Parem de sugar minha alma.
Parem de me usar.
Parem de me olhar para mim, se possível.
E com toda licença, vão à merda, caralho.
Isso serve para os dois.
Estou pegando o hábito de escrever posts na madrugada. Isso não é nada saudável, acho, principalmente porque depois de um dia todo se debruçar em suas costas, gritando problemas e destemperos no seu ouvido, a chance de fazer besteiras (e dizê-las) aumenta em 500%.
Por sorte isso não me aflige tanto. Dane-se se eu falo merda.
Pior que isso é eu ficar cavucando dilemas para o dia seguinte, aproveitando a liberdade da noite para matar as desculpas que eu me dou durante o dia. Estou assim agora, com a faca e o queijo na mão, mas sem coragem de cortá-lo. Se não o fizer, será por pura covardia e isso me deixará muito triste, infeliz com minha própria fuga. Agora, se eu for em frente...
Tenho medo.
E ainda tem essa divisão de foco...
Adoro esses deliciosos domingos, que começam com você escutando Girl from Ipanema às duas da manhã (em loop, acho que já teve umas 20 execuções) e pensando como vai conseguir tirar da cartola um trabalho que não pareça muito picareta nas próximas 22 horas. Poucas coisas na vida (tá, nem tão poucas) me divertem tanto como esse ócio profundo ante o desespero. Simplesmente o mundo crepita em diversos tons de vermelho enquanto eu me sento calmamente na madrugada a fazer nada (mas o Toscani está do meu lado) e ouvir o Tom Jobim cantarolar com seu sotaque carioca junto com Frank Sinatra.
Eu amo as madrugadas. Amo como tudo parece tão suave nesses momentos em que o tempo não parece existir; não há preocupação ou estresse porque não há pressa. O único pormenor é a manhã que se aproxima - com sua claridade, sua frieza e seu destempero. Manhã que quebrará o encanto e trará os problemas de volta.
Acho que ainda agüento mais umas 30 execuções antes de dormir.
Ah, desprezo! São as rendas, os brancos e pretos, a boca que abre e fecha, abre e fecha, abre e fecha com o seu plic plac plac desagradável, pseudo-sedutor, ignorante, sons vazios que se perdem no fundo da mente, tornam-se planos de fundo fixos. Escondem-se sob o negro, não querem tirar suas máscaras que os protegem, escondem suas pupilas rasgadas, línguas bifurcadas que se entrançam, dançam freneticamente em bailes de camaradas tão perdidos quanto, abraçam-se na adversidade e no gozo. Desprezo-os. E também há as conversas que se repetem, repetem, repetem, repetem, incansávelmente para ouvidos moucos que apenas confirmam o que não ouvem; solitários em busca de público para seus monólogos. Aposto que falam sozinhos, nem que seja em suas mentes, medo de parecerem loucos, insanos, senis. São o que são não vou me apiedar. Estranhos componentes de uma salada indigesta. Ainda resisto, no topo de um penhasco que desmorona aos poucos, me equilibro, seguro nas estrelas.
Sim, pode falar que sou revoltada, arrogante, idiota. No fundo, apenas velha.
Engraçado como parece que, depois de tudo, ainda resta algo vivo. Quando menos se espera, vem aquele sopro de existência, um bafo quente às costas, aquele caminho quase esquecido volta a ser usado. É estranho como certos comportamentos obsessivos demonstram o quanto de humano ainda há, o quanto de imperfeito continua a respirar e a dizer besteiras, o quanto tudo isso poderia simplesmente desaparecer mas não o faz.
Vejo como aquele vício de esperança consome as energias restantes, é ele quem produz a estafa, o crescente penhasco até o precipício da frustração; o pulo que não pode ser dado. Cansa-me, mas me entrego a ele com certo deleite, coloco a máscara e vou dormir. É assim que ajo, embora despreze esse comportamento com todas as minhas forças.
Qual é o sentido dessa frase se amo tudo o que desprezo? Se é o desprezo que me orgulha, incita, excita e comove?
Talvez não haja sentido, isso que me impele para o futuro e me afunda no passado. Se o tempo nos aprisiona em sua irrealidade (ou surrealidade, talvez. ou ambos.) como esses pensamentos podem ser possíveis? Como o agora pode ser mensurado se ele é nada mais que uma ilusão?
Ah, perco-me. Facilmente, entre caminhos escúros e úmidos que trançam trilhas inimagináveis de possibilidades. Não posso seguir a todas, não posso escolher uma; perco-me. De repente todos os caminhos são apenas atalhos para a não saída. De repente todas as palavras são vazias e túrgidas. De repente não há.
Sinto também que, após um tempo, uma quase desintoxicação, me libertei de algumas amarras. São olhos já não tão mais brilhantes, pensamentos não tão mais recorrentes (mentira), toques talvez mais frios. E de certa forma o contrário de tudo isso coexiste, com a reflexão vejo que as memórias e as ações reais são tão diferentes! Por que as minhas próprias memórias mentem para mim? Talvez seja somente eu a tentar me enganar com disfarces obsoletos de carnavais de outrora.
Talvez apenas uma colombina morta. Ou uma que chore enquanto ri.
(ou talvez eu deva simplesmente parar de ouvir Radiohead)
Às vezes eu me percebo questionando se não seria mais fácil simplesmente continuar relevando, ignorando, fingindo. Agir naturalmente parece extremamente difícil na situação atual, principalmente pelo fato que entre a verdade e a mentira nenhuma diferença é notada. Aliás, isso acaba por intensificar a sensação 'tanto faz' que gerou todo esse caos. Pergunto-me se esse é o caminho a seguir, se devo continuar nessa trilha que não leva a lugar nenhum, se andar em círculos realmente faz diferença (mesmo que seja só para mim). Não há resposta, nada ecoa nesse mar opaco e desmotivante. Nada além da minha própria voz.
A cada sussurro, um simples movimento das mãos, um olhar meio distraído... a cada dedo apontado para o nada... a cada dia e a cada morte. É tudo um grande ciclo que iniste em se alimentar de seus próprios restos, estou presa nele; cansada finalmente.
Até acho que fiz um bom trabalho até agora, e é por isso que eu estou me forçando a não retornar ao ponto inicial. Injetando decisão em todos os nervos, em todas as pulsações, simplesmente porque não é justo lutar tanto para me enredar novamente naquela podridão; caminhar tanto para voltar à casa dos fantasmas sem olhos.
Mas também dói a fraqueza, a impotência, a indiferença. Dói tanto que turva minha visão; dor que encontra seus velhos amigos aqui dentro. É como um baile para o qual não foi convidada, embora conheça todos que estão participando... E ela tem amigos poderosos, que ousam desafiar todos os limites do racional. Talvez seja por isso que tudo o que é claro e definitivo pareça desfocado em certos momentos, momentos em que toda a certeza desaparece, momentos em que não sou mais eu o comandante desse barco à deriva.
Estou conseguindo, contudo, pelo menos durante esses dias de luz sobre as trevas. Sei que não vão durar, o que me entristece ainda mais, conheço essa minha natureza imprestável que sempre desiste. Sempre desiste e morre.
Quanto ar é preciso para me sufocar?
É até certo ponto bastante interessante observar, surpreender-se, dizer algo que tem vontade, mesmo que isso traga alguma aura de 'chateação' para o momento. Antes isso que lutar contra as palavras que faltam, que gritam para ser ditas mesmo sem existirem.
É nessas idas e vindas que a vida se perde, contudo. Nas mudanças bruscas ou suaves, todo o vigor e a vontade vão escoando por esse furinho, passando na cintura fina da ampulheta que não tem fundo.
De repente se acaba.
Uma pena que seja um processo longo, penoso, que se retorce dentro da angústia de sua própria lentidão. Ao menos, foi vivido.
Talvez isso tudo seja um erro. Quanto ar é preciso para me sufocar?
É, parece que a roda girou, girou, girou e parou no mesmo lugar. Não posso me dizer feliz com isso, nem comformada, mas digo que é uma zona de conforto, da qual eu não estou me esforçando muito em sair. As cores parecem bonitas, mas eu não acredito em quadros que ainda não foram pintados, e isso me deixa ainda mais fixada nessa agradável zona de conforto. Não é marasmo, veja bem, e nem desleixo, apenas aquela calmaria, as ondas batendo nos pés, a tempestade se aproximando, se aproximando...
Só que não vou pensar nela antes das nuvens negras começarem a pairar.
Também tem o fato de eu estar bastante alimentada de ilusões. Acho que isso é como um vício, uma droga - quando fico sem, entro em crise, perco o controle, vejo a realidade. E é tão bom quando nos dão ilusões novamente... mesmo que sejam falsas, mesmo que sejam imaginárias, mesmo que não passem de ilusões.
Nem sei o que dizer mais. Acho que estou cansada. Ou então um misto de conformada com revoltada, como uma prisão sem grades, simplesmente você não pode se mexer. Estou cansada. Soterrada numa esperança desiludida que eu não consigo abandonar. Tudo se move rapidamente, mas os meus olhos enxergam em slow motion, meus dedos se movem em slow motion, meu corpo pára.
Quanto ar é preciso para me sufocar?
PS: vou voltar a postar com freqüencia, desculpem o hiatus. Mas às vezes EU entro em hiatus...
100 coisas sobre mim
1> Meu nome é Vivian Gonçalves Pereira
2> Quando meu nome foi escolhido não tinha uma Vivian em cada esquina, ou seja, inspirei gerações
3> Não sou apenas Paulista, mas também Paulistana e São Paulina.
4> Quando era criança, morava em Taboão da Serra, mas minha vida desde então era São Paulo. Sim, eu amo São Paulo.
5> Hoje em dia moro em São Roque, mas minha vida continua sendo São Paulo.
6> Quero morar sozinha, mas só se puder me sustentar.
7> E sim, quero morar em São Paulo, adoro caos e poluição.
8> Sou solteira, mas...
9> Eu não me apaixono pelas aparências
10> Um sorriso pode me fazer feliz
11> Uma palavra pode me convencer de tudo
12> Um adeus pode me matar
13> Eu durmo como uma pedra invariavelmente
14> Você pode tentar me matar a noite que eu não vou acordar mesmo assim
15> Eu nunca quebrei nenhum osso.
16> Aliás, eu nunca tive nenhuma doença grave
17> Eu sobrevivo a mim mesma a cada dia
18> Mas eu nunca tentei suicídio, se você quer saber
19> Mas eu gostaria de morrer
20> Apesar de que há dias em que a única coisa que eu desejo é viver
21> O único carro pelo qual eu me apaixonei é o Eclipse (vermelho, por favor)
22> Eu não tenho carta de motorista
23> Eu adoro panquecas de frango com molho branco
24> E chocolate. Muito. Mas eu me controlo.
25> Gostaria de morar no Canadá; esse é o único lugar que me faria largar São Paulo para sempre.
26> Eu adoro Salvador Dali e Van Gogh
27> Sim, eu queria que alguem me amasse como eu amo alguém
28> Eu gostaria de fazer uma longa viagem de carro por vários lugares, sem destino definido
29> E adoraria conhecer o Egito
30> Eu gosto de rosa, mas não só dele. Eu gosto de todas as cores.
31> Eu não sigo modas.
32> Eu amo muitos tipos de música, mas se você me perguntar pelo nome de uma, hoje, eu diria "Missing You" de Hirai Ken e "All You Want" da Dido
33> Eu não gosto de forró, mas posso dançar qualquer coisa dependendo da ocasião.
34> Gostaria de estar velhinha hoje... sem compromissos mais.
35> Um ídolo? Não tenho.
36> Não tenho crenças. Sou cética e ateísta. Respeito quem tenha.
37> Gosto de estar bem vestida.
38> Não ligo muito para marcas, nunca liguei.
39> Gostaria de andar de patins novamente.
40> Não tenho lugar para fazer isso.
41> Tenho cinco gatos e dois cachorros.
42> Eu os amo, eles me amam. Somos felizes. Ou não.
43> Gosto de morar em chácara, apesar de ninguém acreditar.
44> Minhas plantas favoritas são os cactos, mas acho que não levo muito jeito com plantas, já que quase os matei de sede (!)
45> Preciso de pessoas
46> Mas sou extremamente só. E isso me dá prazer às vezes, apesar de dar mais no passado.
47> Eu não consigo mais chorar, lágrimas são como pequenos diamantes para mim
48> São valiosos. Raros. Brilhantes. E muito verdadeiros.
49> Faz pouco tempo que vi um deles.
50> As vezes fico muito cansada de tudo
51> Mas quando desisto, surge uma chama pedindo mais
52> Gostaria de paz. E do contrário disso.
53> Eu sempre me sinto perida.
54> Estou no penúltimo ano da faculdade e isso me desespera em certo ponto.
55> Meu sonho é ser escritora
56> E ter uma banca de jornal
57> Mas nada disso parece que vai se tornar realidade
58> Ou talvez eu pense assim por achar que eu não mereça que isso se torne realidade
59> Qu gosto de pensar enquanto tomo longos banhos... mas não faço isso muito porque não gosto de desperdiçar tanta água
60> Tenho agua de poço em casa. E aquecedor solar.
61> Tenho cicatrizes incuráveis em lugares invisíveis
62> Escrever me deixa feliz.
63> Quando as palavras saem com facilidade
64> Mas também tenho bloqueios freqüentemente
65> Por isso acho que nunca serei uma escritora de verdade
66> Acho que é uma coisa que nunca vou superar
67> Estou me sentindo muito sozinha, e é por isso que escrevo todas essas bobagens
68> Porque eu não quero fugir da minha própria escuridão
69> É engraçado como me sinto segura quando não me permito ser feliz
70> Felicidade é apenas um caminho mais curto para a decepção
71> Talvez eu tenha que mudar essa visão, mas eu não quero. Não agora.
72> Eu gosto do meu blog e escrevo nele porque eu gosto. Não é para os outros, mas para mim.
73> Queria dormir e nunca mais acordar.
74> Eu amo a minha avó
75> E sou blasé com o resto do mundo
76> O mundo é blasé comigo também
77> Queria que minha avó vivesse para sempre
78> Apesar de saber que isso não é possível
79> Ela é a melhor pessoa do mundo. Sinto saudades da minha infância com ela.
80> Ela é por quem eu vivo
81> Porque eu continuo aqui
82> Eu nunca quero ser a causa do seu sofrimento
83> E nunca vou ser
84> E eu só digo nunca quando tenho certeza, assim como digo sempre
85> Eu gostaria de ter uma filha
86> Mas as condições teriam que ser muito especiais para que isso acontecesse
87> Por isso tenho minhas dúvidas se um dia terei uma filha
88> Feriados nem sempre me deixam feliz
89> Eu sou totalmente dissimulada
90> Por isso ninguém vê quando eu estou muito ferida
91> Sou obsessiva. Maníaca. Depressiva. Às vezes, normal.
92> Gosto de tirar fotos, mas tenho vergonha de pedir pras pessoas saírem nelas.
93> Odeio sair em fotos.
94> Desejo muitas coisas, mas se eu pudesse escolher só uma, tenho a resposta na ponta da língua.
95> Adoro limonada.
96> A idéia dessa lista não foi minha, mas vi num blog amigo por aí.
97> Eu amo internet.
98> É mais um jeito de se ver só no meio da multidão.
99> Um verso: "What should I do but tend * Upon the hours and times of your desire?"
100> Leiam o poema inteiro - é o Soneto 57 de Shakespeare. A melhor coisa que eu já li na vida. Mas também amo Pablo Neruda e Camões.
Livre again... E como nunca me sinto com tanto ânimo, tanto vigor de continuar a minha caminhada! Quando mais achei que iria somente vegetar, uma nova chama se acendeu; a sina de Fênix - tive que morrer, consumir-me em chamas e agora estou pronta para recomeçar. Já o fiz, inclusive.
Não, sou jovem demais para morrer, para sufocar-me numa prisão. O que eu preciso, mais do que nunca é ar fresco, é paixão, é vida. E sim, eu estou certa que consigo, certa que essa é a hora de dizer não ao que não concordo, porque por enquanto eu sou livre para viver assim. O leitinho das crianças? Eu não tenho crianças!
Livre! Livre! Feliz e revigorada!
Os dias estão passando, mas eu continuo adiando todas as decisões, todos os momentos importantes, atropelando cada uma das oportunidades. Minto que 'de hoje não passa', mas quando vejo acabo deixando para amanhã, esmagada pelo meu medo. Por que não posso ser egocêntrica um pouco, mandar o resto à m****, agir de acordo com o meu coração e só? Algo bloqueia minha mente, algo palpável e delicioso como o mais sublime suspiro de vida que brota dessa terra ressequida que me compõe. Que dramática eu sou. Mas poderia jurar que não é por escolha própria.
Bah. I like to me despised.
Um extra: vamos parar de falar só da minha loucura
Ha, e não é que eu vi hoje o tal livro do Jean não-sei-das-quantas, o vencedor do Big Brother Brasil 5? Dizem também que ele vai escrever uma novela pra Globo (!) OMG. OMG. OMG. Onde vamos parar... não conheço ele, não sei se ele tem talento ou não, mas... a pior impressão foi a que ficou. O livro (sobre o Big Brother... tem assunto?) tem vários trechos de poemas no maior naipe de: "olha como eu sou intelectual espertão e leio poesia (todas as mais manjadas e cliches possíveis... aquelas que qualquer analfabeto sabe de cor)". Afe. Detesto gente metida a cult/intelectualóide/coisa-do-gênero. E pior ainda metidos a escritor.
Resumo: esse trecho que não era pra falar de mim acho que expressa mais do que tudo a minha própria frustração.
Eu sempre acabava no blog dele. Agora no flog. E no dela também. E essa gente desconhecida que me conhece insiste em não sumir da minha vida, embora nunca tenham estado realmente nela. Eu sempre achei que ele não fosse com a minha cara, apesar disso não ser uma certeza... engraçado, pois essa não é uma coisa que eu costumo ficar em dúvida, mas tenho que admitir que umas duas ou três pessoas muito especiais (não necessariamente enigmáticas, mas não excludentemente (!) enigmáticas) conseguem esse efeito. Odeio essas pessoas com a mesma intensidade que as amo, mas digo: espelhos me dão medo.
Estou sufocada com esses pensamentos e sensações. Sufocada nesse mar de perguntas sem respostas (que cliche...), essa maré permanentemente alta. Gostaria de não saber nadar, seria mais fácil viver (paradoxo... mas acho que deu pra entender). Estou triste, com pulmões cheios de alga densa e salgada, a traquéia atrofiada, a respiração asmática como o chiado daqueles que estão em agonia (final?). E as palavras que não devem ser lidas queimam em algum lugar dentro de mim aos gritos insanos dos esquecidos. Que adianta? Que adianta? Não há reposta novamente, são apenas ondas que nunca retornam, viagens de ida em trens úmidos que serpenteiam por encostas e vales. Juro que se tivesse tempo desenharia o trem que descarrila em meus sonhos diários. Ou pra que mentir que são só sonhos.
Sabemos da verdade.
Mas se contarmos uma mentira
Por cem, mil vezes
Talvez
Não saibamos mais o que é verdade ou
Mentira
Me tira daqui. Erro. Sintático. Desejo. Acerto.
Tantas coisas podem querer dizer as palavras que esse post na verdade é dez. cem, mil. Fico encantada em como é possível falar tanta coisa em uma quantidade enorme de nada. O sentido fica por conta de quem tem tido razão, porque aqui eu decidi que o que valem são os devaneios. walking above the clouds...
heaven is in your eyes. i've found it.
Acho que a partir daqui são só reticências e murmúrios sobre os erros que vou cometer.
Preciso me desconectar.
Sorte no jogo. Azar no amor.
Devo eu acreditar nisso?
Enquanto estou aqui as gaivotas finalmente alçam vôo para o lugar que nao existe. Por muito tempo fui Rae, e ainda sou, de certa forma, mas em alguma parte do meu cérebro eu aprendi a lição. Mesmo que separados, mesmo de distantes, mesmo que invisíveis, os laços nunca se partem. Esse lugar distante não existe, e é por isso que estou tentando me tranqüilizar.
Como pode existir alguém tão covarde, tão insensível, tão vazio e tão cheio de si? Não há explicação para o inexplicável, mas mesmo assim eu continuo a busca, pois ela é o propulsor de algo que está se extingüindo aqui.
O nó persiste, não importa o quanto eu grite. Ele ignora os meus esforços, continua me estrangulando aos poucos, me intoxicando lentamente, a dor que cresce de dentro pra fora e que nunca sai. Nunca sai.
E de novo eu estou aqui, rodando sem sair do lugar, desenhando as espirais infinitas. Isso é compulsivo. Não estou tentando ser coerente, não se preocupe com isso. Lógica é algo que já foi superado aqui, isso não funciona nesse blog. Você pode escolher, ou coloca sua máscara de oxigênio e espera pra ver ou usa as saídas de emergência nas laterais.
Eu nem sei mais se continuo a prometer as coisas para mim mesma, porque o que eu mais tenho feito ultimamente é ir contra tudo o que eu falei há minutos atrás. Acho que lutar contra minha persistência em errar é inútil, a partir de agora vou meter a cabeça na parece de propósito (até rachar). Olha aí as promessas disfarçadas que não serão cumpridas apesar de merecerem ser.
Já tomou sua capsula de cloridrato de fluoxetina hoje? Então pára de ler asneira e vai fazer isso. Com saúde não se brinca.
Rídiculo é eu ficar me enganando com palavras bonitas. Transformando bile em letra. Acho que eu faço isso pelo puro prazer de sujar a tela tão branca do meu Notepad, branco incomoda. Vazio incomoda. Nada incomoda nada.
Impressionante como ninguém escreve nada que presta em blog. Fico entrando nesses 'mais visitados' e sinceramente... que lixo... Me pergunto se alguém realmente já escreveu um blog bom (não, o meu já está fora dessa briga desde o seu primeiro post, quando ainda era um filho do weblogger), porque eu nunca li um que me chamasse a atenção. Talvez os escritores usem máscaras de burrice em seus blogs. Ou talvez não escrevam blogs, eles têm livros pra escrever. Enquanto eu não tenho o meu, fico nessa vida. Que pretensão.
Estou me acalmando agora (mentira, minha perna ainda está se debatendo histéricamente contra a cadeira), mas eu finjo que estou. Finjo que aquele pedaço de bolo que comi há uma hora alterou alguma quimíca (estou com a química alterada, como diz a garota de América que eu não sei o nome) secreta no meu organismo. Ah, fingir é tão bom. Tão bom que me dá vontade de vomitar.
...
Voltei. Foi bom me libertar do que me consumia, mesmo sabendo que isso não passa de uma criação do meu consciente que simula um inconsciente cansado. Olha só ele se manifestando em palavras profundamente vazias novamente. Porque se Paulo Coelho é aclamado eu posso dizer qualquer coisa sem me sentir patética. Não só eu. Você também. Junte-se à turminha.
Eu acho que eu tenho problema mental isso sim. Tinha uma história que pobrema é o seu e poblema é dos outros, mas isso não vem ao caso quando a ênfase é em *mental*. Mais um produto mentolado trazido diretamente da Birmânia Oriental pra você. Estou com idéia fixa na Birmânia Oriental há uma semana. Se existe isso é outra história.
E só pra concluir... acho que gosto de sofrer até em sonho... porque outro dia eu estava tendo um sonho horrível de conteúdo inconfessável e eu acordava e ficava bem quietinha para dormir de novo e voltar a sonhar. E voltava. E sofria. E me angustiava. E isso é doença.
Mais de meia hora escrevendo e ainda não consegui entender como pode haver alguém tão corajoso, sensível, profundo e humilde!
Shakespeare's Sonnet 57
Being your slave, what should I do but tend
Upon the hours and times of your desire?
I have no precious time at all to spend,
Nor services to do, till you require.
Nor dare I chide the world-without-end hour
Whilst I, my sovereign, watch the clock for you,
Nor think the bitterness of absence sour
When you have bid your servant once adieu;
Nor dare I question with my jealous thought
Where you may be, or your affairs suppose,
But, like a sad slave, stay and think of nought
Save, where you are how happy you make those.
So true a fool is love that in your will,
Though you do any thing, he thinks no ill.
Dentre tudo que eu já li de Shakespeare (não que seja muito...) os sonetos são a obra mais sublime e perfeita.
Como ir do céu ao inferno em menos de 10 horas
Hora 1: Acorde de ótimo humor e veja como o dia está lindo
Hora 2: Coloque uma roupa que reflita o seu bom humor. Claro que alguém que não está no mesmo clima que você vai criticar alguma coisa. Respire. Isso não vai estragar seu dia antes que ele começe.
Hora 3: Sim, aquela má notícia logo cedo vai aparecer. E vai incomodar. Mas você está tão feliz hoje! O céu está tão azul!
Hora 4: Já estamos quase na metade do dia e você não fez nem 10% de tudo o que tinha para fazer. Felizmente o almoço vai liberar um pouco de hormônio da felicidade no seu corpo.
Hora 5: Está na hora de se animar ainda mais, pq vc tem que subir bem no alto para cair de boca no fogo eterno. Que tal uma conversinha animadora?
Hora 6: Esses momentos de marasmo começam a cansar um pouco, mas você ainda pode usar para rapar o resto de entusiasmo do fim do tacho, ainda nao acabou o dia...
Hora 7: Agora sim, acabou o dia. Você não fez nada. Não aproveitou nada. Não pensou em nada.
Hora 8: O movimento dos astros indica que essa é a melhor hora para um tapa com luvas de pelica. Você tenta se iludir que as pessoas não fazem por mal, mas então se lembra de ter gastado toda sua cota de esperança na Hora 6. O ser humano não presta.
Hora 9: Tudo a sua frente está tingido de vermelho, vai sobrar pro primeiro que aparecer. Você sobre no trampolim e olha pra baixo.
Hora 10: O momento de pular e fazer sua escala final no inferno chegou. Mande lembranças pro chefão lá embaixo.
Momento arte
Essa é pra quem duvida que é possível desenhar naquela porcaria de Doodle do Yahoo Messenger. Quem fez a obra foi meu bródi Fábio hehe
Nada mais artisticamente apropriado para esse post de semi-inauguração do meu layout novo. Alguma coisa na minha vida tem que mudar de vez em quando, não?
Sinto falta. Como sinto falta dos dias de outrora, do amanhã e do hoje. Das pessoas e dos pensamentos, das risadas e dos sorrisos. A sinceridade de sentir e falar. Queria tempo para mim, para ficar só e poder pensar no que aconteceu. Quando o sol se pôs e eu não vi? Sinto falta de tempo para enxergar.
Sinto falta. Falta de tocar, de abraçar, de bater, de externar tudo ou nada. Falta de decidir pelo melhor caminho, mesmo que ele seja o pior. Queria o poder de não ser guiada pelos fios invisíveis do destino, mas sim tomar as rédeas logo de uma vez. Sinto muita falta de falar.
Sinto falta. Do aroma salgado das lágrimas, da pele úmida em caminhos de tristeza, dos suspiros profundos e dos gritos, dos soluços involuntários que não eram uma farsa. Queria poder parar e recomeçar, ter uma nova chance de descobrir a verdade sem os meus olhos feridos. Sinto falta de mim.
Mas por quê? Por quê? Quando eu deixei de ser quem eu era? Por que eu deixei isso acontecer comigo?
Eu sei porque.
O porquê de todos os meus problemas. O porquê cego ou dissimulado que me dói lembrar e é nessa dor que encontro o meu deleite. É nesse mel que me afogo todos os dias, querendo ou não, podendo ou não, gritando ou não. Só há sofrer, e no sofrer está o meu prazer. Não quero mais isso. Ou quero muito mais? Todos os dias enterro mais esse punhal no meu coração e sou terrivelmente feliz assim. E terrivelmente infeliz. Está nas estrelas que era pra ser assim, desde sempre foi e eternamente será.
Não quero. Desejo muito.
As notas mais tristes dessa sonata (de outono?) estão sendo tocadas agora, e como quero que elas continuem a me ferir! Preciso sair do meio da estrada, mas os carros passando dos dois lados me amedrontam. Preciso de ajuda, mas eu não vou deixar ninguém me ajudar. Ninguém pode chegar tão perto de mim além de...
...de quem não quer chegar.
About: O Fantasma da Ópera
Só uma notinha básica, claro. Ontem foi a estréia e só confirmou minha eterna devoção por essa história linda e pela música sublime do Andrew Lloyd Webber (quero meu teclado de volta!!!!!!). As versões ficaram ótimas na minha opinião. De resto tudo foi como eu previ, com seus pontos positivos e negativos.
Eu quero o novo CD do Shaaman!!!! Ah! Vou regar minha árvore de dinheiro pra comprar urgente, a se vou...
Pra registrar minha felicidade, vou postar a letra da música Iron Soul. A que está nas rádios para ser votada é a Innocence, portanto votem!
Iron Soul
Shaaman
Look around, what do you see
Caught up in humility?
Too many souls are on their own
Fallen angels moving on
There's more to get, more to find
Feelings of another kind
The choise is set, take it soon
For even you won't be immune now
I'd count it a miracle
If I ever see your smile
Throw away your illusions, dear
Don't keep trusting your own lies
Who's in command of your heart
of your hope?
Past thoughts are vague
As they soar high and low
Yet someday, still alive
You will find a will to strive
For someone else will come along
To lift you up, to right the wrong
And you will see within your eyes
Figures that come back to life
You'll touch the wounds that never heal
Love is raw, it's not for real
I'd count it a miracle
If I ever see your smile
Throw away your illusions, dear
Let me hold you for a while
Sho's in command of your heart, of your hope?
Past thoughts are vague, running out of control
There was a time when the fields were green
The world was one, life was filled with something
There was a blue sea, on the horizon
There was a dream of a lasting fire
We bottomed out, life's become so cruel
Along the way, a regardless torment
Is there a cause that we would die for?
Is there a place where the spirits lives on?
Who's in command of you heart, of your hope?
Past thoughts are vague, running out of control
There's more to know and there's much more beyond
The faith that you've lost you will find on your own
Cansei desse chove-não-molha, mas não consigo dar um passo pra fora dessa garoa. O que posso fazer se eu sou burra e gosto de sofrer?
Ay, do despise me, I`m the prouder for it; I like to be despised.
Puts que triste, tenho até que registrar isso aqui: a Adobe comprou a Macromedia. Postos positivos e negativos a parte, fico triste porque eu adorava a Macromedia, seu estilo, sua filosofia; era a companhia dos sonhos. Já a Adobe eu sempre vi como arrogante e antipática... e agora meu modelo de empresa ideal morreu...
Que chato, né?
É, mais um tempo sem posts novos.
Pra que tb...? Pra falar q o papa morreu? Olhe no site do UOL...
Nada do que eu tenho a dizer no momento pode ser pronunciado. Nem em sonhos. Nem em pesadelos.
Algo em mim está se partindo.
De repente tudo parece tão distante e inatingível. Como um sonho é depois que você acorda. Ele fica distante como se fosse outra vida. Outra existência em que seria tão bom viver. Estou falando coisas desconexas...
O pior momento...
As piores horas...
Eu odeio as minhas próprias reticências.
Sem babaquice nonsense hoje.
No te quiero sino porque te quiero
No te quiero sino porque te quiero
y de quererte a no quererte llego
y de esperarte cuando no te espero
pasa mi corazón del frío al fuego.
Te quiero sólo porque a ti te quiero,
te odio sin fin, y odiándote te ruego,
y la medida de mi amor viajero
es no verte y amarte como un ciego.
Tal vez consumirá la luz de Enero,
su rayo cruel, mi corazón entero,
robándome la llave del sosiego.
En esta historia sólo yo me muero
y moriré de amor porque te quiero,
porque te quiero, amor, a sangre y fuego.
Pablo Neruda
Dá pra falar alguma coisa depois disso sem parecer medíocre?
Não sei exatamente se devia estar escrevendo isso agora, mas... Estou um pouco cansada de ver demais. Demais, porque eu preferia ser cega nesse momento, como eu já fui um dia. Uma pedra no chão, daquelas q vc chuta, ela dá umas 100 roladas e pára novamente, continuando sua doce e sublime existência de pedra. E sem sofrer um arranhão, dado que é pedra, sem mudar de forma - simplesmente pétrea.
Cara, eu não faço sentido nem pra mim às vezes... imagine pra quem se dá ao trabalho de ler isso. Pelo menos você, que está perdendo minutos preciosos do seu dia (pense quantas coisas você poderia estar fazendo agora: lendo e-mail de corrente, teclando no MSN, navegando no Super Iogurte, etc, etc), pelo menos você pode ver que sim! há gente bem mais patética e nonsense no mundo. Pessoas que inclusivem gostariam de ser uma pedra (não no seu sapato, queridos amigos....), só uma pedra na rua - abandonada e conformada com sua natureza insubstituível de pedra.
Uau, isso rendeu mais do que eu imaginava. Talvez eu queira ser pedra mais do que meu próprio consciente consegue racionalizar.
Torci o pé. Graaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaande lixo.
Esqueci de devolver meu livro na biblioteca (vou ser suspensa de novo).
Minha memória morreu definitivamente.
Estou preguiçosa e não consigo fazer as coisas mais bestas.
Totalmente ferrada em diversos segmentos da minha vida.
Sou invisível.
Ou então deliberadamente ignorada.
Cortaram as minhas asas.
Ah, e não vou no Espaço das Américas amanhã...
Tá bom ou quer mais? -- tudo que está ruim tende a piorar... --
Aff quanta decepção. Estou ficando bem casada disso tudo. Falsas impressões, olhares dúbios, palavras vazias. Eu ainda me apego às ilusões, mas manter minha convicção sobre elas está me sufocando, porque elas insitem em mostrar suas verdadeiras cores dia após dia.
Estou ficando uma velha repetitiva.
Mas eu tenho culpa se tudo não passa de um círculo que sempre retorna ao ponto de partida
Um novo mês, mas ainda reina o meu velho e dramático estado de espírito.
Ilusões.
São tudo o que eu tenho. Então, se não pode me ajudar, me deixe sozinha com elas.
If you go away
Shirley Bassey
If you go away on this summer day
Then you might as well take the sun away
All the birds that flew in the summer sky
When our love was new and our hearts were high
When the day was young and the night was long
And the moon stood still for the night bird's song
If you go away
If you go away
If you go away
But if you stay, I'll make you a day
Like no day has been or will be again
We'll sail the sun, we'll ride on the rain
We'll talk to the trees and worship the wind
Then if you go, I'll understand
Leave me just enough love to fill up my hand
If you go away
If you go away
If you go away
If you go away as I know you will
You must tell the world to stop turning 'till
You return again, if you ever do
For what good is love without loving you
And I tell you now, as you turn to go
I'll be dying slowly until the next hello
If you go away
If you go away
If you go away
If you away
But if you stay, I'll make you a night
Like no night has been or will be again
I'll sail on your smile, I'll ride on your touch
I'll talk to your eyes, that I love so much
But if you go I won't cry
Though the good is gone from the word 'goodbye'
If you go away
If you go away
If you go away
If you go away, as I know you must
There'll be nothing left in the world to trust
Just an empty room, full of empty space
Like the empty look I see on your face
I'd have been the shadow of your shadow
If I thought it might have kept me by your side
If you go away
If you go away
Please don't go away
Essa música já foi cantada por diversos artistas, Frank Sinatra inclusive, mas a versão que eu tenho é da Shirley Bassey. Eu já fiz comentários longos acerca dessa música, mas não vou fazer nenhum aqui. Acho que ela se explica bem.
Cara, isso é poesia. Tem mais um detalhe sobre essa música, mas vou confirmar antes de abrir a boca pra falar besteira.
Sim, tivemos um hiatus aqui, já q o último post foi há 10 dias atrás. Estive em estado de animação suspensa. Mas agora voltei (espero...) - fiz ateh uns novos testes que encontrei ¬¬
A noite estava escura, mal dava pra enxergar o caminho. Foi quando eu também não senti o chão, apenas uma queda vertiginosa, um precipício perdido no espaço. Chegou logo ao fim. Não quebrei as pernas, não fiquei apavorada - alguns arranhões, mas estava bem. Mais escuro que a noite estava aquele lugar, mantinha meus olhos fixos a frente, com medo de olhar para baixo e descobrir o que eram aquelas coisas frias que andavam sobre meus pés nus. Lógico que eu não veria nada naquelas condições, mas na escuridão total o olho da mente se dilata ao máximo, e começamos a enxergar o que o inconsciente sempre quis esconder. E é exatamente isso que eu não quero e não vou ver, e nada vai me convencer do contrário.
Portanto,
nem tente.
(Sim, tudo isso foi uma metáfora absurda. Mas, e daí?)