiz um bom trabalho até agora, e é por isso que eu estou me forçando a não retornar ao ponto inicial. Injetando decisão em todos os nervos, em todas as pulsações, simplesmente porque não é justo lutar tanto para me enredar novamente naquela podridão; caminhar tanto para voltar à casa dos fantasmas sem olhos.
Mas também dói a fraqueza, a impotência, a indiferença. Dói tanto que turva minha visão; dor que encontra seus velhos amigos aqui dentro. É como um baile para o qual não foi convidada, embora conheça todos que estão participando... E ela tem amigos poderosos, que ousam desafiar todos os limites do racional. Talvez seja por isso que tudo o que é claro e definitivo pareça desfocado em certos momentos, momentos em que toda a certeza desaparece, momentos em que não sou mais eu o comandante desse barco à deriva.
Estou conseguindo, contudo, pelo menos durante esses dias de luz sobre as trevas. Sei que não vão durar, o que me entristece ainda mais, conheço essa minha natureza imprestável que sempre desiste. Sempre desiste e morre.
Quanto ar é preciso para me sufocar?


É até certo ponto bastante interessante observar, surpreender-se, dizer algo que tem vontade, mesmo que isso traga alguma aura de 'chateação' para o momento. Antes isso que lutar contra as palavras que faltam, que gritam para ser ditas mesmo sem existirem.
É nessas idas e vindas que a vida se perde, contudo. Nas mudanças bruscas ou suaves, todo o vigor e a vontade vão escoando por esse furinho, passando na cintura fina da ampulheta que não tem fundo.
De repente se acaba.
Uma pena que seja um processo longo, penoso, que se retorce dentro da angústia de sua própria lentidão. Ao menos, foi vivido.

Talvez isso tudo seja um erro. Quanto ar é preciso para me sufocar?


É, parece que a roda girou, girou, girou e parou no mesmo lugar. Não posso me dizer feliz com isso, nem comformada, mas digo que é uma zona de conforto, da qual eu não estou me esforçando muito em sair. As cores parecem bonitas, mas eu não acredito em quadros que ainda não foram pintados, e isso me deixa ainda mais fixada nessa agradável zona de conforto. Não é marasmo, veja bem, e nem desleixo, apenas aquela calmaria, as ondas batendo nos pés, a tempestade se aproximando, se aproximando...
Só que não vou pensar nela antes das nuvens negras começarem a pairar.
Também tem o fato de eu estar bastante alimentada de ilusões. Acho que isso é como um vício, uma droga - quando fico sem, entro em crise, perco o controle, vejo a realidade. E é tão bom quando nos dão ilusões novamente... mesmo que sejam falsas, mesmo que sejam imaginárias, mesmo que não passem de ilusões.
Nem sei o que dizer mais. Acho que estou cansada. Ou então um misto de conformada com revoltada, como uma prisão sem grades, simplesmente você não pode se mexer. Estou cansada. Soterrada numa esperança desiludida que eu não consigo abandonar. Tudo se move rapidamente, mas os meus olhos enxergam em slow motion, meus dedos se movem em slow motion, meu corpo pára.
Quanto ar é preciso para me sufocar?

PS: vou voltar a postar com freqüencia, desculpem o hiatus. Mas às vezes EU entro em hiatus...


100 coisas sobre mim

1> Meu nome é Vivian Gonçalves Pereira
2> Quando meu nome foi escolhido não tinha uma Vivian em cada esquina, ou seja, inspirei gerações
3> Não sou apenas Paulista, mas também Paulistana e São Paulina.
4> Quando era criança, morava em Taboão da Serra, mas minha vida desde então era São Paulo. Sim, eu amo São Paulo.
5> Hoje em dia moro em São Roque, mas minha vida continua sendo São Paulo.
6> Quero morar sozinha, mas só se puder me sustentar.
7> E sim, quero morar em São Paulo, adoro caos e poluição.
8> Sou solteira, mas...
9> Eu não me apaixono pelas aparências
10> Um sorriso pode me fazer feliz
11> Uma palavra pode me convencer de tudo
12> Um adeus pode me matar
13> Eu durmo como uma pedra invariavelmente
14> Você pode tentar me matar a noite que eu não vou acordar mesmo assim
15> Eu nunca quebrei nenhum osso.
16> Aliás, eu nunca tive nenhuma doença grave
17> Eu sobrevivo a mim mesma a cada dia
18> Mas eu nunca tentei suicídio, se você quer saber
19> Mas eu gostaria de morrer
20> Apesar de que há dias em que a única coisa que eu desejo é viver
21> O único carro pelo qual eu me apaixonei é o Eclipse (vermelho, por favor)
22> Eu não tenho carta de motorista
23> Eu adoro panquecas de frango com molho branco
24> E chocolate. Muito. Mas eu me controlo.
25> Gostaria de morar no Canadá; esse é o único lugar que me faria largar São Paulo para sempre.
26> Eu adoro Salvador Dali e Van Gogh
27> Sim, eu queria que alguem me amasse como eu amo alguém
28> Eu gostaria de fazer uma longa viagem de carro por vários lugares, sem destino definido
29> E adoraria conhecer o Egito
30> Eu gosto de rosa, mas não só dele. Eu gosto de todas as cores.
31> Eu não sigo modas.
32> Eu amo muitos tipos de música, mas se você me perguntar pelo nome de uma, hoje, eu diria "Missing You" de Hirai Ken e "All You Want" da Dido
33> Eu não gosto de forró, mas posso dançar qualquer coisa dependendo da ocasião.
34> Gostaria de estar velhinha hoje... sem compromissos mais.
35> Um ídolo? Não tenho.
36> Não tenho crenças. Sou cética e ateísta. Respeito quem tenha.
37> Gosto de estar bem vestida.
38> Não ligo muito para marcas, nunca liguei.
39> Gostaria de andar de patins novamente.
40> Não tenho lugar para fazer isso.
41> Tenho cinco gatos e dois cachorros.
42> Eu os amo, eles me amam. Somos felizes. Ou não.
43> Gosto de morar em chácara, apesar de ninguém acreditar.
44> Minhas plantas favoritas são os cactos, mas acho que não levo muito jeito com plantas, já que quase os matei de sede (!)
45> Preciso de pessoas
46> Mas sou extremamente só. E isso me dá prazer às vezes, apesar de dar mais no passado.
47> Eu não consigo mais chorar, lágrimas são como pequenos diamantes para mim
48> São valiosos. Raros. Brilhantes. E muito verdadeiros.
49> Faz pouco tempo que vi um deles.
50> As vezes fico muito cansada de tudo
51> Mas quando desisto, surge uma chama pedindo mais
52> Gostaria de paz. E do contrário disso.
53> Eu sempre me sinto perida.
54> Estou no penúltimo ano da faculdade e isso me desespera em certo ponto.
55> Meu sonho é ser escritora
56> E ter uma banca de jornal
57> Mas nada disso parece que vai se tornar realidade
58> Ou talvez eu pense assim por achar que eu não mereça que isso se torne realidade
59> Qu gosto de pensar enquanto tomo longos banhos... mas não faço isso muito porque não gosto de desperdiçar tanta água
60> Tenho agua de poço em casa. E aquecedor solar.
61> Tenho cicatrizes incuráveis em lugares invisíveis
62> Escrever me deixa feliz.
63> Quando as palavras saem com facilidade
64> Mas também tenho bloqueios freqüentemente
65> Por isso acho que nunca serei uma escritora de verdade
66> Acho que é uma coisa que nunca vou superar
67> Estou me sentindo muito sozinha, e é por isso que escrevo todas essas bobagens
68> Porque eu não quero fugir da minha própria escuridão
69> É engraçado como me sinto segura quando não me permito ser feliz
70> Felicidade é apenas um caminho mais curto para a decepção
71> Talvez eu tenha que mudar essa visão, mas eu não quero. Não agora.
72> Eu gosto do meu blog e escrevo nele porque eu gosto. Não é para os outros, mas para mim.
73> Queria dormir e nunca mais acordar.
74> Eu amo a minha avó
75> E sou blasé com o resto do mundo
76> O mundo é blasé comigo também
77> Queria que minha avó vivesse para sempre
78> Apesar de saber que isso não é possível
79> Ela é a melhor pessoa do mundo. Sinto saudades da minha infância com ela.
80> Ela é por quem eu vivo
81> Porque eu continuo aqui
82> Eu nunca quero ser a causa do seu sofrimento
83> E nunca vou ser
84> E eu só digo nunca quando tenho certeza, assim como digo sempre
85> Eu gostaria de ter uma filha
86> Mas as condições teriam que ser muito especiais para que isso acontecesse
87> Por isso tenho minhas dúvidas se um dia terei uma filha
88> Feriados nem sempre me deixam feliz
89> Eu sou totalmente dissimulada
90> Por isso ninguém vê quando eu estou muito ferida
91> Sou obsessiva. Maníaca. Depressiva. Às vezes, normal.
92> Gosto de tirar fotos, mas tenho vergonha de pedir pras pessoas saírem nelas.
93> Odeio sair em fotos.
94> Desejo muitas coisas, mas se eu pudesse escolher só uma, tenho a resposta na ponta da língua.
95> Adoro limonada.
96> A idéia dessa lista não foi minha, mas vi num blog amigo por aí.
97> Eu amo internet.
98> É mais um jeito de se ver só no meio da multidão.
99> Um verso: "What should I do but tend * Upon the hours and times of your desire?"
100> Leiam o poema inteiro - é o Soneto 57 de Shakespeare. A melhor coisa que eu já li na vida. Mas também amo Pablo Neruda e Camões.


Livre again... E como nunca me sinto com tanto ânimo, tanto vigor de continuar a minha caminhada! Quando mais achei que iria somente vegetar, uma nova chama se acendeu; a sina de Fênix - tive que morrer, consumir-me em chamas e agora estou pronta para recomeçar. Já o fiz, inclusive.
Não, sou jovem demais para morrer, para sufocar-me numa prisão. O que eu preciso, mais do que nunca é ar fresco, é paixão, é vida. E sim, eu estou certa que consigo, certa que essa é a hora de dizer não ao que não concordo, porque por enquanto eu sou livre para viver assim. O leitinho das crianças? Eu não tenho crianças!

Livre! Livre! Feliz e revigorada!


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